Internacional 'Polarização é fenômeno mundial', diz chefe de missão eleitoral da OEA

'Polarização é fenômeno mundial', diz chefe de missão eleitoral da OEA

Laura Chinchilla acredita que, apesar de fazer parte da democracia, situação é preocupante durante os processos eleitorais

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Laura Chinchilla testa a urna eletrônica

Laura Chinchilla testa a urna eletrônica

Reprodução/Facebook/OEA

A ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla (2010-2014), já teve de lidar com muitas resistências em sua vida política, conseguindo se tornar a primeira mulher a assumir o Executivo do seu país. Agora ela é a chefe da missão da OEA (Organização dos Estados Americanos) que irá monitorar as eleições no Brasil, nos primeiro e segundo turnos.

Ela acredita que, assim como ocorre no Brasil, a chamada polarização é algo que tem ocorrido em várias democracias pelo mundo.

Nem por isso, segundo a ex-presidente, a situação não requer certos cuidados para que os regimes democráticos não fiquem ameaçados.

"A polarização política parece ser um fenômeno que atinge muitas democracias do mundo, não é exclusivo nem do Brasil nem da América Latina. É um elemento preocupante no contexto político em que os processos eleitorais são realizados."

Eleições equilibram cenário

Mas Chinchilla completa ressaltando que as eleições são uma maneira eficiente de equilibrar o cenário, com a decisão popular prevalecendo sobre as desavenças.

"Após a polarização das campanhas políticas, acreditamos que as eleições podem ser uma oportunidade para conhecer diferentes posições. De alguma forma, o dia da eleição é uma oportunidade para tudo o que aconteceu em uma campanha, por mais polarizada, foi deixado para trás e um novo estágio é aberto a trabalhar para o futuro do país juntos, após a aceitação dos resultados por parte dos candidatos, simpatizantes e cidadãos em geral."

Experiência brasileira

Chinchilla dá a entender que, apesar de os processos eleitorais serem diferentes em cada país, com particularidades, legislação e contexto políticos distintos, as eleições no Brasil podem servir como um aprendizado sobre a melhor maneira de transformar a polarização em algo produtivo.

"É a primeira vez que observamos uma eleição no Brasil e para nós é muito interessante observar algumas das particularidades desse sistema. O Brasil é a maior democracia da América Latina e isso torna a administração eleitoral mais complexa. É também um sistema federal e descentralizado. É também o único país das Américas que usa a urna eletrônica em todo o país. Será muito interessante observarmos este sistema de votação."

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