Logo R7.com
RecordPlus

Ponte, trens, comércio: como a China tenta reconstruir seu controle sobre a Coreia do Norte

Pequim amplia obras na fronteira, reativa conexões ferroviárias e reforça comércio para recuperar influência estratégica na região

Internacional|Do R7

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A China busca recuperar sua influência sobre a Coreia do Norte através de investimentos em infraestrutura e reabertura de rotas comerciais.
  • Retomada dos trens de passageiros entre Pequim e Pyongyang marca o fim de um isolamento de anos devido à pandemia de Covid-19.
  • Pequim prepara a fronteira com reformas para aumentar o fluxo de veículos e mercadorias, essencial para a dependência econômica da Coreia do Norte.
  • O estreitamento de laços entre China e Coreia do Norte ocorre enquanto os EUA sinalizam interesse em retomar negociações com Pyongyang, aumentando a importância da influência chinesa.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Coreia do Norte e China retomam serviço de trem de passageiros
Coreia do Norte e China retomam serviço de trem de passageiros Reprodução/Record News

A China vem dando sinais de que quer retomar seu papel como principal fiadora política e econômica da Coreia do Norte. Nos últimos meses, Pequim intensificou iniciativas que vão desde infraestrutura na fronteira a transporte ferroviário e ampliação do comércio, movimentos vistos por analistas como parte de uma estratégia para recuperar influência sobre Pyongyang em meio a um cenário geopolítico cada vez mais tenso na Ásia.

Um dos sinais mais visíveis dessa reaproximação é a retomada das viagens internacionais de trem entre os dois países. Segundo informações da agência Reuters, a China voltará a operar trens de passageiros entre Pequim e Pyongyang pela primeira vez em seis anos. A expectativa é que quatro viagens semanais passem a ligar os dois países.


A retomada da rota ferroviária é simbólica: ela ocorre após anos de isolamento da Coreia do Norte, que fechou suas fronteiras em janeiro de 2020 logo após o surgimento da covid-19 na China. Desde então, apenas algumas conexões comerciais haviam sido retomadas gradualmente, como o transporte ferroviário de carga em 2022 e a circulação de caminhões no ano seguinte. Em dezembro de 2023, a companhia Air Koryo também retomou voos entre Pyongyang e Pequim.

Leia mais

Antes da pandemia, chineses formavam o maior grupo de turistas estrangeiros que visitavam a Coreia do Norte. A reabertura do transporte de passageiros é vista por analistas como um possível teste para avaliar até que ponto o regime de Kim Jong-un está disposto a retomar laços econômicos com seu maior parceiro comercial.


Infraestrutura na fronteira

Mas a aproximação vai muito além do turismo ou da mobilidade. Segundo informações do Modern Diplomacy e da Reuters, Pequim também vem investindo em infraestrutura estratégica na fronteira entre os dois países, um sinal de que se prepara para ampliar o comércio e o fluxo de pessoas.

Na cidade chinesa de Dandong, principal porta de entrada para a Coreia do Norte, autoridades reformaram estradas e instalações alfandegárias ligadas à chamada Nova Ponte do Rio Yalu, um projeto concluído há mais de uma década, mas que nunca chegou a operar plenamente. Imagens de satélite analisadas pela Reuters mostram novas marcações de tráfego e estruturas atualizadas, sugerindo preparativos para um aumento significativo no fluxo de veículos.


Construções semelhantes também foram observadas em outros pontos da fronteira de 1.350 quilômetros entre os dois países, incluindo portos e postos de passagem em cidades como Quanhe, Nanping e Sanhe. Do lado norte-coreano, autoridades também teriam iniciado obras para erguer instalações logísticas e alfandegárias ligadas à ponte, embora parte dos trabalhos tenha sido interrompida no fim do ano passado por razões ainda desconhecidas.

China tenta recuperar influência

Por trás dessas obras está um cálculo estratégico claro de Pequim. A China sempre foi o principal parceiro econômico da Coreia do Norte, mas a relação esfriou nos últimos anos, principalmente após Pyongyang estreitar laços com a Rússia depois da invasão da Ucrânia em 2022.


Nesse período, o regime de Kim Jong-un teria fornecido armas e até tropas para Moscou, recebendo em troca combustíveis, alimentos e outros recursos importantes para sustentar sua economia, que sofre há anos com sanções internacionais relacionadas ao programa nuclear norte-coreano.

Para Pequim, reconstruir a influência sobre Pyongyang é essencial para evitar que o país se aproxime demais da órbita russa. Ao ampliar o comércio, investir em infraestrutura e reabrir canais de transporte, a China busca manter a Coreia do Norte economicamente dependente de seu vizinho mais poderoso.

Os números recentes do comércio bilateral indicam que esse processo já está em andamento. Dados mostram que as exportações chinesas para a Coreia do Norte chegaram a cerca de US$ 2,3 bilhões no ano passado: o maior nível em seis anos e um aumento de cerca de 25% em relação ao período anterior.

Grande parte das exportações norte-coreanas para a China envolve produtos que exigem mão de obra intensiva. Esses produtos se tornaram uma importante fonte de renda para Pyongyang, enquanto empresas chinesas se beneficiam do acesso a mão de obra extremamente barata.

Além disso, a China também ampliou a compra de minerais estratégicos norte-coreanos, como tungstênio e molibdênio, matérias-primas importantes para indústrias de alta tecnologia e aplicações militares.

A reaproximação entre os dois países também tem uma dimensão política evidente. Em setembro, Kim Jong-un participou de um desfile militar em Pequim que marcou os 80 anos da vitória sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial. A visita incluiu reuniões com autoridades chinesas e foi seguida, semanas depois, por uma viagem do primeiro-ministro chinês Li Qiang a Pyongyang.

O fortalecimento desses laços ocorre em um momento delicado do cenário internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a sinalizar interesse em retomar negociações com Kim Jong-un, algo que não ocorre desde as cúpulas realizadas entre 2018 e 2019.

Para especialistas, a estratégia de Pequim é garantir que qualquer eventual diálogo entre Washington e Pyongyang passe inevitavelmente pela influência chinesa.

Ao mesmo tempo, Kim parece apostar em uma política de diversificação de aliados. Ao manter relações próximas com China e Rússia enquanto confronta os Estados Unidos, o líder norte-coreano amplia seu espaço de manobra diplomática e reduz a pressão internacional sobre seu regime.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.