Por que a maior aposta do Exército dos EUA em IA é a burocracia, não robôs assassinos
Processos manuais incomodam membros da corporação há décadas
Internacional|Do R7
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Nada de armas autônomas. A maior aposta do Exército dos Estados Unidos na inteligência artificial está no uso da tecnologia para automatizar tarefas administrativas e burocráticas.
A chegada de novas ferramentas tem levado especialistas em logística e tecnologia a testar soluções para modernizar o funcionamento das tropas americanas. Processos manuais, como o de manutenção de equipamentos e controle de estoques, incomodam membros da corporação há décadas.
“A inteligência artificial é apenas a ponta do iceberg, e o resto está submerso para fazer o Exército funcionar”, disse David Markowitz, diretor de dados e análise do Exército, ao site Business Insider.
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Ainda não está claro quais iniciativas serão implementadas em toda a corporação, mas progressos podem ocorrer em atividades mais operacionais e que envolvem um grande número de pessoas.
Em um escritório visitado pelo Business Insider no estado da Virgínia, por exemplo, soldados vêm se reunindo com engenheiros civis para testar e aprimorar um novo sistema que, se implementado, poderá simplificar o trabalho dos recrutadores.
Os profissionais precisam inserir manualmente as informações de cada candidato usando um sistema que não tem a interface intuitiva. Hoje, a função é considerada uma das mais exaustivas e associada ao risco de síndrome de burnout.
As isenções de recrutas, seja por condicionamento físico, desempenho em testes ou questões judiciais, representam outro entrave que o Exército avalia que a inteligência artificial pode ajudar a simplificar.
Há um ano, o serviço analisou o quanto de “trabalho árduo” envolve o alistamento de um jovem, disse Alex Miller, que atua como diretor de tecnologia do Exército, ao Business Insider.
“Descobrimos que havia milhares de informações individuais que eles precisavam fornecer, e a maioria delas era repetitiva”, disse. Horas são consumidas por tarefas simples como copiar nomes e endereços à mão.
Os testes iniciais do sistema já estão em andamento com um grupo reduzido de recrutadores, que encaminham feedback aos desenvolvedores quase em tempo real. Segundo Miller, a fase de testes já permitiu uma redução drástica dos formulários administrativos, de centenas para menos de dez.
Otimização da manutenção
Transformações também podem estar a caminho para as tropas que garantem o funcionamento dos equipamentos do Exército.
Segundo Richard Martin, diretor de logística da cadeia de suprimentos do Comando de Material do Exército, o serviço está “prestes” a permitir que soldados consultem dados de manutenção e prontidão em toda a força por meio de comandos simples.
A funcionalidade pode reduzir o tempo necessário para responder a algumas das principais questões enfrentadas pelos líderes do Exército. Martin exemplificou com o seguinte exemplo ao Business Insider: “Quantas aeronaves dessa frota devem ser reformadas nos próximos três anos para elevar a disponibilidade operacional em 15%?”.
Segundo ele, em poucos meses, os líderes poderão inserir esse tipo de questionamento e receber recomendações baseadas em dados. As informações irão orientar o planejamento, o orçamento e as decisões de modernização, trazendo mais previsibilidade para os profissionais de logística.
Atualmente, filtrar informações úteis é quase impossível, sendo que grande parte dos dados de logística ainda é administrada por meio de planilhas.
A implementação do sistema também poderia sinalizar os equipamentos individuais mais problemáticos do Exército, como alguns tanques que consomem milhões em custos de reparo. “Este é o poder do que estamos construindo”, disse Martin. “Ainda não chegamos lá”, reconheceu. “Mas agora estamos em uma posição em que temos a capacidade de fazer essas perguntas.”
Revisão do inventário
A IA ainda pode poupar aos soldados horas do trabalho mais tedioso que realizam: inventariar equipamentos, verificando visualmente os números de série de todos os itens, desde rifles até caminhões.
O método tradicional, em papel, ainda se mantém. A inspeção leva dias durante as verificações mensais ou trimestrais.
“Imagine não precisar verificar manualmente o número de série de cada fuzil, mas sim abrir uma porta, fazer uma leitura por RFID e saber que cada fuzil está em seu devido lugar”, disse Martin ao Business Insider.
Oficiais do Exército admitem, no entanto, que não há garantia de que essas iniciativas funcionarão em todo o Exército. Em alguns casos, por exemplo, o tamanho reduzido de determinados equipamentos dificulta até mesmo a aplicação de códigos de barras.
Em outras áreas, a baixa qualidade dos dados dificulta a adoção das novas soluções e faz com que o excesso de ferramentas possa mais atrapalhar do que ajudar os usuários.
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