Por que países resistem em doar para o Conselho da Paz de Trump?
Pesquisador Lier Ferreira analisa proposta do presidente norte-americana e a situação de Gaza
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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O Conselho da Paz, fundado por Donald Trump em Davos, Suíça, em 22 de janeiro, definiu como primeiro objetivo uma missão difícil: garantir a reconstrução de Gaza. Um projeto que, segundo especialistas, levaria décadas e custaria em torno de R$ 380 bilhões para atingir as necessidades locais. Uma quantia que dificilmente o Conselho conseguirá acumular, especialmente com o afastamento de potenciais doadores.
São países que expressam preocupação com o plano, uma vez que divergências sobre o desarmamento do Hamas podem levar Israel a retomar uma guerra em grande escala na região. A medida é uma exigência do plano norte-americano para o cessar-fogo. O texto também prevê a retirada de tropas israelenses à medida que o Hamas entrega as armas. A situação no território, entretanto, está longe de ser pacífica, como avalia o pesquisador do núcleo de estudos dos países Brics da UFF (Universidade Federal Fluminense), Lier Ferreira.

“O governo israelense está controlando Gaza [...] um ataque feito por Israel na faixa de Gaza acaba de matar mais de 20 pessoas, inclusive quatro crianças”, ele lembra no Conexão Record News desta quarta (4). Na análise dele, ataques como esse servem para a potência dominante forçar termos de negociação mais favoráveis aos próprios interesses. Ele aponta que outra estratégia empregada por Israel foi fechar a Passagem de Rafah, o que impossibilita a imigração de Gaza ao Egito e impede o transporte de equipes de ajuda humanitária.
Além das tensões com o país opositor, outro ponto de divergência dentro do Conselho da Paz é que, segundo autoridades ouvidas pela agência de notícias Reuters, alguns representantes exigem que os recursos doados sejam administrados pela ONU (Organização Mundial das Nações Unidas). O especialista não se surpreende. “Essa proposta do Trump não faz sentido [...] Ninguém embarcou nessa canoa por um motivo muito simples, é uma canoa furada”.
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Ferreira critica a falta de profundidade nos projetos do norte-americano, que não considera as questões históricas, religiosas, sociais ou culturais da região. O entrevistado alfineta: “Não dá para administrar um território de Gaza como se fosse uma empresa privada de propriedade do Donald Trump”.
O pesquisador considera o trabalho da ONU fundamental para manter a ordem na política global e, mesmo reconhecendo as falhas existentes, afirma que nenhum conselho que exista paralelamente a ONU possa garantir as necessidades urgentes de Gaza. “Trump, na verdade, quer esvaziar as Nações Unidas e desmontar toda a estrutura multilateral de negociação que é precária e limitada, mas que também é um dos melhores instrumentos do mundo para construir um diálogo entre diferentes países”.
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