Por que radares chineses foram de pouca ajuda em ataque dos EUA contra a Venezuela
Das 150 aeronaves e quase 200 tropas envolvidas na missão, apenas um helicóptero foi atacado, mas permaneceu operacional
Internacional|Do R7
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O Exército da Venezuela contava com radares antiaéreos fabricados na China quando os EUA realizaram o ataque aéreo surpresa contra o país para capturar o agora ex-líder Nicolás Maduro, no início do ano, mas os equipamentos militares foram pouco efetivos frente a ofensiva estadunidense em solo venezuelano.
Oficiais dos EUA afirmaram que nenhuma aeronave ou pessoal militar americano foi perdido durante o ataque à Venezuela. Das 150 aeronaves e quase 200 tropas americanas envolvidas na missão, apenas um helicóptero foi atacado, supostamente por tiros de metralhadora, mas permaneceu operacional. Para além do sucesso da missão norte-americana, o fracasso das forças de defesa da Venezuela chamou atenção.
O país possui vários radares móveis JY-27A da China, anunciados por Pequim como sistemas de primeira linha. Segundo os chineses, os radares seriam capazes inclusive de detectar aeronaves furtivas, como os modelos americanos F-22 e F-35, a mais de 277 km.
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No entanto, o sucesso do ataque surpresa dos EUA no centro de Caracas, parte de uma missão maior que envolveu não apenas poder aéreo furtivo, mas também aeronaves mais antigas de quarta geração e helicópteros, sugere que algo não saiu conforme o planejado na defesa, o que pode estar mais relacionado aos operadores do que à tecnologia em si.
Após o ataque, um repórter japonês perguntou a um porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China o que Pequim pensava sobre o “grande número de equipamentos militares” vendidos à Venezuela, aparentemente sendo “de pouca utilidade prática”. O porta-voz chinês respondeu apenas condenando o ataque dos EUA.
O JY-27A é um radar de longo alcance utilizado para detectar e rastrear aeronaves hostis em espaço aéreo protegido. Introduzido em 2014, o sistema de radar consiste em um mastro com múltiplos painéis de antena suportados por veículos de radar e controle separados. Fontes chinesas afirmam que ele possui recursos projetados para reduzir o bloqueio. Uma versão mais nova, o JY-27V, já foi desenvolvida.
Quando a Venezuela adquiriu os JY-27A da China no ano passado, houve alegações de que os radares eram capazes de travar em múltiplos jatos de combate F-35B na costa venezuelana, apresentando um desafio potencial ao exército dos EUA. No entanto, a chave para a defesa aérea é como a rede funciona em conjunto, e a eficácia do operador é vital.
“O que realmente importa é no momento de um conflito. Talvez eles não conseguissem resistir a ataques sofisticados de espectro eletromagnético, ou talvez tenham sido mal utilizados por seus operadores. De qualquer forma, se não foram eficazes, foram de pouca utilidade para a defesa aérea”, disse Michael Sobolik, um pesquisador sênior do Hudson Institute, ao Business Insider.
Segundo lideranças do exército americano, as defesas aéreas venezuelanas contavam também com uma variedade de sistemas fabricados na Rússia, como baterias S-300VM, sistemas Buk-M2 e lançadores de foguete S-125 Pechora-2M, além dos radares chineses.
Após a ofensiva dos Estados Unidos, o Secretário de Defesa Pete Hegseth zombou da eficácia das defesas aéreas russas, mas não mencionou os radares chineses no discurso.
Defesas aéreas em condição crítica
Um estudo do Miami Strategic Intelligence Institute, que abriga especialistas em América Latina, avaliou que as defesas aéreas da Venezuela estavam em condição crítica no ano passado.
O estudo afirmou que mais de 60% de sua frota de radares estava fora de operação, a aviação de combate não voa com frequência, e o país recebeu pouco suporte de manutenção e peças de reposição de seus exportadores.
A Venezuela comprou radares fabricados na China e baterias de mísseis superfície-ar russas para modernizar suas defesas aéreas, mas apenas o hardware não pode compensar as deficiências internas.
Uma análise do New York Times descobriu que parte do equipamento de defesa aérea da Venezuela estava armazenado ou não operacional, deixando-a despreparada para o ataque dos EUA. Relatos também indicaram que o exército venezuelano carecia de peças de reposição e do conhecimento técnico para manter os sistemas de defesa aérea em operação.
Mesmo que as falhas sejam por parte do exército venezuelano, a ineficácia do desempenho dos sistemas russos e chineses envia uma “mensagem bem grande”, disse Sobolik. Isso eleva a confiança nas capacidades dos EUA, enquanto levanta questões sobre as de seus rivais.
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