Português é indicado como novo secretário-geral da ONU
António Guterres conseguiu consenso no Conselho de Segurança
Internacional|Do R7

Tido como favorito na disputa, o ex-primeiro-ministro de Portugal António Guterres foi escolhido para suceder o sul-coreano Ban Ki-moon no cargo de secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em 2017.
Após meses de impasse, os membros do Conselho de Segurança chegaram a um acordo em torno do nome do português. Segundo o embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, haverá uma votação formal às 10h (horário de Nova York) desta quinta-feira (6), e ele espera uma vitória por "aclamação" de Guterres.
— Temos um favorito que emergiu claramente para o papel de próximo secretário-geral, e ele é António Guterres.
Até aqui, o que aconteceu foram apenas votações informais para testar a força de cada candidato. Na última delas, o português recebeu 13 votos positivos, quatro deles de membros permanentes do Conselho de Segurança, e duas abstenções.
Para ser escolhido, o postulante precisa de ao menos nove votos, desde que entre eles estejam os de China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.
Moscou vinha sendo o principal entrave nas negociações, já que cobrava a nomeação de um representante do leste europeu, de preferência mulher, como a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, da Bulgária.
Uma alternativa seria a comissária europeia para Orçamento e Recursos Humanos, a também búlgara Kristalina Georgieva, mas seu nome enfrentava resistência na Rússia por conta das sanções da União Europeia contra o país. No entanto, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança chegaram a um acordo para não impor obstáculos à indicação de Guterres.
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A escolha do português, que ainda precisará ser chancelada pela Assembleia Geral — algo que é mera formalidade —, é carregada de simbolismo, já que ele também foi chefe do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados). Guterres ficou no cargo até o início do ano, quando foi substituído pelo italiano Filippo Grandi.
A provável indicação do ex-premier se dá no momento em que o planeta enfrenta a mais grave crise migratória desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Apenas em 2016, mais de 302 mil pessoas já cruzaram os mares Mediterrâneo e Egeu rumo à Europa, e outras 3,5 mil morreram tentando.
Aos 67 anos, Guterres foi primeiro-ministro de Portugal entre 1995 e 2002 e secretário-geral do Partido Socialista entre 1992 e 2002.












