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Premiê do Canadá diz que guerra no Oriente Médio evidencia ruptura da ordem mundial

Mark Carney afirma que “as potências hegemônicas estão agindo cada vez mais sem restrições”

Internacional|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Mark Carney, premiê do Canadá, aponta que os ataques ao Irã refletem uma ruptura da ordem mundial.
  • Ele critica a ação de potências hegemônicas que desrespeitam normas internacionais, destacando a falta de aviso ao Canadá sobre os ataques.
  • Carney enfatiza o apoio do Canadá na prevenção da obtenção de armas nucleares pelo Irã, ressaltando as tensões diplomáticas entre os dois países.
  • O premiê propõe uma colaboração aumentada entre Canadá e Austrália em áreas como tecnologia e defesa, no contexto da desordem global.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá
Mark Carney diz que apoia esforços para impedir que o Irã obtenha arma nuclear Jennifer Gauthier/Reuters - 19.02.2026

O premiê do Canadá, Mark Carney, afirmou nesta quarta-feira (4) que os ataques contra o Irã, os quais ele apoia “com certo pesar”, representam um exemplo extremo de ruptura da ordem mundial.

Carney falou no Lowy Institute, centro de estudos de política internacional com sede em Sydney, Austrália, durante a etapa australiana de uma viagem a três países, focada em comércio, iniciada na Índia. Ele discursará no Parlamento do país na quinta-feira (5) e seguirá para o Japão na sexta (6).


“Geoestrategicamente, as potências hegemônicas estão agindo cada vez mais sem restrições ou respeito às normas e leis internacionais, enquanto outros arcam com as consequências. Agora, os extremos dessa desordem estão sendo vividos em tempo real no Oriente Médio”, disse Carney.

O primeiro-ministro canadense destacou que seu país não foi informado previamente sobre os ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel, que começaram em 28 de fevereiro.


“Não fomos informados com antecedência, não nos pediram para participar”, disse Carney a jornalistas que o acompanham na Austrália. “À primeira vista, parece que essas ações são incompatíveis com o direito internacional.” Segundo ele, caberia “a outros” julgar se os ataques dos EUA e de Israel violaram o direito internacional.

Relação com o Irã

Carney afirmou que o Canadá apoia esforços para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear e ameace a paz e a segurança internacionais. Os dois países não mantêm relações diplomáticas há 15 anos devido a denúncias de violações de direitos humanos no Irã. No ano passado, o Canadá classificou a Guarda Revolucionária Iraniana como entidade terrorista.


“Estamos enfrentando ativamente o mundo como ele é, não esperando passivamente por um mundo como gostaríamos que fosse. Mas adotamos essa posição com certo pesar, porque o conflito atual é mais um exemplo do fracasso da ordem internacional”, disse.

Apesar de décadas de esforços da ONU, “a ameaça nuclear do Irã permanece e agora Estados Unidos e Israel agiram sem envolver a ONU ou consultar aliados, incluindo o Canadá”, acrescentou.


Carney retomou temas apresentados em janeiro no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, em discurso que ganhou ampla repercussão. Ele argumentou que a ordem mundial passa por uma ruptura e que as antigas normas do sistema baseado em regras estão sendo apagadas.

Canadá e Austrália pretendem ampliar a cooperação em minerais críticos, inteligência artificial e tecnologias de defesa. Ambos os países são ricos em minerais críticos e trabalharam juntos para construir “a maior reserva mineral mantida por nações democráticas confiáveis”, disse Carney.

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