Presidente do Líbano diz que ouviu manifestantes mas não renunciará

Michel Aoun diz em entrevista que entende a revolta popular com a megaexplosão em Beirute, mas que não pode criar um "vácuo de poder"

Local onde aconteceu a explosão do dia 4, no porto de Beirute, Líbano

Local onde aconteceu a explosão do dia 4, no porto de Beirute, Líbano

Nabil Mounzer / EFE - EPA - 15.8.2020

O presidente do Líbano, Michel Aoun, garantiu, em entrevista veiculada neste sábado (15), que entendeu o descontentamento da população do país, palco de inúmeros protestos contra as autoridades locais após a megaexplosão no porto de Beirute e a crise econômica, mas que isso não o levará a renunciar ao cargo.

Leia também: Governo do Líbano renuncia, seis dias após megaexplosão em Beirute

"É impossível, porque isso levaria a um vazio de poder. Quem assumiria o poder?", indagou o chefe de Estado à equipe da emissora francesa de televisão "BFMTV".

Nesta semana, o primeiro-ministro libanês, Hasan Diab, renunciou ao cargo e dissolveu o governo, embora ele e os ministros se mantenham interinamente no cargo.

Aoun lembrou que, uma renúncia da presidência forçaria a convocação imediata de novas eleições, o que acredita ser impossível pela situação atual do país.

Crise profunda

A crise no Líbano se aprofundou depois da explosão, no último dia 4, de quase 3 mil toneladas de nitrato de amônio, que estavam armazenados no porto de Beirute, o que matou, pelo menos, 178 pessoas e deixou 300 mil desabrigados ou desalojados.

O chefe de Estado, durante a entrevista, se defendeu das críticas de não ter ido às ruas para encarar os protestos, argumentando que já visitou o epicentro da tragédia e que não poderia entrar no meio da população.

Aoun ainda garante não haver qualquer interferência da França nos assuntos internos do Líbano, apesar das fortes críticas de Emmanuel Macron contra a classe política do país asiático.

"Quando vem alguém e te estende a mão para ajudar, não é uma ingerência", disse o presidente, em referência ao auxílio do governo francês pós-tragédia.