Presidente paraguaio volta a defender "renegociação" do tratado de Itaipu
Internacional|Do R7
Assunção, 27 jun (EFE).- Após uma reunião com o economista americano Jeffrey Sachs, o presidente do Paraguai, Federico Franco, reiterou que deseja uma "urgente renegociação" do tratado de Itaipu, assinado com o Brasil e que expira somente em 2023. Franco voltou a reivindicar uma renegociação do tratado para a construção e uso da represa de Itaipu, assinado com o governo brasileiro em 1973, depois que Sachs o apresentou um relatório sobre a situação do setor energético no Paraguai, o qual foi realizado a pedido do próprio governo, informou a agência estatal "IP". A hidrelétrica de Itaipu, que começou a ser construída em 1974 e gerou energia pela primeira vez em maio de 1984, teve um custo de construção de US$ 17,4 bilhões, um número que se eleva a US$ 27 bilhões somando o capital social e as prorrogações financeiras. Segundo Sachs, os registros de Itaipu refletem uma dívida próxima aos US$ 20 bilhões, dos quais a metade seria correspondente ao Paraguai. O economista e professor da Universidade de Colúmbia opinou hoje que a dívida que o Paraguai tem com o Brasil pela hidrelétrica "carece de uma análise técnica mais detalhada", segundo um comunicado da Presidência. "Se o Paraguai tivesse recebendo o pagamento justo pela eletricidade produzida, assim como os juros adequados, teria cancelado sua dívida por Itaipu ou, pelo menos, a mesma seria muito mais baixa do que a atual", sustentou. "O tratamento com o Paraguai não foi igualitária", declarou Franco, que lembrou que seu governo estabeleceu como política de Estado "a necessidade de ir utilizando" a energia gerada pelas hidrelétricas de Itaipu e Yacyretá, compartilhada com a Argentina, para "gerar indústrias, mão de obra, valor agregado" no país. O Paraguai tem direito a 50% da energia produzida pelas represas, mas, devido a sua menor demanda e a falta de uma linha de distribuição eficiente, acaba cedendo a maior parte dela aos países vizinhos. No caso de Itaipu, o Paraguai recebe US$ 360 milhões anuais do Brasil pela energia cedida desde 2011, ano em que essa compensação foi triplicada. Sachs recomendou ao próximo Governo, que assumirá o país a partir de 15 de agosto com Horacio Cartes como presidente, realizar "um estudo de análise técnica cuidadosa, um que seja capaz de acompanhar a evolução desta dívida ano a ano, para determinar se os números coincidem com a realidade". De acordo com Franco, essa situação já foi abordada com autoridades brasileiras, que, segundo ele, também manifestou interesse na realização de um minucioso estudo sobre o tema. EFE sct/fk (foto)











