Prisão de Maduro alimenta obsessão de Kim Jong-un por armas nucleares; entenda
Queda de Maduro reforçou a percepção de vulnerabilidade entre regimes autoritários, avaliam especialistas
Internacional|Do R7
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A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no último sábado (3) passou a ocupar um lugar central no discurso do ditador norte-coreano, Kim Jong-un, para justificar a aceleração do programa nuclear de Pyongyang. Nos primeiros dias do ano, Kim Jong-un defendeu novos lançamentos de mísseis balísticos e hipersônicos e indicou que a operação americana na Venezuela reforça sua convicção de que apenas a dissuasão nuclear garante a sobrevivência de seu regime.
No dia seguinte à Operação Resolução Absoluta - que sequestrou Maduro e a primeira-dama venezuelana, Cilia Flores- a Coreia do Norte realizou o primeiro lançamento de míssil balístico de 2026.
Após o lançamento, a Agência Central de Notícias da Coreia informou que mísseis hipersônicos disparados da região de Ryepo, em Pyongyang, atingiram alvos-teste a cerca de mil quilômetros de distância no Mar do Leste.
Kim acompanhou o exercício e afirmou que as ações visam aprimorar gradualmente a dissuasão nuclear. Segundo ele, crises geopolíticas recentes e incidentes internacionais tornam essas medidas “necessárias”.
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Embora o regime não tenha citado explicitamente quais crises motivaram as declarações, especialistas apontam que o discurso de Kim se refere diretamente à ação militar dos Estados Unidos que resultou na deposição e prisão de Maduro.
Durante o exercício, Kim disse que é importante mostrar de forma contínua aos adversários a prontidão e a letalidade dos meios ofensivos estratégicos. Também afirmou que os esforços recentes para modernizar as forças nucleares do país já produziram resultados relevantes e que a atualização constante de sistemas de armas ofensivas é essencial para a autodefesa.
Os lançamentos ocorreram às vésperas da preparação do 9º Congresso do Partido dos Trabalhadores, previsto para este ano. Desde o fim de 2025, Kim tem intensificado demonstrações militares, recorrendo à retórica da dissuasão nuclear para sustentar o fortalecimento de mísseis e ogivas. Analistas veem nesse movimento uma tentativa de consolidar posições internas antes do encontro político mais importante do regime em cinco anos.
Especialistas sul-coreanos avaliam que a queda de Maduro reforçou a percepção de vulnerabilidade entre regimes autoritários que não possuem armas nucleares.
Os militares da Coreia do Sul acreditam que o míssil lançado no início de janeiro foi o Hwasong-11Ma, um míssil balístico de curto alcance equipado com um veículo planador hipersônico associado à ogiva do KN-23, versão norte-coreana do Iskander russo. Um armamento desse tipo poderia contornar sistemas de defesa antimísseis dos Estados Unidos e de seus aliados na região.
Além dos mísseis balísticos, Pyongyang tem testado mísseis de cruzeiro estratégicos de longo alcance, novos sistemas antiaéreos e divulgado imagens que sugerem avanços na construção de seu primeiro submarino de propulsão nuclear. Observadores acreditam que o regime pretende usar o congresso do Partido para exibir essas conquistas e possivelmente redefinir sua abordagem nas relações com Washington.
A Coreia do Norte criticou abertamente a operação americana contra Maduro, classificando-a como mais uma prova do que chamou de natureza brutal dos Estados Unidos. Para Kim Jong-un, o episódio reforça a ideia de que apenas um arsenal nuclear robusto pode impedir intervenções externas e garantir a permanência de seu regime.
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