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Proteína do sangue pode tornar cérebro temporariamente ‘transparente’, diz estudo

Método descrito em revista científica permite visualizar regiões profundas do cérebro sem interromper sua atividade normal

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Pesquisadores da Kyushu University desenvolveram uma técnica que usa albumina, uma proteína do sangue, para tornar o cérebro temporariamente transparente.
  • A técnica permite visualizar neurônios em regiões profundas do cérebro sem interromper sua atividade normal.
  • O método foi descrito na revista científica Nature Methods e pode ajudar a estudar funções cerebrais em tempo real.
  • A solução chamada SeeDB-Live torna a luz mais penetrante nas células cerebrais e é eliminada após algumas horas, retornando o tecido ao estado normal.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Proteína comum no sangue ajuda cientistas a enxergar neurônios no cérebro em tempo real Gerd Altmann/Pixabay

Uma proteína comum no sangue pode ajudar cientistas a desvendar segredos do funcionamento do mais importante órgão do corpo humano: o cérebro. Pesquisadores da Kyushu University, no Japão, desenvolveram uma técnica capaz de tornar o tecido cerebral temporariamente mais transparente, permitindo visualizar neurônios em regiões profundas sem interromper sua atividade normal.

A técnica foi descrita em um estudo publicado na revista científica Nature Methods. O método utiliza albumina, uma proteína abundante no sangue, para ajustar propriedades ópticas do tecido cerebral, permitindo que a luz penetre mais profundamente e revele estruturas antes difíceis de observar.


“Esta é a primeira vez que a transparência de tecidos é alcançada sem alterar sua biologia”, afirmou o pesquisador Takeshi Imai, professor da Faculdade de Ciências Médicas da universidade e autor sênior do estudo.

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Por que é difícil enxergar dentro do cérebro?

Grande parte das funções do cérebro, como memória, percepção e tomada de decisões, depende da comunicação entre neurônios localizados em camadas profundas. O problema é que o tecido cerebral não é transparente. Quando a luz atravessa o cérebro, ela se espalha ao encontrar diferentes estruturas celulares. Isso impede que cientistas observem com clareza o que acontece nas regiões mais internas do órgão.


Os pesquisadores explicam o fenômeno com uma comparação simples: bolinhas de vidro são fáceis de ver no ar, mas quase desaparecem quando mergulhadas em óleo. Isso acontece porque os dois materiais possuem índices de refração semelhantes, permitindo que a luz passe com menos distorção.

Descoberta inesperada

Cientistas usam proteína do sangue para deixar cérebro vivo temporariamente transparente Shigenori Inagaki e Takeshi Imai / Kyushu University

Para resolver esse problema, os cientistas buscaram uma substância capaz de ajustar as propriedades ópticas do tecido sem prejudicar as células. Após testar dezenas de compostos, a solução veio de algo surpreendentemente simples: a albumina.


A equipe criou uma solução chamada SeeDB-Live, que equilibra a forma como a luz se comporta dentro e fora das células cerebrais. “Eu testei três ou quatro vezes antes de acreditar”, contou o pesquisador Shigenori Inagaki, primeiro autor do estudo. “De todas as coisas possíveis, nunca imaginamos que a solução viria disso.”

Nos testes realizados pelos cientistas, fatias de cérebro de camundongos se tornaram transparentes cerca de uma hora após serem mergulhadas na solução. Isso permitiu observar a atividade de neurônios localizados em regiões profundas do tecido. Em cérebros de animais vivos, os sinais luminosos dessas células ficaram até três vezes mais brilhantes, facilitando a visualização das conexões neurais.


Outro ponto importante é que o efeito é temporário. Após algumas horas, a substância é eliminada e o tecido retorna ao estado normal.

Possíveis aplicações

Os pesquisadores acreditam que a técnica pode abrir novas possibilidades para estudar como o cérebro funciona em tempo real, permitindo acompanhar a atividade de circuitos neurais com muito mais profundidade.

A tecnologia também pode ser aplicada em organoides cerebrais, pequenos “mini-cérebros” cultivados em laboratório e usados em pesquisas sobre doenças neurológicas e no desenvolvimento de medicamentos.

Para Imai, a descoberta mostra que avanços científicos podem surgir de soluções inesperadas. “A albumina é abundante no sangue e altamente solúvel, o que a torna ideal para esse tipo de aplicação. Foi uma descoberta acidental, mas olhando para trás parece quase natural”, afirmou.

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