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Quem é Delcy Rodríguez, líder da Venezuela após a captura de Maduro?

Figura central do chavismo, vice-presidente assume o controle do país em meio à escalada de tensão com os Estados Unidos

Internacional|Mauricio Torres, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Delcy Rodríguez assume controle da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA.
  • Rodríguez convoca a unidade dos venezuelanos e critica a operação dos Estados Unidos como uma violação da soberania.
  • Ela possui uma longa história no chavismo e ocupou diversos cargos de poder ao longo dos anos.
  • Rodríguez reafirma que Maduro permanece no comando do país, desconsiderando possíveis concessões aos EUA.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Delcy Rodríguez ascendeu ao cargo após captura de Nicolás Maduro Leonardo Fernandez Viloria/Reuters - 10.03.2025

Após a captura do presidente Nicolás Maduro durante uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, o comando do país sul-americano passou para as mãos da vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez.

É isso que a Constituição da Venezuela estabelece em seus diferentes cenários que preveem a ausência de um presidente. De acordo com os artigos 233 e 234, seja a ausência temporária ou absoluta, o vice-presidente assume as funções presidenciais.


Rodríguez — que também é ministra das Finanças e do Petróleo — assumiu o cargo na tarde de sábado (3). Horas após a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, ela presidiu uma sessão do Conselho de Defesa Nacional, cercada por outros ministros e altos funcionários, e exigiu a “libertação imediata” do casal, ao mesmo tempo em que condenou a operação militar dos Estados Unidos.

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Diante da bandeira venezuelana, Rodríguez disse que a operação realizada de madrugada representa uma flagrante violação do direito internacional e da soberania da Venezuela. Ela acrescentou que a ação deve ser rejeitada pelos venezuelanos e condenada por governos de toda a América Latina.


“Convocamos os povos da grande pátria a permanecerem unidos, porque o que foi feito com a Venezuela pode ser feito com qualquer um. Esse uso brutal da força para dobrar a vontade dos povos pode ser executado contra qualquer país”, disse ela ao conselho, em um discurso transmitido pelo canal estatal de televisão VTV.

Uma autoridade com a ‘plena confiança’ de Maduro

Rodríguez, de 56 anos, é de Caracas e estudou direito na Universidade Central da Venezuela. Ela passou mais de duas décadas como uma das principais figuras do chavismo, o movimento político fundado pelo presidente Hugo Chávez e liderado por Maduro desde a morte de Chávez, em 2013.


Ao lado de seu irmão Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional, ela ocupou vários cargos de poder desde a era Chávez. Atuou como ministra da Comunicação e Informação de 2013 a 2014 e, posteriormente, tornou-se ministra das Relações Exteriores de 2014 a 2017.

Nesse cargo, defendeu o governo Maduro contra críticas internacionais, incluindo acusações de retrocesso democrático e violações de direitos humanos no país.


Delcy Rodríguez também foi ministra da Comunicação e Informação
Rodríguez passou mais de duas décadas como uma das principais figuras do chavismo Divulgação/Presidência da Venzuela

Como ministra das Relações Exteriores, Rodríguez representou a Venezuela em fóruns como as Nações Unidas, onde acusou outros governos de tentar minar seu país.

Em 2017, Rodríguez tornou-se presidente da Assembleia Nacional Constituinte, que ampliou os poderes do governo após a oposição vencer as eleições legislativas de 2015. Em 2018, Maduro a nomeou vice-presidente para seu segundo mandato.

Ela manteve o cargo durante seu terceiro mandato presidencial, iniciado em 10 de janeiro de 2025, após as controversas eleições de 28 de julho de 2024. Até a captura do presidente, ela atuava como a principal autoridade econômica da Venezuela e ministra do Petróleo.

A oposição venezuelana sustenta que as eleições de 2024 foram fraudulentas e que Maduro não é um presidente legitimamente eleito. Eles insistem que o verdadeiro vencedor foi o ex-embaixador Edmundo González Urrutia, posição apoiada por alguns governos da região.

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José Manuel Romano, advogado constitucionalista e analista político, disse à CNN Internacional que os cargos ocupados por Rodríguez mostram que ela é uma figura “muito proeminente” dentro do governo venezuelano e alguém que goza da “plena confiança” do presidente.

“A vice-presidente executiva da República é uma operadora altamente eficaz, uma mulher com fortes habilidades de liderança para gerenciar equipes”, disse Romano.

“Ela é muito orientada a resultados e tem influência significativa sobre todo o aparato governamental, incluindo o Ministério da Defesa. Isso é muito importante de se observar nas circunstâncias atuais”, acrescentou.

No caminho para um entendimento com os EUA?

Horas após a captura de Maduro, e antes de Rodríguez se dirigir ao Conselho de Defesa Nacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em uma coletiva de imprensa que o secretário de Estado, Marco Rubio, havia conversado com a vice-presidente. Segundo Trump, ela parecia disposta a trabalhar com Washington em uma nova fase para a Venezuela.

“Ela teve uma conversa com o Marco. Ela disse: ‘Vamos fazer o que for necessário’. Acho que ela foi bastante cordial. Vamos fazer isso da maneira certa”, disse Trump.

As declarações de Trump, no entanto, surpreenderam alguns analistas, que acreditam que Rodríguez dificilmente fará concessões aos Estados Unidos. “Ela não é uma alternativa moderada a Maduro. Ela tem sido uma das figuras mais poderosas e de linha-dura de todo o sistema”, disse à CNN Internacional Imdat Oner, analista de políticas do Instituto Jack D. Gordon e ex-diplomata turco baseado na Venezuela.

“A ascensão dela ao poder parece ser o resultado de algum tipo de entendimento entre os Estados Unidos e atores-chave que se preparam para um cenário pós-Maduro. Nesse contexto, ela essencialmente atuaria como uma espécie de zeladora até que um líder democraticamente eleito assuma o cargo”, acrescentou o analista.

Em suas primeiras mensagens após a captura de Maduro, Rodríguez não mostrou sinais de recuo e, sem fazer referência às declarações de Trump, fechou a porta para qualquer cooperação potencial com os Estados Unidos.

Mais cedo, pela manhã, durante uma entrevista por telefone à VTV, Rodríguez disse que o paradeiro de Maduro e Flores era desconhecido e exigiu provas de que eles estivessem vivos. Mais tarde, à tarde, durante a sessão do Conselho de Defesa Nacional, ela elevou o tom, condenou a operação dos Estados Unidos e, apesar das circunstâncias, insistiu que Maduro continua no comando da Venezuela.

“Há apenas um presidente neste país, e o nome dele é Nicolás Maduro Moros”, disse Rodríguez — agora, pela força dos acontecimentos, o rosto mais visível do governo.

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