Quem é Narges Mohammadi, Nobel da Paz condenada a mais 7 anos de prisão no Irã
Símbolo da resistência feminina no país, ativista recebeu o prêmio em 2023, quando já cumpria pena por lutar contra a opressão no país
Internacional|Do R7
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Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, em 2023, voltou ao centro do noticiário internacional após ser condenada a mais sete anos de prisão pelo regime iraniano após ela iniciar uma greve de fome. A ativista de direitos humanos já cumpre pena na prisão de Evin, em Teerã, e é considerada uma das principais vozes de oposição às políticas repressivas do país, especialmente contra mulheres.
Aos 51 anos, Mohammadi ganhou o Nobel da Paz em 2023 em reconhecimento à sua luta contra a opressão feminina no Irã e às violações sistemáticas de direitos humanos promovidas pelo regime teocrático. À época do anúncio do prêmio, ela já estava presa e não pôde participar da cerimônia em Oslo.
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Mohammadi estava cumprindo 13 anos e nove meses de prisão por conspiração contra a segurança do Estado e propaganda contra o governo do Irã. Ela também apoiou os protestos nacionais desencadeados pela morte de Mahsa Amini em 2022, nos quais mulheres desafiaram abertamente o governo ao não usar o hijab.
A ganhadora do Nobel sofreu vários ataques cardíacos enquanto estava presa, antes de ser submetida a uma cirurgia de emergência em 2022, segundo seus apoiadores. Seu advogado revelou no final de 2024 que os médicos haviam encontrado uma lesão óssea que temiam ser cancerosa, que mais tarde foi removida.
Os apoiadores vinham alertando há meses, antes de sua prisão em dezembro, que Mohammadi corria o risco de ser colocada de volta na prisão depois de receber uma licença em dezembro de 2024 por motivos médicos.
Símbolo da resistência feminina no Irã
Vice-líder do Centro de Defensores dos Direitos Humanos, organização fundada pela também Nobel da Paz Shirin Ebadi, Mohammadi se tornou um símbolo da resistência feminina no Irã. Sua atuação ganhou ainda mais visibilidade durante os protestos iniciados em 2022, após a morte de Mahsa Amini sob custódia policial.
Segundo o Comitê Nobel, a militância de Narges teve um “tremendo custo pessoal”. Na cerimônia de anúncio do prêmio, a presidente da instituição, Berit Reiss-Andersen, destacou o lema “mulher, vida, liberdade”, associado às manifestações que tomaram as ruas iranianas e foram duramente reprimidas.
Prisão e abusos
Ao longo de sua trajetória, Mohammadi foi detida 13 vezes, condenada cinco vezes e sentenciada, ao todo, a 31 anos de prisão, além de 154 chicotadas, punição nunca oficialmente confirmada. Mesmo presa, ela continuou denunciando abusos cometidos dentro do sistema prisional iraniano.
Em cartas escritas da prisão e entrevistas concedidas por meio de intermediários, a ativista relatou episódios de violência física e sexual contra mulheres detidas durante os protestos. Segundo ela, os abusos se intensificaram após as manifestações em massa que desafiaram diretamente o regime.
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