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Quem é quem na estrutura de poder na Venezuela, além de Maduro?

Conheça os líderes que sustentam o governo Maduro diante de desafios internos e externos

Internacional|German Padinger e Gonzalo Zegarra, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O chavismo domina a política da Venezuela há 25 anos, começando com Hugo Chávez e continuando com Nicolás Maduro.
  • A gestão de Maduro enfrente uma grave crise econômica e social, exacerbada por conflitos com a oposição e sanções internacionais.
  • Washington acusa o governo venezuelano de vínculos com o narcoterrorismo, designando o Cartel de los Soles como organização terrorista.
  • Figuras-chave do chavismo, como Diosdado Cabello e Delcy Rodríguez, mantêm posições de poder, enquanto a oposição luta para ser reconhecida e respeitada.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Maduro assumiu como presidente da Venezuela após a morte de Hugo Chávez Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nos últimos 25 anos, o poder na Venezuela esteve nas mãos de uma única força política: o chavismo, um movimento que vive hoje um de seus capítulos mais incertos diante da crescente mobilização militar dos Estados Unidos no Caribe e ao qual Washington acusa de estar corrompido pelo Cartel de los Soles, organização que acaba de designar como terrorista.

Representados no início pelo MVR (Movimento V República) e depois pelo PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), os seguidores do falecido Hugo Chávez, cujo herdeiro é o sancionado presidente Nicolás Maduro — cujo governo nega qualquer vínculo com o narcotráfico —, exerceram um controle quase total sobre o Estado venezuelano, enfrentando em muitas ocasiões seus opositores com violência.


Chávez chegou ao poder após vencer as eleições de 1999 e se consolidou ao sobreviver a uma tentativa de golpe de Estado em 2002 (o próprio Chávez havia protagonizado outra tentativa fracassada de golpe em 1992).

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Sua popularidade não parou de crescer na década seguinte, que coincidiu com a implementação do “Socialismo do Século XXI”, uma série de políticas públicas orientadas para a redistribuição de renda, permitidas pelos altos preços do petróleo, a principal exportação da Venezuela.


Chávez morreu de câncer em 2013 e foi sucedido por Nicolás Maduro, que ainda é o presidente da Venezuela.

Embora já houvesse registros de protestos, a chegada de Maduro iniciou uma longa etapa de conflito social, de choques entre governo e oposição, de acusações de violação de direitos humanos por parte do governo e de profunda crise econômica — caracterizada por uma altíssima inflação.


A primeira consequência desta dura etapa na história venezuelana foi o êxodo: de acordo com dados da ONU (Organização das Nações Unidas), 7,9 milhões de pessoas (em um país de 27 milhões, segundo o último censo de 2011) abandonaram a Venezuela durante o chavismo e especialmente após a chegada de Maduro ao poder.

Em contraste com o poder concentrado e a popularidade de Chávez, Maduro, fortemente resistido por uma parte da população, e em meio a um estado constante de crise econômica e política, teve que compartilhar o poder.


Esta é uma radiografia dos líderes do chavismo, enfrentados agora àquela que é talvez sua crise mais importante: a escalada de tensões militares no Caribe com os Estados Unidos, que acusa o governo da Venezuela de estar cooptado pelo narcoterrorismo, o que Caracas rejeita completamente.

Nos inícios da carreira política de Chávez, Maduro estava lá: fez campanha pela libertação de seu líder, preso após a fracassada tentativa de golpe de Estado em 1992, e depois o ajudou a fundar o Movimento V República.

Em 1999 obteve seu primeiro cargo político ao ser eleito para a Assembleia Nacional Constituinte, que reformou a Constituição, e depois como deputado na Assembleia Nacional.

Antigo motorista de ônibus e membro do sindicato de Trânsito, Maduro avançou rapidamente nas fileiras chavistas demonstrando sua lealdade a Chávez: foi ministro das Relações Exteriores em 2006 e, em 2012, vice-presidente da Venezuela.

Um Chávez debilitado pelo câncer o escolheu como sucessor em 2012, e Maduro assumiu o cargo de presidente, de forma interina, em 2013 após a morte do fundador do chavismo.

Um mês depois, venceu as eleições presidenciais derrotando por pequena margem o líder opositor Henrique Capriles, dando início a uma presidência que continua até hoje.

Maduro foi sancionado pelos EUA (Estados Unidos) em 2017 e em 2020, durante o primeiro governo de Donald Trump, foi acusado de narcoterrorismo e corrupção como suposto líder do Cartel de los Soles, o que o presidente da Venezuela rejeita energicamente. Caracas, de fato, nega que o Cartel de los Soles exista.

Por conta da acusação, os EUA ofereceram em 2020 uma recompensa de US$ 15 milhões (R$ 91,5 milhões) pela sua captura, que passou a US$ 25 milhões (R$ 152,5 milhões) durante o governo de Biden, em 2024, e para US$ 50 milhões (R$ 305 milhões) em agosto.

Na segunda-feira (24), os EUA foram ainda mais longe ao designar o Cartel de los Soles como organização terrorista, com Maduro à frente, o que poderia abrir para Trump uma ampla autoridade para atuar com meios militares na Venezuela.

Sua esposa, Cilia Flores, também foi sancionada pelos EUA e Canadá. Embora tenha diminuído o perfil após a ascensão de Maduro à presidência, Flores também tem uma longa carreira política e é um dos perfis chave do chavismo.

A advogada foi eleita deputada em 2000 e em 2005, e segunda vice-presidente do PSUV entre 2009 e 2011, mas seu cargo mais importante, procuradora-geral, chegou em 2012 e graças a Chávez.

“Ela tem todo um trabalho político. Quando chega a primeira-dama, passa a um segundo plano. Mas para muitos, é o poder por trás do trono ou uma assessora de primeira linha”, disse à CNN Internacional Carmen Arteaga, doutora em Ciência Política e professora associada da Universidade Simón Bolívar.

Considerado por muitos como o “número 2” do chavismo, Diosdado Cabello tem sido um dos homens mais influentes do chavismo e foi visto, junto a Maduro, ladeando Chávez em sua última aparição pública em 2012.

Cabello é, de fato, um dos poucos políticos próximos a Chávez desde o começo, além de Maduro e Vladimir Padrino, ministro da Defesa, que tem agora um posto chave no gabinete.

De acordo com o Provea (Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos), Cabello se dedicou durante anos à “confrontação e perseguição contra os e as defensoras de direitos humanos”, e tem “obrigado a diminuir o perfil público e tomar todo tipo de cuidados para a maioria das organizações”.

Cabello, de origem militar, não se pronunciou sobre este relatório, embora tenha criticado o Provea no passado.

Atualmente, Cabello é ministro do Interior, Justiça e Paz, um cargo de perfil consideravelmente maior ao que teve nos 25 anos de chavismo, onde ao mesmo tempo se caracterizou por sua lealdade e por seu programa de televisão “Con el mazo dando”, no qual durante horas ataca políticos da oposição, conta piadas e promove a postura do governo.

Foi sancionado pelo Tesouro dos EUA em 2018, e desde 2020 pesa também uma recompensa por sua captura imposta pelo Departamento de Estado e que chega a US$ 25 milhões (R$ 152,5 milhões, cotação atual).

A FANB (Força Armada Nacional Bolivariana), uma das instituições mais importantes na Venezuela, tem um único líder desde 2014 e esse é Vladimir Padrino López.

Em um movimento como o chavismo, fundado por um militar de carreira como Hugo Chávez, isso não é pouco: Padrino foi inclusive aluno do falecido presidente na Academia Militar e demonstrou sua lealdade em 2002, quando Chávez sofreu uma tentativa de golpe de Estado e Padrino se recusou a se levantar junto à sua unidade militar contra o presidente.

Para Murillo, Padrino “é um componente essencial da cúpula governante” e “sem seu apoio, o projeto balançaria muito mais”.

De acordo com o coordenador do Provea, a oposição tinha a expectativa de que Padrino reconhecesse o triunfo eleitoral da oposição em 2024, nas quais o governo assegurou, em contrapartida, ter vencido sem nunca ter apresentado as atas.

Mas Padrino não o fez. “O que termina se posicionando no entorno militar é o medo do passo seguinte a uma mudança política”, considerou Murillo, em referência às acusações contra ele.

Padrino foi sancionado pelo Tesouro dos EUA em 2019, e nesse mesmo ano foi acusado de tráfico de cocaína em uma corte norte-americana (há uma recompensa de US$ 15 milhões sobre sua captura).

O ministro da Defesa rejeita as acusações contra ele e disse que tudo é uma “farsa grosseira”.

Delcy Rodríguez é a vice-presidente da Venezuela e ao mesmo tempo ministra do Petróleo, sendo também um dos personagens mais fortes do chavismo e tendo ocupado cargos desde a época de Chávez.

Em novembro de 2024, Maduro disse, entre risos, que Delcy Rodríguez seria também “reitora da economia produtiva e de qualidade da Venezuela”, um novo cargo criado depois que Trump anunciou que Elon Musk teria um posto em seu novo governo.

“Assim como Trump criou um cargo lá para uma pessoa nos Estados Unidos, eu, seguindo o exemplo de Trump, vou criar um novo cargo aqui: reitora da eficiência econômica, reitora da qualidade e da produção, gosta do cargo? A reitora. Bom, está bem. Aprovado, então”, disse Maduro. “Não terá satélites no espaço, mas tem cérebro, compadre, que é o que faz falta”, acrescentou.

O irmão de Delcy, Jorge Rodríguez, é presidente da Assembleia Nacional e tem sido fundamental em impulsionar os projetos de leis mais duros do governo da Venezuela.

De acordo com um relatório da Missão Internacional Independiente de Determinação dos Fatos sobre a Venezuela da ONU, a Assembleia Nacional presidida por Rodríguez tem sido “instrumental na aprovação de novas leis restritivas do espaço cívico e democrático sem que haja um debate genuíno e democrático”.

Os irmãos Rodríguez foram sancionados pelo Tesouro dos EUA em 2018, e Delcy Rodríguez também foi sancionada pela União Europeia nesse mesmo ano, após as questionadas eleições presidenciais em que Maduro venceu.

Tarek William Saab tem uma longa carreira no governismo como deputado, constituinte, governador e defensor do povo.

Chegou a liderar o Ministério Público em 2017, em substituição a Luisa Ortega Díaz.

Oscar Murillo, coordenador geral do Provea, disse à CNN Internacional que Saab “acompanhou o processo revolucionário de (Hugo) Chávez”, mas que seu trabalho como fiscal geral não tem sido em apoio às vítimas. “(Na Venezuela) existe medo e terror em denunciar, e isso fala mal da Procuradoria”, disse Murillo.

Em uma entrevista à CNN Internacional, Saab defendeu, por outro lado, sua gestão e disse que ele mesmo, como titular da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Constituinte de 1999, escreveu o título sobre garantias constitucionais.

Saab foi sancionado em 2017.

A Milícia Bolivariana, fundada por Chávez em 2008, ficou no centro das tensões recentes entre EUA e Venezuela depois que Maduro anunciou uma mobilização massiva em todo o país desta força irregular cujas capacidades reais são uma incógnita.

Seu comandante desde 2023 é Elio Estrada, até esse momento chefe da Polícia Nacional, um homem sancionado em setembro pelos EUA por seu papel na detenção de opositores durante os protestos posteriores às eleições de 2024.

Estrada também é investigado desde 2019 por um painel de especialistas para a ONU por supostas violações aos direitos humanos.

Alexander Granko, chefe da Direção de Assuntos Especiais da DGCIM (Direção Geral de Contrainteligência Militar), é também investigado pelo mesmo painel de especialistas da ONU e foi sancionado pelos EUA em 2019 por “abusos sistêmicos dos direitos humanos e repressão da dissidência”.

A DGCIM é, junto ao SEBIN (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional), um dos “pilares perduráveis da repressão” na Venezuela, de acordo com um relatório da organização norte-americana Robert F. Kennedy Human Rights e da organização venezuelana Foro Penal, responsáveis por desaparecimentos forçados que são parte de uma “estratégia do governo para mostrar poder”.

Enquanto isso, um relatório da Missão de Determinação dos Fatos criada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas aponta que “o SEBIN e a DGCIM foram parte de uma maquinaria projetada e implantada para executar o plano do governo para reprimir a dissidência e cimentar seu próprio controle do poder”.

Antigo ministro da Agricultura em 2013, Yvan Gil chegou a liderar o Ministério do Poder Popular para Relações Exteriores em 2023 e desde então tem liderado a chancelaria com uma lealdade total ao governo.

Depois das eleições de 2024, que não foram reconhecidas por boa parte do mundo, Gil defendeu Maduro e seu governo e acusou a oposição de golpistas.

E, na crise atual, insistiu em assegurar que o Trem de Aragua, uma das organizações declaradas terroristas pelos EUA, é “uma ficção”.

O CNE (Conselho Nacional Eleitoral) e o TSJ (Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela) têm sido instituições chave para cimentar o poder de Maduro em meio a crescentes acusações de violações de direitos humanos e fraudes eleitorais.

Seus respectivos líderes, Elvis Amoroso e Caryslía Rodríguez, mostraram-se assim como pilares do chavismo.

Rodríguez, advogada ligada ao PSUV, preside o TSJ desde janeiro e liderou esforços recentes para anular as eleições primárias nas quais foi eleita a opositora — e desde outubro Prêmio Nobel da Paz — María Corina Machado, posteriormente inabilitada e agora na clandestinidade.

O Tesouro dos EUA a sancionou em 2024.

Enquanto isso, Amoroso, figura leal ao governo que foi sancionado em 2017, foi quem proclamou a vitória de Maduro nas eleições de 2024 sem apresentar até a data nenhum documento comprobatório.

Chegou a dirigir o CNE em 2023. Antes disso, foi deputado e vice-presidente da Assembleia Nacional Constituinte, criada pelo chavismo em 2017 depois que o TSJ declarou em desacato a Assembleia Nacional, controlada pela oposição.

Também, em seu papel de controlador, ditou a inabilitação do líder opositor Juan Guaidó, e posteriormente a de Machado.

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