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Quem é Vladimir Padrino López, o ministro da Defesa da Venezuela?

Principal nome militar do chavismo, ele emerge como pilar do regime após a captura de Maduro

Internacional|Stefano Pozzebon e Germán Padinger, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Vladimir Padrino López, ministro da Defesa da Venezuela, afirma que o país resistirá à presença de tropas estrangeiras após a captura de Maduro.
  • Ele é considerado pilar do regime chavista e garantidor da lealdade armada ao governo, apesar de acusações de abusos e envolvimento com narcotráfico.
  • Padrino, que foi comandante durante tentativas de golpe, mantém controle das Forças Armadas e é central na defesa da Venezuela contra intervenções externas.
  • Suas declarações e ações refletem a retórica chavista, mas sua posição é criticada por deserções e mal desempenho das tropas sob seu comando.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López (à direita na foto), ao lado de Maduro, durante exercício militar Palácio de Miraflores/Divulgação via Reuters – 27.1.2019

Em meio ao ataque dos Estados Unidos na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, afirmou que a Venezuela resistiria à presença de tropas estrangeiras no país. “Esta invasão representa a maior afronta que o país já sofreu”, declarou.

Padrino López acusou os EUA de atingirem, “com mísseis e foguetes” disparados de helicópteros de combate, populações civis nas localidades de Fuerte Tiuna, em Caracas, e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.


Vladimir Padrino López é o pilar militar do chavismo: garante a lealdade armada a Maduro, acusado de abusos e narcotráfico, mas que permaneceu firme no poder.

Todos os olhos estão voltados para ele após as ações dos Estados Unidos e a captura de Maduro.


“Maldito o soldado que aponte sua arma contra seu povo” é uma frase frequentemente atribuída ao Libertador Simón Bolívar e um refrão constante nas sucessivas ondas de protestos da oposição contra o governo chavista na Venezuela.

Desde pelo menos outubro de 2014, após o primeiro movimento massivo que desafiou Nicolás Maduro, em muitos lares opositores esse soldado passou a ter um rosto e um cargo definidos: o general-em-chefe da Força Armada, Vladimir Padrino López.


Trata-se de um dos homens de maior confiança do presidente da Venezuela e, como ministro da Defesa há mais de uma década, é a representação física da “união cívico-militar” tão exaltada pela retórica governamental.

Esse papel lhe custou amizades e o afeto até de parte de sua família, mas também garantiu a Padrino López rendimentos muito mais altos do que o salário médio de um militar — o salário mínimo é de cerca de US$ 3 por mês — segundo denúncias de agentes federais norte-americanos.


Eles o acusam de aceitar subornos de organizações de narcotráfico em troca de permitir que atravessassem livremente o espaço aéreo venezuelano. Padrino negou as acusações, que considera “infundadas” e “sem vergonha”.

Como líder dos quatro componentes da Força Armada Nacional Bolivariana — Exército, Marinha, Aviação e, crucialmente, a Guarda Nacional Bolivariana, responsável por conter a maioria dos protestos — Padrino garantiu a estabilidade e o apoio incondicional das tropas ao governo do Partido Socialista Unido da Venezuela.

Também teve papel central em neutralizar dezenas de supostas conspirações que Maduro afirmou ter enfrentado ao longo dos anos.

Vivendo em Caracas a vida toda, Padrino nasceu em 30 de maio de 1963, na paróquia de Santa Rosalía. A informação foi revelada em uma rara entrevista concedida em 2021, durante o auge da pandemia de Covid-19.

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Sempre avesso à imprensa, suas interações com jornalistas são raras. Ainda assim, em diversas ocasiões, dirigiu-se à nação para reafirmar sua lealdade ao projeto de governo de Hugo Chávez e, posteriormente, de Nicolás Maduro.

Segundo o próprio ministro, ele não tinha vocação militar quando jovem e só decidiu se candidatar à Academia Militar para acompanhar um amigo do ensino médio. “Meu colega não passou e eu passei. São coisas da vida”, contou.

Na Academia Militar, foi aluno de Hugo Chávez, que reavivou em Padrino o pensamento político socialista. Seu pai, comunista, havia lhe dado o nome de um dos revolucionários mais influentes do século 20: Vladimir, em referência a Vladimir Ilitch Ulianov, conhecido como Lênin, fundador da União Soviética.

Apesar dessa ligação, Chávez não envolveu Padrino na tentativa de golpe de 4 de fevereiro de 1992, mas manteve contato com ele por cartas enquanto esteve preso.

Desde então, Padrino se declarou chavista e passou a difundir essa doutrina nos quartéis. Nem mesmo um curso de infantaria avançada nos Estados Unidos, onde viveu por alguns meses em 1995, o afastou de seu propósito.

Segundo ele, a experiência lhe permitiu “conhecer o monstro por dentro” e compreender a cultura expansionista e colonialista norte-americana.

James Story, embaixador dos Estados Unidos na Venezuela entre 2018 e 2023, relatou que, apesar de profundas divergências, era possível manter conversas com Padrino durante as tentativas fracassadas de negociação entre Washington e Caracas.

Um dos momentos decisivos da carreira de Padrino ocorreu durante a tentativa de golpe de 2002, que retirou Chávez do poder por 48 horas.

Na época, como comandante de um batalhão de infantaria, ele se recusou a se levantar contra o presidente, ao contrário de outros militares, sendo fundamental para a sobrevivência política de Chávez.

Apesar disso, muitos venezuelanos só o conheceram em 5 de julho de 2012, quando comandou um desfile militar na presença de Chávez, poucos meses antes da morte do então presidente.

Na ocasião, já como general, declarou que ele e suas tropas eram “bolivarianos, socialistas, anti-imperialistas e revolucionários”, rompendo com a tradição de neutralidade política das Forças Armadas.

Em outubro de 2014, Padrino foi nomeado ministro da Defesa e, em 2016, assumiu também a chefia da Grande Missão Abastecimento Soberano, um órgão central durante a crise econômica e alimentar do país.

Desde então, manteve-se fiel ao chavismo e rejeitou abertamente a tentativa de Juan Guaidó de assumir a presidência em 2019, quando foi proclamado chefe de Estado pela Assembleia Nacional controlada pela oposição.

Em 2017, a Human Rights Watch apontou Padrino como um dos altos comandos envolvidos em abusos generalizados durante a repressão violenta aos protestos, que deixaram mais de 160 mortos.

No ano seguinte, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos o incluiu na lista de sancionados e, em 2019, ele foi acusado de tráfico de cocaína em um tribunal federal norte-americano.

Padrino rejeitou todas as acusações. Em 2020, quando os Estados Unidos acusaram Maduro e outros dirigentes venezuelanos de narcoterrorismo e ofereceram recompensas milionárias por informações que levassem às capturas, Padrino classificou as denúncias como uma “patranha grosseira”.

Apesar disso, ele permanece no comando das Forças Armadas e, nas últimas semanas, foi encarregado do plano de defesa da Venezuela diante de uma possível intervenção dos Estados Unidos.

Segundo Story, trata-se de uma missão difícil. Ele afirma que as forças militares venezuelanas são um “tigre de papel”, com soldados mal treinados, mal remunerados e sujeitos a altos índices de deserção.

Uma das deserções mais simbólicas ocorreu em abril de 2019, quando o então chefe do serviço de inteligência venezuelano rompeu com Maduro e declarou apoio à oposição.

Anos depois, ele acusou Padrino de traição e submissão ao regime.

Em 2025, o nome de Padrino voltou ao centro de uma polêmica quando convites para o casamento de sua filha vazaram nas redes sociais. A cerimônia acabou ocorrendo em uma instalação militar em Caracas.

Entre os ausentes estava um primo dissidente que vive nos Estados Unidos desde 2014. Segundo ele, as famílias romperam relações após reiterados apelos para que Padrino abandonasse o regime e apoiasse a democracia.

A posição do ministro da Defesa segue ancorada na frase atribuída a Simón Bolívar: “Maldito o soldado que aponte sua arma contra seu povo”.

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