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Questão israelense não é problema perto do barril de pólvora que é o Oriente Médio, diz professor

Segundo ele, fatos como o surgimento do EI e a Guerra Síria agora comprovam isso

Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

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Guerra Síria já matou mais de 300 mil pessoas, segundo a OSHD
Guerra Síria já matou mais de 300 mil pessoas, segundo a OSHD

A dificuldade de judeus e árabes encontrarem o caminho da paz em Israel já dura mais de cem anos. Mas somente agora um novo ciclo de violência no Oriente Médio, depois de conflitos como a guerra civil libanesa (1975-1990), com consequências devastadoras, passou a dividir a atenção e até ofuscar o problema entre Israel e palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

Para o professor de Relações Internacionais, Heni Ozi Cukier, mestre na International Peace and Conflict Resolution pela American University, situações altamente explosivas e emergenciais - como a Guerra da Síria; o surgimento do EI (Estado Islâmico); o papel da Turquia na relação entre o mundo ocidental e o mundo islâmico e o jogo político envolvendo Arábia Saudita e Irã - fizeram emergir em poucos anos o que há muito estava reprimido, apesar de a região acumular um brutal histórico de guerras.


— Nunca concordei com a tese de que a questão entre Israel e palestinos era nuclear e resolveria outras questões que se dizia atreladas a ela. O que acontece naquela região específica (Gaza, Cisjordânia e Israel), o conflito em Israel, é minúsculo perto do barril de pólvora e da violência que cercam a região como um todo. Aquilo não é nada em termos comparativos e agora isto está sendo comprovado na prática.

Neste sentido, ele afirma que o conflito entre israelenses e palestinos, que se acirrou a partir do surgimento do grupo Hamas, com a primeira Intifada em 1987, servia, em grande parte, para desviar as atenções para estes conflitos virulentos que estão vindo à tona agora. Segundo a ONG OSHD (Observatório Sírio dos Direitos Humanos), até setembro último, a Guerra da Síria (iniciada em 2011) já havia deixado mais de 300 mil mortos.


— Tal tema envolvendo a presença de Israel na região serviu de bode expiatório por muitos anos para desviar o fogo de aspectos muito maiores que estão vindo à tona agora. Em Israel o governo e muita gente estão falando isso: "Tá vendo, olhem tudo o que está acontecendo agora. Na verdade, sempre foi assim". Não há comparação proporcional em relação a dados como o número de mortos e grau de violência se compararmos a questão palestina com o que está ocorrendo em países próximos da região.

Assuntos urgentes


Cukier não nega a conveniência de uma solução entre israelenses e palestinos, segundo ele também necessária. Mas ressalta que há outras situações cujas soluções são muito mais determinantes para uma pacificação da região.

— É muito mais premente chegar a uma resolução para a Guerra da Síria por exemplo. Outro tema fundamental é o caminho que a Turquia irá seguir a partir de uma resolução ou diante desses conflitos. Também é de suma importância saber o que vai acontecer com o acordo feito com o Irã (inclusive depois da posse de Donald Trump). Só na região, há pelo menos três assuntos maiores e mais urgentes para serem resolvidos.


Também o professor de Relações Internacionais da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), Emmanuel de Oliveira Jr., considera que situações como o surgimento do EI se tornaram assuntos mais urgentes no momento na região. O grupo assumiu a autoria do atentado da última segunda-feira (12), quando pelo menos 25 pessoas morreram em atentado a catedral copta (cristã) no Cairo, Egito.

— É inegável que o aumento da instabilidade na área faz com que se tenha de lidar com mais questões que requerem mais urgência. Situações como a do EI, neste momento, são um foco de atenção bastante expressivo para as grandes potências.

Para ele, porém, não se deve descartar o interesse destas grandes potências na questão palestina, principalmente os Estados Unidos.

— O papel das grandes potências e dos Estados Unidos, país que dá suporte simbólico e com recursos para Israel, continua presente na área. E uma solução para a questão palestina se mantém importante.

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Oliveira Jr. ressalta, no entanto, que cada assunto necessita de uma conduta diferente. E que neste momento, a virulência das guerras que têm a participação do EI ainda é uma novidade, apesar de o grupo extremista estar perdendo espaço.

— São conflitos de níveis diferentes. A maneira de atuar do EI é inédita para os Estados, eles têm de criar novas ferramentas de poder para lidar com isso. Já uma eventual constituição de um Estado não seria uma novidade para o sistema internacional.

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