Redes de tráfico ameaçam 650 mil muçulmanos em Mianmar e Bangladesh
Violência sectária deslocou milhares de rohingya para campos de refugiados
Internacional|Do R7
Mais de 650 mil rohingya estão em risco de cair nas mãos das redes de tráfico de pessoas em Bangladesh e Mianmar, onde esta minoria muçulmana é perseguida, denunciaram nesta quinta-feira (23) ativistas.
A violência sectária no estado birmanês de Rakhine deslocou milhares de rohingya para campos de refugiados nestes dois países, onde recebem pouca assistência, ajuda e proteção por parte das autoridades.
Segundo a organização Fortyfy Rights, isto força milhares de rohingya a tentar fugir em direção a Malásia e Tailândia em uma perigosa viagem por mar em embarcações administradas pelos traficantes.
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"Mianmar é responsável por iniciar esta crise regional por causa de sua campanha de perseguição contra os rohingya. Os rohingya estão sendo empurrados para as mãos dos traficantes", disse em comunicado o diretor da Fortyfy Rights, Matthew Smith.
A organização documentou casos de assassinato, estupros, tortura e privação de água e comida nestas viagens por mar que frequentemente terminam em campos na selva tailandesa, onde os rohingya permanecem fechados até que podem comprar sua liberdade ou são vendidos, incluindo mulheres e crianças.
A Fortify Rights também denuncia que oficiais birmaneses e tailandeses são cúmplices das máfias neste tráfico de rohingyas que nos últimos três anos gerou mais de US$ 250 milhões.
A organização apresentou ontem um relatório ao Departamento de Estado americano, a quem pediu para pôr os quatro países no nível 3, o mais baixo, em seu próximo relatório sobre tráfico de pessoas por "descumprir os padrões mínimos na eliminação do tráfico de pessoas".
Em 2012, pelo menos 160 pessoas, a maioria rohingya, morreram e milhares foram deslocados para campos de refugiados após dois focos de violência sectária entre esta minoria e a maioria budista do estado Rakhine.
Os rohingyas são considerados uma das minorias mais perseguidas do mundo, segundo a ONU, e em sua maioria são apátridas, já que não são reconhecidos como cidadãos nem Mianmar nem em Bangladesh.









