Restaurante universitário na Alemanha causa polêmica com pratos feito com insetos
Cardápio inclui opções doces e salgadas com proteínas alternativas, mas ainda enfrenta resistência e preços acima da média
Internacional|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O Café Satz, localizado no térreo de uma residência estudantil em Marburgo, na Alemanha, tornou-se assunto entre universitários e curiosos após incluir insetos em diversos itens do menu. Desde a reabertura, em 31 de outubro, o espaço oferece pratos com gafanhotos, grilos e larvas servidos tanto em refeições salgadas quanto em sobremesas.
A proposta acompanha a tendência europeia de explorar insetos como fonte alternativa de proteína, embora o hábito siga restrito a nichos.
LEIA MAIS:
A inspiração para o cardápio, segundo o gestor Martin Baumgarten, surgiu durante a pandemia. Com a cafeteria funcionando apenas para pedidos para viagem e a rotina reduzida, ele passou a experimentar novas formas de preparo. Formado em gastronomia, Baumgarten afirma que as especiarias e o empanado são fundamentais para realçar o sabor suave dos insetos. Para ele, um gafanhoto bem frito pode lembrar uma sardinha ou uma anchova italiana.
O retorno ao funcionamento também coincidiu com a vontade do chef de incorporar dietas alternativas ao cotidiano estudantil. Baumgarten relata que foi influenciado pelos próprios filhos, que viajaram de mochilão pela Ásia e conheceram pratos tradicionais que incluem insetos.
No menu, há opções variadas. Saladas de batata, massas e preparos frios podem ser servidos com uma mistura de insetos fritos. Para os mais curiosos, há waffles feitos com farinha de larvas e versões especiais de pretzel e croissant decorados com insetos triturados. Mas nem tudo é óbvio: os clientes são orientados a retirar as asas dos gafanhotos para evitar que grudem no céu da boca.
A produção usa insetos desidratados enviados por uma fazenda em Ulm, no sul da Alemanha. O preparo fica a cargo de um cozinheiro peruano, vindo de uma cultura onde o consumo de insetos tem presença histórica. Ainda assim, os preços chamam atenção: um topping de larva, que custa 2,75 euros, sai por cerca de R$ 16; já o de grilo, vendido a 3,55 euros, chega a aproximadamente R$ 21. A waffle com massa de insetos, também a 2,75 euros, custa perto de R$ 16.
Apesar do interesse de visitantes e do sucesso entre alguns clientes, a aceitação ainda é limitada. Pesquisas mostram forte resistência: apenas 8% dos alemães consumiram insetos de forma consciente e só 18% se dizem dispostos a incluí-los na dieta, segundo levantamento da YouGov. O Café Satz confirma a tendência, relatando procura modesta.
A regulamentação europeia atualmente permite apenas quatro espécies de insetos para uso alimentar, o que restringe parte da oferta. Nos produtos industrializados, a presença deve ser informada no rótulo, e alimentos veganos ou vegetarianos não podem conter insetos. Algumas crenças religiosas também vetam o consumo, embora existam exceções específicas.
Mesmo como um experimento gastronômico temporário, previsto para durar até abril, o cardápio inusitado já colocou Marburgo no mapa da culinária alternativa. Para Baumgarten, a proposta cumpre um papel: mostrar aos estudantes que o mundo, com seus sabores pouco convencionais, pode caber em uma bandeja de cafeteria.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp












