Revelações do caso Epstein trazem consequências para princesas Beatrice e Eugenie
Filhas de Andrew e Sarah Ferguson lidam com pressão e repercussões familiares após novos documentos sobre o criminoso
Internacional|Lauren Said-Moorhouse, da CNN Internacional
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As princesas Beatrice e Eugenie foram arrastadas para o turbilhão que envolveu seus pais, Andrew Mountbatten-Windsor e Sarah Ferguson, obrigando-as a lidar com um novo escrutínio em torno da monarquia britânica.
As irmãs, hoje com 37 e 35 anos, respectivamente, são mencionadas centenas de vezes no mais recente lote dos chamados arquivos Epstein, publicado recentemente pelo Departamento de Justiça dos EUA. Pelo menos uma das referências é altamente constrangedora, referindo-se à vida privada da jovem Eugenie.
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Beatrice e Eugenie estão entre os poucos membros do clã Windsor a possuir o título de “HRH” (His/Her Royal Highness, ou Sua Alteza Real), mas não representam o monarca como integrantes ativos da “firma”.
Grande parte das críticas à família York — como eram conhecidos no Reino Unido — tem se concentrado na relação de Mountbatten-Windsor com Jeffrey Epstein. No entanto, as mais recentes revelações dos arquivos do Departamento de Justiça também expõem a aparente profundidade da amizade do falecido criminoso sexual com a mãe das princesas, que teria introduzido as filhas em seu círculo.
“É extremamente angustiante para ambas as jovens se verem mencionadas tão livremente pelos pais a um criminoso sexual condenado”, disse Russell Myers, editor da seção sobre a família real do jornal britânico The Mirror, que cobre a família Windsor há uma década e é co-apresentador do premiado podcast sobre a família real Pod Save The King.
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Ele afirmou que, embora haja “muita simpatia por elas”, os e-mails levantam questionamentos sobre o que, se é que sabiam algo, as mulheres tinham conhecimento.
“As perguntas permanecem, tanto dentro do palácio quanto publicamente, sobre se Beatrice e Eugenie poderiam ter levantado preocupações junto aos pais ou de forma mais ampla, considerando o quão próximas foram inseridas no mundo de Epstein, mesmo após sua condenação por crimes sexuais graves”.
O pai das princesas enfrenta pressão crescente para responder a mais perguntas sobre seu envolvimento com Epstein.
A polícia britânica agora investiga alegações de má conduta em cargo público e violação de segredos oficiais, após e-mails revelarem que o ex-príncipe teria compartilhado material confidencial com o criminoso sexual durante seu período como enviado comercial do Reino Unido.
Ao ser procurado para comentar o caso, Mountbatten-Windsor não reagiu publicamente às últimas acusações, mas já negou anteriormente qualquer irregularidade relacionada a seus vínculos com Epstein, inclusive após firmar um acordo extrajudicial com uma mulher que afirmou ter sido traficada para ele quando era adolescente.
O almoço em Miami
No ano passado, o porta-voz de Ferguson declarou que a ex-duquesa rompeu relações com Epstein “assim que tomou conhecimento da extensão das acusações”. No entanto, os arquivos do Departamento de Justiça sugerem que isso não ocorreu dessa forma.
Os documentos indicam que Ferguson não apenas manteve contato, como o visitou em Miami cinco dias após ele deixar a prisão, em 2009, após cumprir 13 meses de uma pena de 18 meses por aliciamento de prostituição envolvendo uma menor de idade. Beatrice e Eugenie, então com 20 e 19 anos, participaram de um almoço com ele em 27 de julho de 2009.
Em uma troca de e-mails, Epstein envia uma mensagem breve para um endereço parcialmente oculto identificado como “ferg", perguntando: “onde você está?”.
Cerca de uma hora e meia depois, Sarah responde que está “em Miami” e que pretende encontrá-lo às 12h30 para o almoço. O financista oferece um carro, que Sarah recusa, mas solicita o endereço e esclarece: “Estaremos eu, Beatrice e Eugenie”.
No dia seguinte, Epstein envia outro e-mail à ex-socialite britânica e cúmplice Ghislaine Maxwell confirmando que o encontro ocorreu. Outra troca de mensagens indica que ele teria pago as passagens aéreas das três para os EUA, no valor de US$ 14 mil.
Um mês depois, outro e-mail demonstra o afeto de Ferguson por Epstein ao compartilhar, com entusiasmo, possíveis oportunidades de negócios para sua marca e livros. “Em apenas uma semana, após nosso almoço, parece que a energia mudou”, escreveu.
“Nunca fiquei tão tocada pela gentileza de um amigo quanto pelo elogio que você me fez diante das minhas meninas. Obrigada, Jeffrey, por ser o irmão que sempre desejei”, disse.
O tom continua em janeiro de 2010, quando Sarah escreve: “Você é uma lenda. Não tenho palavras para descrever meu amor e gratidão por sua generosidade e gentileza. Estou à sua disposição. Apenas case comigo”.
Dois meses depois, em uma troca considerada chocante, Sarah aparentemente comenta a vida íntima da filha mais nova, dizendo: “Ainda não sei. Só estou esperando Eugenie voltar de um fim de semana de sexo!!”.

Alguns meses depois, Epstein pergunta se haveria “alguma chance de suas filhas dizerem ‘olá’” durante uma visita a Londres. Ferguson responde que “Beatrice está em Londres com o pai. Eugie está viajando com um namorado legal”.
Em 2011, em outra troca de e-mails entre Epstein, Ferguson e seu então porta-voz, a ex-duquesa afirma que Beatrice a aconselhou sobre como lidar com um jornalista a quem havia dado declarações sobre o criminoso.
Nesse mesmo período, Epstein recebeu por e-mail cartões de Natal da família enviados por Mountbatten-Windsor, ambos com fotos das princesas. Em entrevista à BBC, em 2019, o ex-príncipe afirmou que não manteve contato com Epstein após 2010.
A CNN Internacional procurou representantes de Ferguson e das princesas para comentar os e-mails, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.
Discrição
Após deixar o Royal Lodge, em Windsor, Mountbatten-Windsor mudou-se temporariamente para Norfolk, em uma propriedade no terreno de Sandringham, pertencente ao rei Charles. Ferguson também deixou a residência que compartilhavam.
Beatrice e Eugenie mantiveram perfil discreto desde a divulgação dos novos documentos, embora Eugenie tenha sido fotografada recentemente em uma feira de arte contemporânea em Doha. Há simpatia pública pelas irmãs, e não há indicação de irregularidade por parte delas apenas por terem sido citadas nos arquivos.
Segundo Myers, a família sempre foi próxima, mas as revelações recentes deixaram as irmãs “profundamente angustiadas”. “Elas têm um grau de lealdade”, afirmou o jornalista à CNN Internacional, “mas é inegável que o relacionamento com os pais foi severamente abalado pela conduta deles”.
Vidas além dos deveres reais
As princesas construíram trajetórias fora do palácio. Ambas são casadas — Beatrice com o incorporador imobiliário Edoardo Mapelli Mozzi e Eugenie com o empresário Jack Brooksbank — e formaram suas próprias famílias.
Beatrice fundou a consultoria estratégica BY-EQ e já atuou como vice-presidente de parcerias e estratégia da empresa de software Afiniti. Eugenie é diretora na galeria Hauser & Wirth. Ambas também são patronas de diversas organizações beneficentes.
Entidades ligadas às princesas foram procuradas pela CNN Internacional. A instituição médica britânica Borne informou que Beatrice tornou-se patrona após experiência pessoal com prematuridade e que seu papel é focado na conscientização. Já a Outward Bound Trust afirmou que Beatrice atua como patrona honorária adjunta, apoiando o desenvolvimento de jovens.
O Exército de Salvação declarou que coloca “vítimas e sobreviventes no centro de todas as decisões” e acompanha o caso de perto.
Movimentos sem precedentes do rei
A decisão do rei Charles, em outubro, de retirar os títulos e honrarias de Mountbatten-Windsor pouco diminuiu o impacto do escândalo.
Beatrice e Eugenie parecem ter buscado se distanciar da controvérsia, evitando declarações públicas e mantendo certa distância dos pais em aparições públicas. Elas passaram o Natal com o rei e outros membros da família em Sandringham.
Myers observa que, embora não sejam membros ativos da família real, o rei Charles e o príncipe William já contaram com elas em eventos oficiais. Segundo ele, William tem boa relação com as primas, é solidário à situação delas e não acredita que a reputação das duas deva ser prejudicada pelas ações dos pais.
Em mais um desdobramento recente, o Palácio de Buckingham declarou que o rei Charles está “pronto para apoiar” as investigações da polícia britânica sobre o suposto compartilhamento de material sensível por Mountbatten-Windsor quando atuava como enviado comercial. Myers classificou a medida como um “momento decisivo”.
“Andrew Mountbatten-Windsor foi completamente afastado da família real, e tanto o rei quanto o príncipe William compreendem a repulsa pública diante dessas acusações contínuas e perturbadoras.”
Ele concluiu: “Isso demonstra que Andrew não será mais protegido pela instituição, e prevalece a sensação de que ele deve fazer o que é correto e colaborar com os investigadores americanos que apuram os crimes de Jeffrey Epstein, caso tenha informações”.
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