Internacional Rússia bombardeia cidades ucranianas e evoca negociações sobre possível cessar-fogo

Rússia bombardeia cidades ucranianas e evoca negociações sobre possível cessar-fogo

Representantes dos dois países se encontrarão nesta quinta (3) para novas negociações

AFP
Tanque russo destruído na Ucrânia

Tanque russo destruído na Ucrânia

EFE/EPA/Sergey Kozlov

A Rússia afirmou nesta quarta-feira (2) que as negociações de amanhã, quinta (3), com a Ucrânia incluirão discussões sobre um cessar-fogo, após bombardear várias cidades ucranianas e entrar com suas tropas na cidade portuária de Kherson.

O governo ucraniano, por sua vez, indicou que enviou uma delegação para participar da segunda rodada de conversas em Belarus, perto da fronteira com a Polônia, e assinalou que não aceitará nenhum tipo de ultimato.

A primeira rodada, em 28 de fevereiro, terminou sem avanços reais.

Os Estados Unidos, que aplicam duras sanções contra a Rússia e seu aliado Belarus, "apoiarão os esforços diplomáticos" de Kiev para alcançar uma trégua e a retirada das forças russas da Ucrânia, segundo o secretário de Estado, Antony Blinken.

Centenas de civis ucranianos morreram e centenas de milhares fugiram de seus lares desde a invasão do país em 24 de fevereiro, que gerou em resposta sanções ocidentais para tentar asfixiar a economia russa.

As tropas russas se deparam com uma dura resistência em seu avanço em território ucraniano.

Muitas pessoas morreram nos bombardeios desta quarta, segundo relatos. O balanço oficial ucraniano indica 350 mortos, incluindo 14 crianças, desde o início da ofensiva russa.

O exército de Vladimir Putin, por sua vez, indicou em seu primeiro balanço oficial que perdeu 498 soldados e que outros 1.597 ficaram feridos.

Além disso, as tropas russas reivindicaram a captura da cidade portuária de Kherson, no sul, e concentraram sua artilharia nos arredores de Kiev, trazendo o temor de um assalto iminente contra a capital.

Correspondentes da AFP reportaram danos provocados por supostos bombardeios russos contra edifícios dos serviços de segurança e uma universidade em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, e em áreas residenciais de Zhytomyr, a cerca de 150 km de Kiev.

"Não há um lugar de Kharkiv onde não tenha caído bombas", disse Anton Garashchenko, assessor do Ministério do Interior ucraniano.

"O inimigo está aproximando suas forças da capital", disse o prefeito Vitali Klitschko, mas "Kiev resiste e vai resistir. Nós vamos lutar", prometeu o carismático ex-boxeador.

Em uma mensagem televisionada, o presidente ucraniano Volodimir Zelensky denunciou a invasão como um atentado contra a identidade da Ucrânia.

"Eles receberam a ordem de apagar nossa história, de apagar nosso país, de eliminar todos nós", afirmou.

Zelensky mencionou nesta quarta o bombardeio contra a torre de televisão de Kiev, que resultou em cinco mortes, próximo ao local onde 30.000 pessoas foram massacradas durante a Segunda Guerra Mundial, a maioria judeus, e instou a comunidade judaica a "não permanecer em silêncio". 

"O nazismo nasce do silêncio. Então saiam para gritar sobre os assassinatos de civis. Gritem sobre os assassinatos de ucranianos", afirmou o presidente, um ex-comediante de 44 anos, que tem origem judaica.

Putin explicou que a invasão tem como objetivo a "desmilitarização" e "desnazificação" da Ucrânia, que busca uma aproximação com o Ocidente, a Otan e a União Europeia (UE).

O presidente russo também exigiu garantias de que a Otan não continuará sua expansão para o leste e que impedirá a entrada da Ucrânia na aliança militar. 

Os países ocidentais reforçaram as sanções, para isolar a Rússia diplomática, econômica, cultural e esportivamente.

A Assembleia Geral das Nações Unidas adotou, por maioria arrasadora, uma resolução para exigir que a Rússia retire suas tropas da Ucrânia e "deplorar" a agressão infligida contra a ex-república soviética.

Com 141 votos a favor, cinco contra (Rússia, Belarus, Coreia do Norte, Eritreia e Síria) e 35 abstenções, a resolução, que não tem caráter vinculante, foi aprovada.

Em seu primeiro discurso sobre o Estado da União, o presidente americano, Joe Biden, afirmou na terça-feira que Putin "está mais isolado do mundo do que nunca".

A UE proibiu a difusão em seu território dos meios de comunicação russos RT e Sputnik, e excluiu sete bancos russos do sistema de comunicação interbancário Swift.

A lista, no entanto, não inclui os dois principais bancos do país, Sberbank e Gazprombank, cuja conexão com o Swift permite que os países europeus paguem pela importação de gás russo.

A guerra também fez disparar os preços do petróleo, que superou os 110 dólares por barril nesta quarta-feira pela primeira vez desde 2011.

UE e Otan enviaram armas e munições à Ucrânia, mas deixaram claro que não haverá intervenção direta no conflito.

"No futuro, a Rússia será um pária e é difícil ver como eles poderão restaurar algo parecido às interações normais no sistema internacional", disse Sarah Kreps, professora da Universidade Cornell, nos Estados Unidos.

Na medida em que o número de civis mortos aumenta pelo conflito, também cresce a oposição à guerra dentro da própria Rússia, onde milhares de pessoas foram detidas por participar de manifestações pacifistas.

O opositor Alexei Navalny - que está preso e enfrenta um julgamento na Rússia - convocou seus compatriotas a "tomar as ruas e lutar pela paz".

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