Internacional Senado argentino rejeita lei que tornaria o aborto legal no país

Senado argentino rejeita lei que tornaria o aborto legal no país

Debate durou 17 horas e acabou na madrugada desta quinta-feira (9). Projeto agora só poderá ser apreciado pelos senadores daqui pelo menos um ano

Senado argentino rejeita lei que tornaria o aborto legal no país

População argentina se manifestou durante o debate da lei do aborto no Senado

População argentina se manifestou durante o debate da lei do aborto no Senado

REUTERS/Marcos Brindicci/08.08.2018

Após cerca de 17 horas do debate que começou na manhã desta quarta-feira (8), o Senado argentino rejeitou, por 38 votos a 31, o projeto de lei que descriminaliza o aborto para qualquer situação até 14 semanas de gestação. 

Com a decisão, o aborto continua sendo crime na Argentina, exceto para os casos de gravidez por estupro e nas ocasiões em que a gestante corre o risco de morrer.

O mesmo projeto já havia sido aprovado na Câmara dos Deputados em 13 de junho deste ano, mas precisava do voto favorável de 37 dos 72 senadores.

Vale lembrar que os abortos clandestinos são a principal causa de morte materna há pelo menos 30 anos na Argentina.

A lei tornaria a Argentina o terceiro país da América Latina a legalizar amplamente o aborto, depois do Uruguai e de Cuba.

Argentinos divididos

Desde a noite anterior, manifestantes pró e contra a prática se reuniram na porta do Senado para acompanhar a votação. Os defensores da proposta usaram lenços verdes, enquanto os contrários vestiram lenços azuis.

O clima de divisão esteve presente entre os argentinos nas semanas anteriores à votação. Ativistas religiosos, especialmente em partes rurais do país, pressionaram contra a medida, que foi apoiada por feministas e grupos de direitos humanos estimulados nos últimos anos por esforços para acabar com a violência contra as mulheres.

Mais cedo, o presidente Mauricio Macri escreveu em sua conta no Facebook que, qualquer que fosse o resultado, venceria a democracia. "A importância dessa votação vai muito além da questão específica que ela tenta resolver. Nos coloca como sociedade em um cenário pacífico para promover e realizar mudanças. Mas, além disso, nos obriga como indivíduos a nos comprometermos a aceitar que há outros que pensam de maneira diferente", afirmou o presidente. 

O projeto de lei ainda pode ser apresentado novamente em março de 2019. Muitos apostam que este será um tema central nas eleições argentinas do próximo ano, que devem escolher o próximo presidente do país.