Internacional Senadores russos aprovam lei que pode excluir opositores de eleições

Senadores russos aprovam lei que pode excluir opositores de eleições

Projeto de lei impossibilitaria participação em eleições dos líderes, apoiadores e membros de entidades 'extremistas'

AFP
Projeto de lei barraria candidatura de Navalny e aliados

Projeto de lei barraria candidatura de Navalny e aliados

Press service of Moscow City Court/Handout via REUTERS - 2.2.2021

A Câmara Alta do Parlamento da Rússia aprovou nesta quarta-feira (2) por ampla maioria uma lei que abre o caminho para proibir que os aliados do opositor detido Alexei Navalny possam disputar as eleições.

O projeto de lei aprovado pelo Conselho da Federação impossibilitaria a participação em eleições dos líderes, apoiadores e membros de entidades "extremistas", uma classificação que a justiça avalia impor às organizações de Navalny. 

A lei foi aprovada por 146 senadores, recebeu um voto contra e uma abstenção. Agora falta apenas a assinatura do presidente Vladimir Putin para que a lei entre em vigor.

Em paralelo, um tribunal russo estuda a possibilidade de designar as organizações favoráveis a Navalny como "extremistas", assim como grupos ultranacionalistas, ou religiosos.

Os críticos do Kremlin afirmam que as autoridades russas estão ampliando a repressão da oposição antes das eleições parlamentares de setembro.

A nova lei afeta não apenas os líderes das organizações, como ativistas e dezenas de milhares de pessoas que fazem doações.

Os líderes das organizações regionais de Navalny não poderão disputar as eleições parlamentares durante cinco anos.

Os membros das organizações e aqueles que ajudaram a financiá-las serão proibidos de apresentar candidaturas durante três anos. 

As autoridades russas toleraram durante anos os grupos de oposição, incluindo o movimento político de Navalny, mas os críticos do Kremlin dizem que agora Moscou pretende eliminar qualquer vestígio de dissidência.

Navalny, que sobreviveu a um grave envenenamento com um agente neurotóxico de origem russa, cumpre desde fevereiro uma pena de dois anos e meio de prisão por uma condenação por peculato.

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