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Internacional 'Síndrome de Havana': CIA descarta ataques estrangeiros como causa

'Síndrome de Havana': CIA descarta ataques estrangeiros como causa

Entre os 1.000 incidentes anormais relatados, apenas cerca de 20 permanecem sem explicação e sob intensa verificação

AFP
Embaixada dos Estados Unidos em Havana, Cuba

Embaixada dos Estados Unidos em Havana, Cuba

Yamil Lage/AFP - 03.10.2017

A CIA (Agência Central de Inteligência), dos Estados Unidos, descartou a possibilidade de ataques estrangeiros terem causado a chamada “síndrome de Havana". O nome foi dado à condição relatada por diplomatas americanos que sofreram com náuseas e dores de cabeça misteriosas.

Entre 1.000 "incidentes anormais de saúde" relatados, cerca de 20 permanecem sem explicação e sob intensa verificação, disse um funcionário à AFP sob condição de anonimato.

Veículos como NBC News e The New York Times afirmaram que vários altos funcionários têm conhecimento de um relatório de inteligência da CIA sobre esses incidentes. Diplomatas americanos e canadenses registraram os primeiros casos da "síndrome de Havana" na capital cubana em 2016.

Desde então, funcionários diplomáticos e de inteligência relataram sintomas semelhantes em países como Austrália, Áustria, China, Colômbia, Alemanha e Rússia.

Os relatos levaram a uma investigação mais ampla do governo e a acusações diretas de que a Rússia teria uma arma eletrônica ou sônica desconhecida.

O diretor da CIA, William Burns, alertou Moscou no ano passado de que haveria consequências se a inteligência russa fosse considerada responsável.

Mas a conclusão preliminar de um estudo da agência americana não encontrou evidências de que um governo estrangeiro, russo ou não, estivesse por trás dos casos.

"Avaliamos que é improvável que um ator estrangeiro, inclusive a Rússia, esteja conduzindo uma campanha global sustentada para prejudicar o pessoal dos EUA com uma arma ou dispositivo", disse um funcionário.

Quase todas as doenças podem ser explicadas por condições médicas existentes ou não diagnosticadas anteriormente, ou por um fator ambiental, concluiu o estudo.

Com relação aos 20 casos que não podem ser explicados e são objeto de um estudo mais aprofundado, a CIA não descartou um ator estrangeiro como causa, disse o funcionário.

Em um comunicado, Burns disse que a agência continua investigando e prometeu apoio e cuidados aos afetados.

"Embora tenhamos alcançado algumas descobertas internas significativas, ainda não terminamos", disse Burns.

"Continuaremos nossa missão de investigar esses incidentes e fornecer acesso a cuidados de classe mundial para aqueles que precisam", acrescentou.

As pessoas afetadas relatam problemas de equilíbrio e coordenação, tontura, ansiedade, irritabilidade e confusão ou "névoa cognitiva". Até mesmo sequelas neurológicas foram relatadas.

Os defensores das vítimas rapidamente rejeitaram as conclusões. De acordo com Mark Zaid, advogado que representa várias pessoas afetadas, o estudo da CIA busca reprimir “uma revolta dentro de sua equipe porque os agentes não querem ir para o exterior”.

"O relatório da CIA é desinformação", disse o advogado, observando que outras agências da comunidade de inteligência dos EUA discordaram dele.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, não contestou as descobertas da CIA, mas disse que as investigações continuariam.

"Essas descobertas não desafiam o fato de que nossos colegas estão relatando experiências reais e sofrendo de sintomas reais", disse Blinken em comunicado. "Sua dor é real. Não tenho dúvidas sobre isso”, concluiu.

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