Sobrevivente da bomba de Hiroshima e ativista morre aos 91 anos

Iwasa teve um papel ativo no lançamento da campanha internacional favorável ao Tratado sobre a Proibição das Armas Nucleares, adotado em 2017

Iwasa tinha apenas 16 anos quando ocorreu o ataque

Iwasa tinha apenas 16 anos quando ocorreu o ataque

divulgação

O japonês Mikiso Iwasa, sobrevivente da bomba atômica de Hiroshima e assessor de um dos grupos antinucleares mais importantes da atualidade, morreu aos 91 anos em consequência de um câncer no pâncreas, divulgou nesta terça-feira (8) a família.

Na madrugada de ontem, Iwasa faleceu em casa, na prefeitura de Chiba, ao nordeste de Tóquio, segundo detalhes veiculados pela emissora pública de televisão NHK e pela agência de notícias Kyodo.

Jovem sobrevivente

Quando a primeira bomba nuclear contra população civil foi deflagrada, em Hiroshima, no dia 6 de agosto de 1945, Iwasa tinha apenas 16 anos.

O artefato foi lançado a pouco mais de um quilômetro da casa em que ele vivia com a família. A mãe e a irmã de Iwasa morreram no bombardeio.

Após se formar, o sobrevivente se uniu a movimentos pela abolição das armas nucleares, enquanto atuava como professor na Universidade de Kanazawa, em Tóquio.

Quando deixou a vida docente, começou a desempenhar papéis na confederação nacional de sobreviventes de bombas atômicas no Japão, também chamados de 'hibakusha', que luta desde 1956 pela proibição deste tipo de artefatos.

Passado recente

Em 2011, se tornou copresidente da organização, que teve um papel ativo no lançamento da campanha internacional favorável ao Tratado sobre a Proibição das Armas Nucleares, adotado em 2017, que ainda precisa ser ratificado por mais sete países (já foi por 43, de 50 necessários), para entrar em vigor.

Quando o antecessor de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, esteve em Hiroshima, em 2016, e depositou flores no memorial para vítimas da bomba atômica, Iwasa estava ao lado ele.

Após deixar a copresidência do grupo de sobreviventes, em 2017, se juntou ao escritor Kenzaburo Oe e outras personalidades, em uma iniciativa para registrar os testemunhos dos 'hibakusha' e coletar materiais relacionados ao bombardeio.