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Socialite Ghislaine Maxwell luta contra a divulgação de mais documentos sobre Epstein

Britânica se negou a responder perguntas ao Comitê de Supervisão; seus advogados alegam que lei de divulgação é ‘inconstitucional’

Internacional|AP, do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ghislaine Maxwell, presa, contesta a divulgação de 90 mil páginas de documentos relacionados a Jeffrey Epstein.
  • Seus advogados alegam que a lei de divulgação é inconstitucional e viola a separação de poderes.
  • A divulgação inclui transcrições de depoimentos e informações privadas sobre Maxwell e outras pessoas.
  • Maxwell se recusou a responder perguntas em depoimento do Comitê de Supervisão da Câmara, porém indicou disposição para cooperar se receber clemência.

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Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein em imagem de arquivo divulgada pelo Departamento de Justiça de Washington
Advogados de Maxwell contestam pedido de divulgação de documentos relacionados aos crimes Departamento de Justiça dos EUA/Reuters - 19.12.2025

Os advogados da socialite britânica Ghislaine Maxwell, atualmente presa, estão contestando o pedido de divulgação de 90 mil páginas relacionadas ao financista Jeffrey Epstein e à própria Maxwell, alegando que a lei usada para forçar a divulgação pública de milhões de documentos é inconstitucional.

Os advogados entraram com uma ação nesta sexta-feira (20), no tribunal federal de Manhattan para tentar impedir a divulgação de documentos de um processo civil por difamação, já encerrado, movido há uma década pela falecida vítima de Epstein, Virginia Giuffre, contra Maxwell. O Departamento de Justiça solicitou recentemente a um juiz que suspendesse os requisitos de sigilo dos arquivos.


Os advogados de Maxwell afirmaram que o Departamento de Justiça obteve os documentos, que estariam sujeitos a ordens de sigilo, de forma indevida durante sua investigação criminal sobre Maxwell. Eles afirmaram que os documentos incluem transcrições de mais de 30 depoimentos e informações privadas sobre questões financeiras e sexuais relacionadas a Maxwell e outras pessoas.

Alguns registros da troca de provas ao longo de um ano na batalha judicial já foram divulgados publicamente em resposta a uma ordem do tribunal federal de apelações.


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Os advogados de Maxwell afirmam que a lei aprovada pelo Congresso em dezembro de 2025 para forçar a divulgação de milhões de documentos relacionados a Epstein viola a doutrina da separação de poderes da Constituição.

“O Congresso não pode, por estatuto, retirar deste Tribunal o poder ou isentá-lo da responsabilidade de proteger seus arquivos contra uso indevido. Fazer isso viola a separação de poderes”, escreveram os advogados Laura Menninger e Jeffrey Pagliuca sobre a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.


“De acordo com a separação de poderes da Constituição, nem o Congresso nem o Poder Executivo podem interferir no poder judiciário. Esse poder inclui o poder de resolver definitiva e finalmente casos e disputas”, acrescentaram os advogados.

A divulgação de documentos relacionados a Epstein, provenientes de investigações criminais iniciadas há semanas, resultou em novas revelações sobre o abuso sexual de mulheres e adolescentes cometido pelo financista ao longo de décadas.


Algumas vítimas reclamaram que seus nomes e informações pessoais foram revelados nos documentos, enquanto os nomes de seus agressores foram ocultados.

Membros do Congresso reclamaram que apenas cerca de metade dos documentos existentes, muitos deles com partes censuradas, foram tornados públicos, mesmo que funcionários do Departamento de Justiça tenham afirmado que tudo foi divulgado, exceto alguns arquivos que não podem ser tornados públicos até que um juiz dê autorização.

Giuffre disse que Epstein a traficou para outros homens, incluindo o ex-príncipe Andrew, agora conhecido como Andrew Mountbatten-Windsor. Ela processou Mountbatten-Windsor em 2021, alegando que eles tiveram relações sexuais quando ela tinha 17 anos.

Ele negou as alegações e os dois chegaram a um acordo no processo em 2022. Dias atrás, ele foi preso e ficou sob custódia por quase 11 horas sob suspeita de má conduta por ter compartilhado informações comerciais confidenciais com Epstein.

Em um livro de memórias publicado após seu suicídio no ano passado, Giuffre escreveu que os promotores lhe disseram que não a incluíram no processo de tráfico sexual contra Maxwell porque não queriam que suas alegações distraíssem o júri.

Ghislaine Maxwell, de 64 anos, foi condenada em dezembro de 2021 e sentenciada a 20 anos de prisão. Epstein tirou a própria vida em uma prisão federal em agosto de 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.

Maxwell foi transferida de uma prisão federal na Flórida para um campo de prisioneiros de baixa segurança no Texas no verão passado, após participar de dois dias de entrevistas com o procurador-geral adjunto Todd Blanche.

Há duas semanas, ela se recusou a responder às perguntas dos legisladores do Comitê de Supervisão da Câmara em um depoimento realizado por videochamada em sua prisão federal, embora tenha indicado, por meio de uma declaração de seu advogado, que estava “preparada para falar de forma completa e honesta” se lhe fosse concedida clemência.

O Departamento de Justiça não respondeu imediatamente a um pedido de comentário no sábado (21).

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