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Soldados abrem fogo contra manifestantes nigerianos em Lagos

Desde o dia 5 de outubro, manifestantes estão nas ruas protestando contra a violência policial; até o momento estima-se que 18 pessoas morreram

Internacional|Do R7

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Testemunham afirmam que policiais abriram fogo contra os manifestantes
Testemunham afirmam que policiais abriram fogo contra os manifestantes

Nesta terça-feira (20), soldados abriram fogo contra manifestantes nigerianos no distrito de Lekki, na capital comercial, Lagos, atirando em pelo menos duas pessoas, conforme relataram testemunhas. Os protestos são contra a violência policial.

"Eles começaram a disparar munição contra a multidão. Eles estavam atirando na multidão", disse Alfred Ononugbo, 55, um oficial de segurança. "Eu vi a bala atingir uma ou duas pessoas", disse ele.


O governo do estado de Lagos confirmou as mortes e disse que abrirá uma investigação sobre o tiroteio, que testemunhas disseram ter ocorrido por volta das 19h (18h GMT).

"Houve relatos de tiroteios na Lekki Toll Plaza", disse Gboyega Akosile, porta-voz do governador, no Twitter. “O Governo do Estado ordenou uma investigação sobre o incidente”, disse ele em outro tweet.


Um porta-voz do exército nigeriano não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.

Inyene Akpan, de 26 anos, uma fotógrafa, disse que mais de 20 soldados chegaram ao pedágio em Lekki e abriram fogo. Ele disse que viu duas pessoas sendo baleadas.


O governo nigeriano impôs um toque de recolher após vários dias de intensos protestos. De acordo com a Bloomberg, ao menos duas estações de polícia foram incendiadas.

"Nos últimos 12 dias, as atividades econômicas foram paralisadas na maior parte do país", disse a Câmara de Comércio e Indústria de Lagos em um comunicado. "Há um grande risco de que a situação degenere em um caso de quebra total da lei e da ordem".


Manifestante segura cartaz que pede o 'fim das mortes dos líderes do amanhã'
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Atuação ilegal

As manifestações começaram no dia 5 de outubro contra a atuação de um esquadrão especial da polícia chamado SARS (Esquadrão Especial Antirroubo). Nigerianos acusam o grupo especial de diversas ilegalidades como brutalidade, extorsão, roubo, tortura generalizada e outras violências.

De acordo com um relatório da Anistia Internacional, pelo menos 82 casos de tortura, maus-tratos e execução extrajudicial por SARS entre janeiro de 2017 e maio de 2020. Ainda segundo a entidade, os casos não são investigados e nem processados, então acabam gerando impunidade.

Segundo a Al Jazeera, depois de dias de manifestações generalizadas, as autoridades anunciaram a dissolução da SARS e mais tarde ordenaram que todo o pessoal se apresentasse na sede da polícia em Abuja para interrogatório e exames psicológicos e médicos.

Enquanto isso, a formação de uma nova equipe de Armas Especiais e Táticas (SWAT) foi anunciada para substituir o SARS.

No entanto, os anúncios não satisfizeram os manifestantes, que os consideraram apenas mais um exercício de renomeação e prometeram ficar nas ruas até que as promessas sejam cumpridas e suas demandas - incluindo a libertação dos presos - sejam atendidas.

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