STF oficializa resultado de sessão, mas adia mandados de prisão do mensalão
Internacional|Do R7
Brasília, 14 nov (EFE).- O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu suas sessões desta quinta-feira sem analisar a execução das sentenças do julgamento do mensalão, motivo pelo qual os mandados de prisão dos réus condenados só devem ser expedidos a partir da próxima semana. Embora o STF tenha decidido nesta quarta-feira executar as penas imediatamente e esse assunto fosse o primeiro da agenda divulgada pela corte, a sessão de hoje começou com outros processos totalmente alheios à chamada "Ação Penal 470", e amanhã não há atividades programadas por conta do feriado da proclamação da República. O presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, nem sequer participou de toda a audiência e, segundo disseram à Agência Efe fontes de seu escritório, se retirou para dedicar parte do dia a uma última análise da forma como as sentenças serão executadas. Por outro lado, o Supremo publicou o resultado do julgamento da sessão de ontem em que os ministros decidiram que os condenados já devem começar a cumprir as penas para as quais não cabem mais recurso, o que abre o caminho para que Barbosa possa emitir os mandados de execução da pena a qualquer momento. Durante o julgamento foram condenados 25 políticos e empresários, entre eles o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, o ex-presidente do PT, José Genoino, e o antigo tesoureiro do partido, Delúbio Soares. Embora 12 dos réus tenham direito a um novo julgamento por um dos vários delitos pelos quais foram condenados por conta dos chamados embargos infringentes, o Supremo decidiu nesta quarta-feira que todas as sentenças já definidas deverão começar a ser cumpridas imediatamente. No caso daqueles que serão julgados novamente no próximo ano pelo crime de formação de quadrilha, as penas serão ajustadas em função desse novo processo. Com exceção do ex-deputado Roberto Jefferson, que em 2005 denunciou o esquema de corrupção no qual ele mesmo participou e pelo que recebeu uma pena de sete anos de prisão, todos os condenados permaneceram hoje em silêncio e longe dos jornalistas. "Há oito anos denunciei ao país o maior escândalo que jamais presenciei no Planalto Central desde que me tornei deputado. Tudo realizado por quem, por décadas, apontou o dedo para muitos, acusando-os de corruptos", escreveu em seu blog e em aparente alusão a José Dirceu, condenado a dez anos e dez meses de prisão no mesmo julgamento. "Fui cassado e tive meus direitos suspensos por 10 anos; ontem, a Corte Suprema do meu país decretou minha prisão. Estou satisfeito com a decisão? Mentiria se dissesse que sim; conforta-me, porém, a crença de que a política brasileira, daqui para a frente, pode ser melhor", acrescentou em seu blog com a mensagem intitulada "Nem tudo está perdido". Depois, em declarações a jornalistas na frente da sua casa no Rio de Janeiro, afirmou que não se arrepende de nada. "Também não me regozijo. Sou um réu condenado igual aos outros. Agora vamos esperar pelo destino", declarou Jefferson, que há meses luta contra um câncer. Dirceu, por sua vez, não se pronunciou sobre a decisão do Supremo, mas seus advogados asseguraram que o ex-ministro espera a ordem de prisão com "calma". "Ele vai cumprir a decisão do STF. Eu vou apresentar meu cliente. Eu não sei ainda onde. Minha intenção é fazer uma apresentação discreta", garantiu hoje o advogado de Dirceu, José Luís Oliveira Lima. Depois que o Supremo determinar a expedição dos mandados, que devem ser confeccionados pelo próprio tribunal, a Polícia Federal será notificada para o cumprimento das prisões. A polícia então terá de informar ao STF que o mandado de prisão foi cumprido e depois transferir os presos de outros estados para Brasília, onde deverão ficar inicialmente detidos. EFE ed/rsd







