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Telescópio Hubble descobre um tipo de objeto astronômico nunca antes visto no universo

Cloud-9 é uma nuvem de matéria escura, rica em gás e sem estrelas, considerada uma remanescente da formação das primeiras galáxias

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Cientistas utilizam o Telescópio Espacial Hubble para descobrir uma nova nuvem de matéria escura, chamada "Cloud-9".
  • A nuvem é uma "reliquia" da formação inicial de galáxias e é a primeira detecção confirmada deste tipo de objeto no universo.
  • Cloud-9 é uma nuvem natal de hidrogênio neutro, sem estrelas, que representa os estágios iniciais da formação de galáxias.
  • A descoberta oferece novos insights sobre a matéria escura e como as galáxias se formaram, sendo publicada na revista The Astrophysical Journal Letters.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Imagem mostra a localização da Cloud-9, que fica a 14 milhões de anos-luz da Terra Nasa, ESA, VLA, Gagandeep Anand (STScI), Alejandro Benitez-Llambay (Universidade de Milão-Bicocca); Processamento de imagem: Joseph DePasquale (STScI)

Cientistas descobriram um novo tipo de objeto astronômico com a ajuda do Telescópio Espacial Hubble. Trata-se de uma nuvem de matéria escura rica em gás e sem estrelas, considerada uma “relíquia” ou remanescente da formação inicial de galáxias. Apelidada de “Cloud-9”, esta é a primeira detecção confirmada de tal objeto no universo.

O objeto é chamado de Reionization-Limited H I Cloud, ou “RELHIC”. O termo “H I” refere-se a hidrogênio neutro, e “RELHIC” descreve uma nuvem natal de hidrogênio dos primeiros dias do universo, um fóssil remanescente que não formou estrelas. Por anos, cientistas procuraram evidências de tal objeto teórico fantasma. Foi só ao direcionarem o Hubble para a nuvem, confirmando que ela é de fato sem estrelas, que encontraram respaldo para a teoria.


“Esta é a história de uma galáxia que falhou”, disse o pesquisador Alejandro Benitez-Llambay da Universidade Milano-Bicocca em Milão, Itália. “Na ciência, geralmente aprendemos mais com os fracassos do que com os sucessos. Neste caso, não ver estrelas é o que prova a teoria correta. Isso nos diz que encontramos no universo local um bloco de construção primordial de uma galáxia que não se formou.”

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“Esta nuvem é uma janela para o universo escuro”, disse outro membro da equipe de cientistas, Andrew Fox, da Associação de Universidades para Pesquisa em Astronomia/Instituto de Ciência do Telescópio Espacial (AURA/STScI) para a Agência Espacial Europeia. “Sabemos pela teoria que a maior parte da massa do universo é esperada ser matéria escura, mas é difícil detectar esse material escuro porque ele não emite luz. Cloud-9 nos dá um raro vislumbre de uma nuvem dominada por matéria escura”, acrescentou.


Astrônomos acreditam que os RELHICs são nuvens de matéria escura que não conseguiram acumular gás suficiente para formar estrelas. Eles representam uma janela para os estágios iniciais da formação de galáxias. Cloud-9 sugere a existência de muitas outras pequenas estruturas dominadas por matéria escura no universo — outras galáxias que falharam.

Cientistas estudaram nuvens de hidrogênio próximas à Via Láctea por muitos anos, mas essas nuvens tendem a ser muito maiores e mais irregulares que Cloud-9. Comparada com outras nuvens de hidrogênio observadas, Cloud-9 é menor, mais compacta e altamente esférica, tornando-a muito diferente das outras.


O núcleo deste objeto é composto de hidrogênio neutro e tem cerca de 4.900 anos-luz de diâmetro. Os pesquisadores mediram o gás hidrogênio em Cloud-9 pelas ondas de rádio que emite, medindo-o em aproximadamente um milhão de vezes a massa do Sol. Assumindo que a pressão do gás está equilibrando a gravidade da nuvem de matéria escura, o que parece ser o caso, os pesquisadores calcularam que a matéria escura de Cloud-9 deve ser cerca de cinco bilhões de massas solares.

Cloud-9 é um exemplo de estruturas e mistérios que não envolvem estrelas. Apenas olhar para estrelas não dá o quadro completo. Estudar o gás e a matéria escura ajuda a fornecer um entendimento mais completo sobre o que está acontecendo nesses sistemas que de outra forma seriam desconhecidos.


Essa descoberta fornece novos insights sobre os componentes escuros do universo que são difíceis de estudar através de observações tradicionais, que focam em objetos brilhantes como estrelas e galáxias. Ela avança a compreensão sobre a formação de galáxias, o universo primordial e a natureza da matéria escura em si.

Os resultados desse estudo foram publicados na revista científica The Astrophysical Journal Letters.

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