Internacional Ucrânia diz que teto imposto por potências ao preço do petróleo 'destruirá' a economia da Rússia

Ucrânia diz que teto imposto por potências ao preço do petróleo 'destruirá' a economia da Rússia

União Europeia, G7 e Austrália chegaram a um acordo para impor um preço máximo de 60 dólares por barril de petróleo russo

AFP
Resumindo a Notícia
  • Medida entrará em vigor na segunda-feira (5) juntamente com um embargo da UE

  • A Polônia, uma aliada próximo da Ucrânia, queria que a UE impusesse um teto muito mais baixo

  • Bombardeios russos contra infraestruturas energéticas deixam milhões de pessoas sem luz

  • Putin estimou que atentados se tornaram 'necessários e inevitáveis' diante de 'provocações'

Navio-tanque Vladimir Arsenyev no terminal de petróleo bruto Kozmino, na Rússia

Navio-tanque Vladimir Arsenyev no terminal de petróleo bruto Kozmino, na Rússia

Tatiana Meel/Reuters - 12.08.2022

A economia da Rússia será "destruída" pelo teto imposto pelas potências ocidentais ao preço do barril de petróleo russo, afirmou neste sábado (3) a presidência da Ucrânia.

"Sempre alcançamos nosso objetivo e a economia da Rússia será destruída. A Rússia terá que assumir a responsabilidade por todos os seus crimes", afirmou no Telegram o chefe de gabinete da presidência ucraniana, Andriy Yermak.

Os 27 países da União Europeia (UE), o G7 e a Austrália chegaram a um acordo na última sexta-feira (2) para impor um preço máximo de 60 dólares por barril de petróleo russo, uma medida inédita com a qual pretendem privar Moscou de uma importante fonte de financiamento para a invasão da Ucrânia.

A medida entrará em vigor na próxima segunda-feira (5), juntamente com um embargo da UE ao petróleo russo, em uma nova reviravolta nas sanções impostas pelo Ocidente contra a Rússia desde que o presidente Vladimir Putin ordenou que suas tropas invadissem a Ucrânia em 24 de fevereiro.

O G7 (Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Japão) garantiu que pretende desta forma “impedir que a Rússia obtenha lucros com a sua guerra agressiva contra a Ucrânia” e “apoiar a estabilidade nos mercados energéticos mundiais”.

A Casa Branca disse que o acordo europeu "ajudará a limitar a capacidade de Putin de lucrar com o mercado de petróleo para financiar uma máquina de guerra que continua a matar ucranianos inocentes".

A Polônia, um aliado próximo da Ucrânia, queria que a UE impusesse um teto muito mais baixo para acelerar a demolição da economia russa, e Yermak lamentou que isso não tivesse acontecido. “Teria que cair para 30 dólares o barril para destruí-la mais rapidamente”, escreveu.

Bombardeios "inevitáveis"

Os bombardeios russos contra as infraestruturas energéticas da Ucrânia privaram milhões de famílias de luz, água e aquecimento, em um momento de rápida queda das temperaturas devido à chegada do inverno boreal.

Putin estimou que esses atentados se tornaram "necessários e inevitáveis ​​diante dos ataques provocativos em Kiev", disse o Kremlin ao relatar na sexta-feira uma conversa entre o presidente russo e o chefe do governo alemão, Olaf Scholz.

Segundo Putin, a Ucrânia é responsável pelas explosões que destruíram parcialmente a ponte russa na Crimeia no início de outubro e, portanto, Moscou tem o direito de bombardear a infraestrutura de energia ucraniana.

Putin reclamou novamente com Scholz sobre o apoio financeiro e militar ocidental à Ucrânia, que permitiu à ex-república soviética infligir derrotas humilhantes à Rússia no maior conflito europeu desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O presidente dos EUA, Joe Biden, disse na quinta-feira que estava "disposto a conversar" com Putin, mas apenas se o líder russo buscasse "uma maneira de acabar com a guerra" e retirar suas tropas do país.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que a Rússia rejeitou essas condições. "A operação militar especial vai continuar", insistiu, usando a terminologia oficial da Rússia para se referir à ofensiva na Ucrânia.

A Ucrânia rejeita qualquer negociação com Putin se sua integridade territorial não for respeitada, o que inclui a península da Crimeia, anexada por Moscou em 2014.

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