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Venezuela: inflação volta a assombrar e agora atinge até 'ricos', que sofrem para comprar comida

Com salário médio mensal de R$ 720, categorias que tinham maior segurança alimentar se desdobram para fazer três refeições por dia

Internacional|Do R7, com Reuters


Venezuela: falta de comida na mesa é realidade
Venezuela: falta de comida na mesa é realidade

Como muitos venezuelanos, Lourdes Villarroel aprendeu a sobreviver com diferentes fluxos de renda compostos de uma colcha de retalhos. O dinheiro que recebe todos os meses vem do salário como professora, bicos como cabeleireira e o trabalho de atriz no teatro. Mas tudo isso já não é suficiente.

A inflação galopante devora a renda dos venezuelanos — até mesmo dos privilegiados que têm acesso aos dólares americanos. Esse cenário deixa a população com fome e com dificuldades extremas para comprar comida e remédios, de acordo com venezuelanos ouvidos pela Reuters.

A fome é um fantasma familiar na Venezuela, que sofreu anos de hiperinflação na segunda metade da década passada, quando o governo do presidente Nicolás Maduro imprimiu dinheiro para pagar suas dívidas em meio à desaceleração dos preços do petróleo.

Muitos venezuelanos foram deixados vasculhando o lixo para encontrar comida, e milhões fugiram do país para construir novas vidas na América do Sul e em outros países.

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Manifestantes pedem: "Salário mínimo para Maduro para que ele saiba como é duro"
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Maduro relaxou os controles cambiais em 2019, permitindo uma dolarização de fato. Combinada com políticas econômicas ortodoxas, incluindo limitar a expansão do crédito, reduzir gastos públicos e aumentar impostos, a inflação caiu para um dígito por cerca de um ano.

Mas, no fim de 2022, o crescimento dos preços ao consumidor na Venezuela começou a acelerar acentuadamente. Enquanto países de todo o mundo lutam contra a inflação após a pandemia, o aumento dos preços na Venezuela foi estimulado pela crescente demanda por dólares, aumento dos gastos do governo e enfraquecimento do bolívar. Essa combinação gera o medo de uma nova era de hiperinflação.

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Os preços subiram mais de 37% em dezembro em relação ao mês anterior, segundo um grupo não governamental de economistas que calcula indicadores na ausência de dados oficiais e que estimou a inflação de 2022 em mais de 300%.

Mesmo os venezuelanos que se beneficiaram da dolarização por meio de remessas ou pagamentos de salários estão sendo atingidos pelos preços mais altos, enquanto aqueles que ganham em bolívares viram seus magros ganhos caírem ainda mais.

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Venezuela: fantasma da inflação faz quatro em cada dez pularem uma refeição

Salários na Venezuela

O salário mensal do setor privado é em média de US$ 139 (cerca de R$ 720) e os salários do setor público estão em torno de US$ 14 por mês (pouco mais de R$ 70), de acordo com o Observatório Venezuelano de Finanças, enquanto os gastos mensais médios de uma família atingem cerca de US$ 370 por mês (R$ 1.910).

"As pessoas não vão às lojas porque não podem comprar nada além de comida, os preços dos alimentos sobem todos os dias", disse a economista e consumidora Jenny Figueredo.

Oscar Iochunga, de 66 anos, vende legumes em uma feira livre na capital, Caracas, mas vê a demanda cair a cada semana porque as pessoas limitam suas compras.

"Com a situação atual e o dólar, a alta, o bolívar se desvalorizou, então parece que as pessoas estão comprando muito menos do que antes", disse Lochunga, sentado em frente à sua banca.

Cerca de 50% das famílias venezuelanas vivem na pobreza, de acordo com uma pesquisa nacional realizada pela Universidade Católica Andrés Bello, e 41% dos entrevistados disseram que pulam uma refeição por dia.

Segundo Villarroel, a professora do início da reportagem, alguns de seus colegas não têm dinheiro para jantar todos os dias.

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