Internacional Viúva pede que 'luta' de presidente assassinado do Haiti continue

Viúva pede que 'luta' de presidente assassinado do Haiti continue

Martine Moise pediu, após ser baleada junto ao marido Jovenel Moise morto na última quarta (7),  que o país não 'perca o prumo'

  • Internacional | Da AFP

Jovenel Moise morto na última quarta-feira (7) ao lado de Martine Moise

Jovenel Moise morto na última quarta-feira (7) ao lado de Martine Moise

Jeanty Junior Augustin/Reuters

Martine Moise, viúva do presidente do Haiti assassinado na quarta-feira (7), Jovenel Moise, fez neste sábado (10) suas primeiras declarações públicas desde o ataque, nas quais pediu a seu país que não "perca o rumo".

As palavras de Martine Moise chegam três dias depois que ela foi levada de avião a um hospital de Miami para ser tratada pelos graves ferimentos sofridos na manhã de quarta-feira, quando homens armados invadiram a casa da família em Porto Príncipe, capital do Haiti, um país que vê sua crise política se agravar sem um plano de sucessão claro no horizonte após o assassinato.

"Estou viva, graças a Deus", disse Martine Moise em uma mensagem de áudio em crioulo publicada em sua conta oficial no Twitter, e verificada como autêntica pela AFP por meio do ministro haitiano da Cultura e Comunicações, Pradel Henriquez.

"Em um piscar de olhos, os mercenários entraram em minha casa e crivaram meu marido de balas... Sem nem mesmo dar a ele a chance de dizer uma palavra", contou.

De acordo com as autoridades haitianas, um esquadrão de 28 homens (26 colombianos, muitos deles soldados aposentados, e dois haitiano-americanos) invadiu e abriu fogo contra o casal em sua residência.

As autoridades do país prenderam 17 dos agressores e mataram pelo menos três outros. Os outros seguem foragidos, segundo a polícia.

Até agora, nenhum motivo foi divulgado, e há dúvidas sobre quem pode ter sido o mentor do crime.

Martine Moise indicou uma variedade de razões possíveis: disse que os assassinos teriam sido enviados por pessoas que não gostaram dos planos de seu marido de fornecer "estradas, água e eletricidade, um referendo (constitucional) e eleições até o final do ano".

Sugeriu que talvez os responsáveis pelo assassinato "não queiram ver uma transição no país".

"Estou chorando, é verdade, mas não podemos deixar o país se perder", disse els. "Não podemos permitir que seu sangue... Tenha sido derramado em vão."

Sem rumo claro

O assassinato de Moise lançou ao caos um já instável Haiti, o país mais pobre da América.

A comunidade internacional apelou pela realização das eleições presidenciais e legislativas marcadas para o final deste ano.

Quanto à transição, o primeiro-ministro interino Claude Joseph disse que continua no comando.

Mas um grupo de senadores, com o suporte de partidos de oposição, apoia o plano de designar o líder do Senado, Joseph Lambert, como presidente provisório, com Ariel Henry como o novo primeiro-ministro, um cargo que Moise já havia lhe dado no início da semana.

Não está claro como Lambert poderia executar seu plano e, por enquanto, Joseph parece ter a polícia e outras forças de segurança ao seu lado.

"A Constituição é clara: tenho que organizar eleições e passar o poder para outra pessoa que seja eleita", afirmou Joseph em uma entrevista transmitida neste sábado pela CNN.

Autoridades americanas dizem que Porto Príncipe pediu a Washington "assistência em termos de segurança e investigação" e que agentes do FBI já foram enviados.

Segundo um ministro haitiano, tropas também foram solicitadas, mas um alto funcionário do governo dos EUA disse à imprensa americana que o envio de tropas está descartado.

Em Porto Príncipe, as empresas reabriram lentamente e as pessoas voltaram às ruas neste sábado. Mais de 200 pessoas preocupadas com o futuro incerto do país procuraram a embaixada dos Estados Unidos nos subúrbios da capital na esperança de obter asilo político, com seus passaportes e outros documentos em mãos.

"Se o presidente pode ser assassinado aqui, eu - um simples cidadão - não vou me salvar. Tenho que pedir asilo para buscar uma vida melhor em outro lugar", disse Louis Limage à AFP em frente ao prédio.

Quanto a Martine Moise, ela prometeu se relacionar com os haitianos por meio do Facebook "em um futuro próximo". "Não vou abandonar você", garantiu.

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