Jovem de periferia do Rio alia tecnologia e matemática para disseminar conhecimento
Após vencer a Olimpíada de Matemática em 2012, Pietro Pepe viu seu destino mudado

Com um bom desempenho em matemática durante o ensino fundamental e médio, Pietro Pepe, 22 anos, mal imaginava o que o conhecimento lhe proporcionaria. Estudante de engenharia da computação na PUC-Rio, o rapaz sonha em encontrar novas metodologias para a educação de base e espera lançar mão da tecnologia para isso.
Medalhista da OBMEP em 2012, aos 16 anos, Pietro começou a ter um olhar diferente sobre a matemática durante seu curso técnico em programação. Em uma de suas buscas pela internet, ele se deparou com um site que unia o desenvolvimento de programas com cálculos matemáticos e foi, então, que se viu fascinado pela disciplina.
A partir daí a busca pelo conhecimento só crescia. Graças a algumas vagas extras oferecidas a alunos com bom desempenho, ele teve a oportunidade de fazer uma iniciação científica quando ainda estava no segundo ano do ensino médio. O tema, astrofísica: “Estudava as galáxias mais próximas para compreender as mais distantes”, conta. E este foi apenas o impulso para que sua sede por conhecimento surgisse.
Ainda no segundo ano do ensino médio, Pietro prestou vestibular e passou em quatro faculdades. Mas o fato de não ter concluído o ensino médio não foi um empecilho para que ele deixasse o ensino superior de lado. Após estudar uma brecha na lei, a mãe do rapaz descobriu que ele poderia cursar os dois níveis ao mesmo tempo. E foi assim que, por um ano, fez o ensino médio, faculdade e seu curso técnico. “Não recomendo”, brinca Pietro que acabou por abandonar a formação em programação.

Mudança de rumo
Como jovem da periferia do Rio de Janeiro, era quase impossível imaginar o que o futuro lhe reservava. Mas Pietro nunca focou em seus obstáculos. Sua mudança de visão se deu, principalmente, quando ele percebeu que vivia em uma região em que o conhecimento não era perpetuado entre as gerações. “Sou uma pessoa 100% a favor da meritocracia. Comecei a pensar que se você realmente investe consegue chegar”, explica.
Estimulado pela avó a praticar exercícios matemáticos em seu momento de descanso sem pretensão alguma e inspirado pela mãe que conseguiu a formação em letras após uma infância difícil, o jovem buscou trilhar o seu caminho em busca de seus sonhos. Após iniciar a faculdade, ele percebeu que a programação ainda fazia parte de seus planos e trocou a matemática pela Engenharia da Computação.
No entanto, sua paixão pelo conhecimento não permitiu que ele ficasse parado. Pietro buscou por projetos que permitissem que ele usasse seu conhecimento para levar melhorias à população, participando da criação de programas que buscam facilitar o serviço de cartórios, por exemplo.
Conhecimento em movimento
Devido a sua facilidade com as disciplinas de exatas, Pietro trabalha desde os 17 anos em cursos preparatórios comunitários. E a rotina agitada da faculdade e dos projetos que participa não impediram que ele continuasse atuando neste segmento. Defensor ferrenho de uma educação de base mais tecnológica, ele ainda sonha com um dia em que educação e tecnologia estejam mais ligados.
“Muita coisa mudou, mas a sala de aula continua a mesma”, explica Pietro que já tem planos para mudar isso. Apaixonado por games, ele estuda criar um jogo que permita aliar diversão com matemática de base mostrando que as operações praticadas na disciplina não são os monstros que parecem: “Uma coisa que quero fazer de fato é impactar a educação usando a tecnologia”.
