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JR 24H

COP30: Negociações sobre combustíveis fósseis seguem indefinidas

Conferência segue marcada por reuniões a portas fechadas e protestos sociais

Boletim JR 24H|Do R7

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O último dia da maior conferência climática sediada no Brasil começou sob a sombra de dúvida. O presidente da COP30, o brasileiro Correa do Lago, adotou tom de alerta: "Ou o mundo, aqui representado, chega a um consenso e reafirma o Acordo de Paris, ou sairemos todos perdendo", declarou o embaixador. Ele convocou uma reunião de alto nível a portas fechadas para decidir o texto do chamado Mutirão de Belém, enquanto a conferência ficava marcada tanto pela cordialidade diplomática quanto por episódios de conflito, como a tentativa de invasão da “blue zone” que levou à primeira evacuação por razões de segurança. Do lado de fora, indígenas e ambientalistas realizaram protestos diários, culminando em uma marcha de 70 mil pessoas pelas ruas de Belém. 

Dentro da área restrita da conferência, porém, as negociações travavam. Apesar do entusiasmo inicial pelas doações ao novo fundo Florestas Tropicais para Sempre, não houve avanço sobre dois pontos centrais: quem deve pagar pela crise climática e quem está disposto a cortar drasticamente o uso de petróleo, gás e carvão. A ausência dos Estados Unidos aumentou a tensão, e nem a volta do presidente Lula, que reiterou que “os países ricos precisam ajudar os países pobres”, conseguiu destravar os impasses. Brasil e União Europeia formaram rapidamente uma frente pela definição de metas para o fim da dependência dos combustíveis fósseis, enquanto europeus alertaram que não haveria novos recursos sem um compromisso firme de redução dos fósseis, responsáveis por 80% das emissões globais. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou repetidamente que “não há solução se não houver simultaneamente uma transição justa dos combustíveis fósseis para as energias renováveis”, mas enfrentou resistência de países como Arábia Saudita, China e Índia. Horas após seu apelo mais contundente, um incêndio no penúltimo dia da conferência paralisou as negociações por seis horas e aumentou a incerteza sobre o desfecho da COP30. Na madrugada do último dia, o Brasil apresentou uma segunda versão do texto do mutirão, que novamente evitou abordar a defesa do fim dos fósseis, levando as decisões sobre o futuro climático de volta às reuniões a portas fechadas. 


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