Estudo mostra as evidências sobre ganhos salariais das bolsas da Fapesp
Pesquisa evidencia que as bolsas tiveram, em média, impacto positivo de 4,5% no salário-hora de ex-bolsistas
The Conversation|Daniel Gama e Colombo
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Bolsas de pesquisa têm um papel essencial no fomento à ciência no Brasil. Embora seus benefícios sejam amplamente reconhecidos, os ganhos privados das bolsas ainda não são muito bem compreendidos.
Entender esses retornos é crucial, já que bolsistas frequentemente deixam o mercado de trabalho ou reduzem suas atividades profissionais para se dedicar à pesquisa.
À luz dessa lacuna, desenvolvemos um estudo no Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que apresenta evidências sobre os retornos salariais de bolsistas da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) em diferentes níveis.
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No Brasil, as bolsas de pesquisa constituem uma fonte importante de financiamento para os alunos de pós-graduação.
Em 2023, aproximadamente 40% dos doutorandos e 30% dos mestrandos em programas acadêmicos recebiam bolsas da CAPES.
No estado de São Paulo (SP), a Fapesp complementava esse fomento com cerca de 3,7 mil bolsas de mestrado e doutorado no mesmo ano.
A pesquisa analisou indivíduos que solicitaram bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado da Fapesp entre 2007 e 2018.
Seus empregos e salários em universidades, governo e no setor privado foram examinados três anos antes e dez anos após a concessão.
Os resultados mostram que as bolsas tiveram impacto positivo nos rendimentos futuros.
O efeito médio foi de cerca de 4,5% no salário-hora dos ex-bolsistas, considerando todos os setores da economia.
Por nível, o maior retorno ocorreu nas bolsas de doutorado (7,5%), seguido pelas de pós-doutorado (4%). Os ganhos foram menores nas bolsas de iniciação científica e mestrado (3%).
Também foi identificado que os efeitos cresceram nos dois primeiros anos após a bolsa e não declinaram até o décimo.
Esses resultados referem-se a bolsistas que não tinham emprego antes da bolsa. Mas, segundo o estudo, os retornos para aqueles sem experiência profissional devem ser iguais ou superiores.
Rendimentos futuros
Há diferentes explicações para a influência das bolsas sobre os rendimentos futuros.
Um fator central é o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades. As bolsas oferecem um “espaço protegido” para a dedicação integral à pesquisa.
E, com esse financiamento, os pesquisadores aprendem a desenvolver agendas de longo prazo e aprimoram a gestão de seus trabalhos. Essas competências tendem a aumentar a produtividade e, potencialmente, a remuneração.
Além disso, em bolsas competitivas como as da Fapesp, o sucesso na seleção sinaliza prestígio e excelência científica, ampliando as chances de melhores remunerações.
Outros canais de impacto incluem a expansão da rede de contatos acadêmicos e o aprendizado sobre como captar novos financiamentos.
Estudo reuniu 100 mil profissionais
Para compreender os resultados, é importante levar em consideração o mercado de pesquisadores em São Paulo e as regras das bolsas da Fapesp.
O sistema paulista de ciência e tecnologia é o mais desenvolvido do país. O estado reúne cerca de 100 mil profissionais atuando em atividades relacionadas à pesquisa e desenvolvimento e mais de 6 milhões empregados em setores intensivos em conhecimento.
Além disso, a concorrência pelas bolsas regulares da Fapesp é elevada, e a seleção rigorosa as distingue de outras bolsas no país.
Por fim, os bolsistas da Fapesp recebem valores e benefícios específicos (como as taxas de bancada) e seguem regras próprias, como dedicação integral à pesquisa e a entrega de relatórios periódicos.
Trata-se do primeiro estudo que evidencia os ganhos salariais das bolsas de pesquisa no Brasil. Por isso, seus resultados servem como referência para futuras pesquisas sobre outras agências de fomento e regiões.
Os resultados reforçam a relevância do financiamento de estudantes e pesquisadores, destacando os retornos positivos para os bolsistas, com ganhos que podem atrair novos estudantes para carreiras científicas.
Ademais, o estudo oferece conclusões importantes para aperfeiçoar as bolsas de pesquisa no país, chamando atenção para a importância da concorrência na seleção e os benefícios da dedicação integral à pesquisa.
Daniel Gama e Colombo não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.












