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MP apura denúncias contra empresa responsável por fazer auditorias médicas para planos de saúde

Denúncias apontam que a AdviceHealth utiliza profissionais não qualificados para autorizar procedimentos médicos

JR na TV|Do R7

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O Ministério Público Federal apura denúncias contra uma empresa responsável por fazer auditorias médicas para planos de saúde. Segundo relatos de ex-funcionários e de pacientes, a AdviceHealth, com sede em Santa Catarina, automatiza avaliações e usa profissionais sem formação médica para autorizar ou negar exames e cirurgias. Depois de passar por uma cirurgia de urgência para tratar uma hérnia de disco, o médico marcos serra recebeu um comunicado do plano de saúde. Era a cobrança do procedimento.  

Segundo a operadora, a técnica usada não estava entre os procedimentos autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS. Por ironia, o doutor Marcus fez parte da equipe médica que implantou a cirurgia de coluna por vídeo no Brasil. Ele também participou do processo que levou a inclusão da técnica na lista de procedimentos da ANS.  

Yasmim relata ter passado por situação parecida. Com problemas nos rins, ela teria que fazer quatro sessões de hemodiálise por semana, mas o plano de saúde não autorizou: "Eu tinha uma dor de cabeça muito forte e me internaram no hospital. Nisso, toda essa loucura de o rim parado, eu necessitei sempre do auxílio do convênio". A forma com que convênios médicos autorizam ou negam procedimentos tem gerado críticas de pacientes e especialistas.  

Parte das queixas é contra a AdviceHealth, uma empresa de consultoria contratada por planos de saúde para analisar pedidos dos médicos. A suspeita é que a empresa, que tem sede em Florianópolis, Santa Catarina, estaria usando um sistema automático para fazer as avaliações e profissionais sem habilitados para emitir os laudos. As denúncias partiram não só de pacientes, mas também de ex-funcionários da empresa. Um dos casos já foi encaminhado ao Ministério Público Federal.  

Em nota o MPF informou que já pediu informações à Agência Nacional de Saúde suplementar e ao Conselho Federal de Medicina para dar andamento à investigação. A denúncia foi apresentada pela Aliança Nacional em Defesa da Ética em Saúde Suplementar. O documento com 71 páginas, descreve a rotina de funcionários da AdviceHealth, responsáveis pela avaliação dos pedidos médicos. Uma das situações relatadas no documento mostra que uma funcionária, contratada como assistente de custos, ou seja, sem qualquer relação com enfermagem ou medicina, deveria analisar 222 processos em apenas quatro dias.  

Na conclusão da denúncia, o documento fala sobre a gravidade das denúncias, como a demora no atendimento de pessoas com câncer ou quando pacientes que precisam de próteses específicas têm que aceitar alternativas inadequadas em decisões que afetam diretamente a saúde das pessoas e pede medidas urgentes dos órgãos competentes. Já o caso da Yasmin, foi parar na Justiça e um ano depois, ela ganhou a causa contra o plano de saúde.  

Em nota, a AdviceHealth diz que todos os pareceres são feitos por médicos especializados. A empresa alega também que elabora análises a partir da avaliação individualizada das informações e que não emite pareceres automatizados e genéricos. O Conselho Federal de Medicina informou que tem o conhecimento das denúncias, mas que a apuração cabe aos conselhos regionais. Em nota, a AdviceHealth diz que todos os pareceres são feitos por médicos especializados.  

A empresa alega também que elabora análises a partir da avaliação individualizada das informações e que não emite pareceres automatizados e genéricos. Já o Conselho Federal de Medicina diz que está sabendo da denúncia, mas não vai se manifestar porque cabe aos conselhos regionais a instauração dessas sindicâncias. O Conselho Regional de Medicina do estado de Santa Catarina disse que apura uma denúncia relacionada a empresa, mas não pode se manifestar publicamente sobre o andamento do caso. Até o momento, relata que não recebeu qualquer notificação do Ministério Público Federal.  

O conselho do Rio de Janeiro informa que não há denúncia envolvendo a empresa citada, mas reforça que todo cidadão que identificar falhas na assistência médica deve registrar denúncia. O conselho de Minas Gerais diz não ter recebido reclamações contra a empresa, mas esclarece que, segundo as leis, fiscaliza e julga atuação de médicos e não de instituições. 


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