Mistério: por que os 160 ganhadores da Mega não levaram R$ 54 milhões
Record TV encontra o apostador do bolão que ganhou o prêmio três vezes

Foi no supermercado Ayumi, em Parelheiros, extremo sul de São Paulo, que um grupo de 161 apostadores se uniu em volta de um caderno e incontáveis números para tentar vencer a tão cobiçada Mega-Sena da Virada. O que ninguém esperava é que um erro humano, a repetição de três apostas iguais, faria com que o grupo ganhasse três partes do maior prêmio já registrado no Brasil.
A 290 metros de distância do supermercado, as apostas foram levadas até a Lotérica Parelheiros. Mas, segundo a Caixa Econômica, o jogo não foi feito em formato de bolão, e três bilhetes foram registrados com os mesmos números: 03, 06, 10, 17, 34, 37. Essa combinação, repetida por três vezes, rendeu R$ 54 milhões.
A produção da Record TV visitou o local e desvendou parte do mistério por trás da incrível história que deve mudar a vida de todos os funcionários — mas só quando eles receberem o valor. Osvaldo* (nome fictício), o homem que organizou o bolão, deveria receber o valor total (cerca de R$ 54 milhões) e fazer o repasse para os outros 160 participantes, mas ainda não distribuiu o dinheiro. São mais de R$ 300 mil para cada participante. O mistério, por enquanto, não tem fim.
Assim que os moradores de Parelheiros ficaram sabendo que três apostas feitas na mesma lotérica acertaram os números da Mega-Sena da Virada, um reboliço tomou conta de um dos bairros mais afastados e humildes de São Paulo. Todos queriam saber quem eram os mais novos milionários. Mas o que parecia uma história incrível ganha cada vez mais ares preocupantes e roteiro de suspense.
A produção da Record TV foi até o supermercado Ayumi, localizado na Estrada da Colônia, para descobrir se o ganhador realmente trabalhava no local. Durante duas semanas, conversamos com diversas pessoas.
A reportagem feita pelo jornalismo da Record apurou que 161 pessoas, incluindo o homem que organizou o bolão, acabaram participando do jogo e são os vencedores do prêmio milionário. Cada uma dessas pessoas escreveu o nome em um caderno e pagou R$ 23 para entrar no bolão. Além de boa parte dos funcionários do mercado, pelo menos três comerciantes e funcionários desses comércios também ganharam uma parte do prêmio.

Do açougue que fica dentro do supermercado, só um jovem evangélico, Edson, de 19 anos e que está noivo, ficou de fora. Em entrevista para a Record, ele confirmou a história e disse, com os olhos cheios de lágrimas, que não entrou no bolão por motivos religiosos.
O apostador
Boa parte do mistério envolve uma figura conhecida no local. Osvaldo, chefe de um setor do mercado, é o organizador do bolão. Até a tarde da última terça-feira (16), ele não havia repartido o prêmio com os outros apostadores. Osvaldo continuava trabalhando no mercado e não quis dar mais detalhes para a Record sobre o que estava acontecendo.
A atitude do funcionário do mercado fez com que diversos boatos começassem a circular pelo bairro. Pessoas próximas aos ganhadores alegam que o prêmio não foi distribuído até agora porque o nome de Osvaldo estaria sujo e a Caixa não teria aceitado fazer o pagamento nessas condições. Alguns dos vencedores já estão duvidando dessa versão e já trabalham com a possibilidade de levar o caso para a polícia.
Osvaldo pediu para não ser incomodado, mas contou que a história já está dando “muita dor de cabeça”. Por enquanto, preferiu não falar nada além de prometer pagar o prêmio a todos os apostadores como havia se comprometido a fazer. Enquanto 160 apostadores e um bairro inteiro esperam a resolução de um dos casos mais emblemáticos da história da Mega-Sena, Osvaldo tomava tranquilamente uma cerveja durante o horário de almoço, ao lado do supermercado.
