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Mistério: por que os 160 ganhadores da Mega não levaram R$ 54 milhões

Record TV encontra o apostador do bolão que ganhou o prêmio três vezes

|Leandro Sant'Ana, Gérson de Souza e Ricardo Andreoni, da Record TV

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A fachada do mercado Ayumi, onde o bolão de 161 participantes ainda causa polêmica no bairro
A fachada do mercado Ayumi, onde o bolão de 161 participantes ainda causa polêmica no bairro

Foi no supermercado Ayumi, em Parelheiros, extremo sul de São Paulo, que um grupo de 161 apostadores se uniu em volta de um caderno e incontáveis números para tentar vencer a tão cobiçada Mega-Sena da Virada. O que ninguém esperava é que um erro humano, a repetição de três apostas iguais, faria com que o grupo ganhasse três partes do maior prêmio já registrado no Brasil.

A 290 metros de distância do supermercado, as apostas foram levadas até a Lotérica Parelheiros. Mas, segundo a Caixa Econômica, o jogo não foi feito em formato de bolão, e três bilhetes foram registrados com os mesmos números: 03, 06, 10, 17, 34, 37. Essa combinação, repetida por três vezes, rendeu R$ 54 milhões.


A produção da Record TV visitou o local e desvendou parte do mistério por trás da incrível história que deve mudar a vida de todos os funcionários — mas só quando eles receberem o valor. Osvaldo* (nome fictício), o homem que organizou o bolão, deveria receber o valor total (cerca de R$ 54 milhões) e fazer o repasse para os outros 160 participantes, mas ainda não distribuiu o dinheiro. São mais de R$ 300 mil para cada participante. O mistério, por enquanto, não tem fim.

Assim que os moradores de Parelheiros ficaram sabendo que três apostas feitas na mesma lotérica acertaram os números da Mega-Sena da Virada, um reboliço tomou conta de um dos bairros mais afastados e humildes de São Paulo. Todos queriam saber quem eram os mais novos milionários. Mas o que parecia uma história incrível ganha cada vez mais ares preocupantes e roteiro de suspense.


A produção da Record TV foi até o supermercado Ayumi, localizado na Estrada da Colônia, para descobrir se o ganhador realmente trabalhava no local. Durante duas semanas, conversamos com diversas pessoas.

A reportagem feita pelo jornalismo da Record apurou que 161 pessoas, incluindo o homem que organizou o bolão, acabaram participando do jogo e são os vencedores do prêmio milionário. Cada uma dessas pessoas escreveu o nome em um caderno e pagou R$ 23 para entrar no bolão. Além de boa parte dos funcionários do mercado, pelo menos três comerciantes e funcionários desses comércios também ganharam uma parte do prêmio.


Do açougue que fica dentro do supermercado, só um jovem evangélico, Edson, de 19 anos e que está noivo, ficou de fora. Em entrevista para a Record, ele confirmou a história e disse, com os olhos cheios de lágrimas, que não entrou no bolão por motivos religiosos.

O apostador


Boa parte do mistério envolve uma figura conhecida no local. Osvaldo, chefe de um setor do mercado, é o organizador do bolão. Até a tarde da última terça-feira (16), ele não havia repartido o prêmio com os outros apostadores. Osvaldo continuava trabalhando no mercado e não quis dar mais detalhes para a Record sobre o que estava acontecendo.

A atitude do funcionário do mercado fez com que diversos boatos começassem a circular pelo bairro. Pessoas próximas aos ganhadores alegam que o prêmio não foi distribuído até agora porque o nome de Osvaldo estaria sujo e a Caixa não teria aceitado fazer o pagamento nessas condições. Alguns dos vencedores já estão duvidando dessa versão e já trabalham com a possibilidade de levar o caso para a polícia.

Osvaldo pediu para não ser incomodado, mas contou que a história já está dando “muita dor de cabeça”. Por enquanto, preferiu não falar nada além de prometer pagar o prêmio a todos os apostadores como havia se comprometido a fazer. Enquanto 160 apostadores e um bairro inteiro esperam a resolução de um dos casos mais emblemáticos da história da Mega-Sena, Osvaldo tomava tranquilamente uma cerveja durante o horário de almoço, ao lado do supermercado.

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