Aeroporto próximo a importantes atrativos turísticos no interior de MG bate recorde de movimentação
Terminal perto de Tiradentes e São João del-Rei recebeu 164 mil pessoas e 205 toneladas de carga entre janeiro e setembro de 2023
Minas Gerais|Rossini Gomes*, do R7

O Aeroporto Regional da Zona da Mata, em Goianá, no sudeste de Minas Gerais, bateu recorde de movimentação em 2023. Entre janeiro e setembro, foram registrados 164.171 embarques e desembarques, além de 205 toneladas de carga transportadas, segundo a Agência Minas. O terminal, cujo nome oficial é Aeroporto Presidente Itamar Franco, fica próximo a São João del-Rei, Tiradentes e Coronel Xavier Chaves, municípios históricos que oferecem importantes atrativos turísticos aos visitantes.
A movimentação de passageiros no aeroporto, de janeiro a setembro de 2023, supera em nove vezes os números registrados ao longo de 2011, ano em que o terminal começou a operar, com 18.179 pessoas.
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O terminal é considerado a principal opção de transporte aéreo para Juiz de Fora e região, com voos regulares para Confins (MG), Congonhas (SP), Guarulhos (SP) e Viracopos (SP). Ele é mantido por meio da Parceria Público Privada entre o governo mineiro e a Concessionária do Aeroporto da Zona da Mata.
Na avaliação do secretário estadual de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno, o aeroporto serve de exemplo para concessões e parcerias eficientes. "Os números estão aí para comprovar que os contratos em vigor, quando bem administrados, são capazes de contribuir para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais", afirma.
Atrativos turísticos na região
• SÃO JOÃO DEL-REI

A 178 km do aeroporto, São João del-Rei abriga a igreja de São Francisco de Assis, construída em 1749 sob o projeto de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. No local está o túmulo de Tancredo Neves, político natural da cidade eleito pelo Congresso Nacional presidente do Brasil em 1985 por eleição indireta. Neves morreu em 21 de abril do mesmo ano (dia de Tiradentes), aos 75 anos, antes de tomar posse.
Também chama a atenção dos visitantes o Córrego do Lenheiro, que corta todo o município. Ao longo de suas margens há prédios históricos da cidade, como o Theatro Municipal em estilo greco-romano (inaugurado em 1839), além do Museu Regional e ex-Casarão do Comendador João Antônio da Silva Mourão (concluído em 1859). Existem roteiros guiados que ajudam o visitante a conhecer melhor o local, a exemplo do que faz a Walking Tour Del Rei.
Como destaque, São João oferece o passeio turístico de Maria Fumaça, trem a vapor mais antigo em operação no país. Inaugurada em 1881 com a presença de Dom Pedro II, a estação ferroviária de São João del-Rei faz parte da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas e chegou a ter 602 km.
Do complexo ferroviário do município, tombado como patrimônio histórico em 1989, atualmente restam 12 km de trilho, num trajeto até o município vizinho de Tiradentes. A viagem permite ao passageiro experimentar a opção de deslocamento que surgiu no século 19.
• TIRADENTES

Após cerca de 20 minutos viajando no trem, percorrendo parte do rio das Mortes, o visitante chega a Tiradentes, cidade cujo nome tem origem no apelido dado a Joaquim José da Silva Xavier. O militar, dentista e ativista político ficou conhecido por participar da Inconfidência Mineira, revolta no século 18 que pretendia separar a então capitania de Minas Gerais da Coroa Portuguesa.
Tiradentes oferece uma variedade de opções gastronômicas, com queijos e doces de produtores locais, além de outras iguarias. No Ateliê Gastronômico Tiradentes e no Tragaluz Restaurante Casa, por exemplo, chefes como Higor Braga e Felipe Rameh, respectivamente, oferecem pratos que exploram os típicos sabores mineiros.
Tiradentes é ladeada pela serra de São José, patrimônio natural situado na microrregião do Campo das Vertentes, que tem remanescências da mata atlântica e que pode ser vista de quase todos os pontos da cidade. De acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, "estima-se que a região abriga cerca de 120 espécies de libélulas", o que representa quase 50% de todas as variedades conhecidas no estado e cerca de 18% das encontradas no Brasil.
Além de Tiradentes e São João del-Rei, a Área de Proteção Ambiental (APA) São José está localizada em partes dos municípios de Prados, Santa Cruz de Minas (o menor em extensão territorial do país, com 3,56 km², segundo o IBGE) e Coronel Xavier Chaves.
• CORONEL XAVIER CHAVES

Vizinha a Tiradentes, a cidade de Coronel Xavier Chaves abriga o engenho Boa Vista, o mais antigo do Brasil, em funcionamento desde 1717. O local, onde é produzida cachaça, é administrado pela mesma família desde 1755. A bebida foi premiada como a quinta melhor cachaça do país em um ranking bienal, no ano passado.
O administrador do engenho, Luiz Fernando Silva de Resende Chaves, de 61 anos, diz que a bebida é produzida em 30 horas, desde a moagem da cana-de-açúcar até o momento em que fica pronta para consumo.
"Nossa cachaça é branca, porque, como diz meu pai, 'ela não tem vergonha de ser cachaça'. Mesmo o nosso produto mais velho, de 20 anos, continua branco, porque ele não passa por nenhum processo de transformação artificial. O álcool penetra na célula vegetal e rompe a membrana nuclear da célula, extraindo dela o seu interior. Então, se o líquido estiver guardado numa madeira, ele vai carregar características de cor, cheiro e sabor da madeira, e não mais da cachaça", detalha.
Fernando Chaves tem ajuda do filho no processo de produção. Já são nove gerações da família no engenho Boa Vista. Este ano, além de visitantes de todas as regiões do Brasil, o local recebeu turistas de outros países como África do Sul, Alemanha, Chile, Egito, Estados Unidos, França, Holanda, Honduras, Inglaterra, Irlanda, Itália, Portugal, Suécia e Uruguai.
O dono do engenho e pai de Fernando, Rubens Resende Chaves, de 90 anos, é bisneto de um coronel que deu nome ao município e que foi bisneto da irmã mais nova de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Além disso, ele é casado com Cida Chaves, de 87 anos. Ela escrevia os discursos de Risoleta Neves, esposa do presidente eleito Tancredo Neves.

Também em Coronel Xavier Chaves é possível encontrar a fazenda Bonanza, onde são produzidos queijos artesenais. Responsável pela produção desde 2020, a zootecnista Mariana Coelho Campos, que trabalhou numa multinacional de bebidas e alimentos lácteos em São Paulo, já recebeu três prêmios.
No ano passado, ela ganhou medalha de ouro pela produção de queijo tipo frescal e de bronze pelo queijo meia cura no 2º Concurso de Queijos e Produtos Lácteos, em São Paulo. Neste ano, na ExpoQueijo, em Araxá (MG), a zootecnista recebeu outra medalha de bronze pelo queijo tipo meia cura.
"E agora a gente vai buscar o ouro no meia cura", diz, confiante, Mariana, que pretende ampliar a produção na fazenda para outros produtos, sobretudo, manteiga.
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*O jornalista viajou a convite da 17ª edição do Encontro Mundial de Impresa (E-mundi) e da 2ª edição do Voar+, programa da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) em parceria com o Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur); a viagem também contou com o apoio do Governo de Minas Gerais.















