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Aluno do ITA que formou de salto alto e vestido diz que sofreu homofobia no curso

Em entrevista à RecordTV, jovem falou sobre problemas que enfrentou na instituição

Minas Gerais|Do R7 com RecordTV Minas

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Na cidade dos familiares, no sul de Minas, Faria contou que teve problemas desde o início do curso
Na cidade dos familiares, no sul de Minas, Faria contou que teve problemas desde o início do curso

O estudante do Ita (Instituto de Tecnologia Aeronáutica) que ganhou destaque na imprensa brasileira na última semana, após o vídeo da formatura dele viralizar na internet, contou que fez ato em protesto a ações homofóbicas que aconteceriam dentro da instituição. Na cerimônia de colação de grau, que aconteceu no dia 17 de dezembro, Talles de Oliveira Faria, de 24 anos, usou um vestido vermelho com os dizeres: “Ita / Aeronáutica, suas tradições: homofobia, racismo, violência psicológica, abuso de autoridade”

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O jovem, que se graduou em engenharia da computação em uma das instituições mais renomadas do país, chegou à cerimônia com um sobretudo roxo e no momento que foi anunciado o nome dele, ele retirou a parte de cima da roupa e exibiu o vestido. Em poucos dias, o vídeo que mostra o momento em que Faria sobe ao palco maquiado e de salto alto para receber o diploma teve mais de 100 mil visualizações nas redes sociais.

Em uma entrevista à RecordTV, que aconteceu na cidade da família dele, em Boa Esperança, no sul de Minas, Faria contou que as divergências entre ele e a instituição começaram quando ingressou no curso, em janeiro de 2012. Ele revelou que, na época, evitava falar publicamente que era homossexual.


— Essas coisas com relação a orientação sexual foram se desenrolando durante o curso com comentários dos professores e de oficiais da Aeronáutica. Quando a Agita (Associação de LGBTs do Ita) procurava fazer alguma denúncia, a gente não era atendido pela administração.

A situação de Faria se complicou depois do dia 18 de maio do ano passado, quando participou de um ato contra a homofobia nas dependências do Instituto. Durante a ação, ele se vestiu de mulher e o protesto não agradou a direção.


— Eu fui vestido de Drag Queen para fazer essa manifestação para procurar chamar a atenção da comunidade para os problemas que aconteciam. A Aeronáutica usou isso como uma motivação para abrir uma sindicância e investigar toda a minha vida, investigar as minhas redes sociais – o que eles não fazem com ninguém. Fizeram comigo por estarem incomodados com a minha orientação sexual e o fato de eu ser aberto sobre ela.

Depois que a sindicância foi instaurada, Faria, que já era um oficial, afirma que foi forçado a pedir dispensa da Aeronáutica para evitar uma punição maior, que poderia chegar à expulsão do curso.


— À medida que ocorreram esses acontecimentos eu percebi que era mais importante eu trazer uma mensagem e fazer uma denúncia do que, simplesmente, estar bonito [na cerimônia].

Além da repercussão do fato, o que chamou a atenção do formando foi a reação das pessoas que estavam na cerimônia. Segundo ele, a reação dos participantes foi positiva e serviu para que ele chamasse atenção para os problemas.

— O pessoal gritou bastante. Foi muito energético. Eu gostei muito. Logo depois, várias famílias me procuraram para tirar fotos, me dar os parabéns pela atitude e falar que era uma coisa que precisa de ser denunciada.

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