Após disputa judicial, relógio do Itaú no Edifício JK começa a ser retirado

Banco tenta retirar equipamento do topo do prédio histórico desde 2009 e precisou pagar quase R$ 500 mil ao condomínio para iniciar o desmonte

Relógio do Itaú, que há 40 anos está no Edifício JK, começou a ser retirado

Relógio do Itaú, que há 40 anos está no Edifício JK, começou a ser retirado

Reprodução/Redes sociais

Depois de dois meses desligado, o relógio do Itaú, que há 40 anos enfeita o terraço da torre B do Edifício JK, um dos maiores prédios do centro de Belo Horizonte, começou a ser desmontado. 

Moradores do condomínio, onde vivem cerca de 5 mil pessoas, compartilharam, nas redes sociais, fotos e vídeos de partes do relógio sendo levados por guindastes. 

Ouvidos pela reportagem, sob a condição de anonimato, alguns moradores do prédio disseram que foram surpreendidos com um guindaste trabalhando do lado de fora das janelas na manhã desta quinta-feira (17). Segundo eles, o condomínio não avisou os moradores sobre a operação. Outra crítica feita por esses moradores é o de que a administração do condomínio tentou dificultar e atrasar a remoção do equipamento. 

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| despedida do relógio do JK

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Disputa judicial

O imbróglio da desmontagem do relógio do Itaú dura mais de dois anos e envolveu uma disputa judicial. Em 2017, a instituição bancária comunicou que queria desmontar ou mesmo doar o equipamento ao Condomínio, que não aceitou a oferta. 

Em abril de 2018, com autorização da Fundação Municipal de Cultura para retirar o equipamento do terraço do bloco B do Edifício JK, o Itaú reiterou a intenção de retirar o aparelho, que pode ser visto de diversos pontos da cidade e é considerado um ícone da capital mineira. Novamente, o condomínio não aceitou a retirada. 

De acordo com o Tribunal de Justiça, na ocasião, a instituição financeira chegou a notificar extrajudicialmente o condomínio, que, de acordo com o banco, "estava, injustificadamente, resistindo à rescisão da locação, o que causava à empresa danos patrimoniais devido ao alto custo e à dificuldade de manutenção". O Itaú paga cerca de R$ 60 mil mensais à administração do prédio para manter o relógio do topo do edifício.

Com a falta de acordo, o TJMG marcou duas audiências de conciliação para que as partes pudessem chegar a um acordo. A primeira aconteceu em 17 de junho deste ano, quando o condomínio informou que reavaliaria a proposta.

Na ocasião, a administração do prédio alegou que havia débitos pendentes do banco desde novembro de 2018. O condomínio também negou que o equipamento estivesse sob risco de desabamento devido a falta de manutenção e que ele era inspecionado mensalmente. 

Acordo

Na segunda audiência de conciliação, realizada em 4 de julho, o condomínio aceitou a retirada do equipamento, desde que o banco pagasse os débitos em aberto. O acordo foi fechado em 23 de julho, quando o Itaú aceitou pagar uma quantia de R$ 468 mil, divididos em duas parcelas. 

O relógio foi desligado em meados do mês de agosto e demorou mais dois meses para que o equipamento começasse a ser retirado. 

De acordo com o banco Itaú, desde que o Código de Posturas de Belo Horizonte foi sancionado, em 2003, a presença do relógio no topo do edifício se tornou irregular. A empresa alegou à Justiça que, em 2009 já queria a retirada do equipamento do local. No entanto, com o início do processo de tombamento da praça Raul Soares, onde está localizado o prédio histórico, o desejo teve que esperar.  

Em resposta, o banco Itaú disse que, estimulado por mudanças de legislação em várias cidades brasileiras "revisitou a estratégia de exposição de sua marca e, nesse contexto, decidiu descontinuar o investimento atrelado ao relógio localizado na cobertura do Edifício JK".