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Disputa por herança de R$ 4 bilhões do ex-governador Newton Cardoso chega à Justiça

Filhos que ficaram fora do testamento recorrem à Justiça por partilha igualitária

Balanço Geral MG|Do R7

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O comerciante Bruno Alves da Silva Cardoso, de 47 anos, decidiu quebrar o silêncio e falar publicamente sobre a disputa pela herança do ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso. Filho mais velho do político, ele afirma buscar apenas o reconhecimento de direitos hereditários diante de um patrimônio que pode ultrapassar R$ 4 bilhões.

Segundo Bruno, a certeza sobre a paternidade veio ainda na adolescência, ao assistir às imagens da campanha eleitoral que levou Newton Cardoso ao governo do Estado, no fim dos anos 1980. O encontro entre os dois, porém, só aconteceu anos depois, quando o filho, já adulto e casado, procurou o então vice-governador em busca de emprego. A promessa de ajuda não se concretizou naquele momento, e o contato voltou a ocorrer apenas uma década depois, quando Bruno passou a trabalhar em empresas ligadas ao pai.

O reconhecimento formal da paternidade, de acordo com o comerciante, partiu do próprio ex-governador, em um registro feito em cartório. Mesmo assim, ele afirma nunca ter recebido ajuda financeira direta. Bruno diz não ter passado necessidades, mas destaca o contraste entre sua realidade e a vida de luxo dos demais herdeiros.

Newton Cardoso construiu carreira empresarial e política em Minas Gerais. Formado em Direito em Belo Horizonte, foi prefeito de Contagem por três mandatos, governador do Estado entre 1987 e 1991, deputado federal por três legislaturas e vice-governador de 1999 a 2003. Ele morreu em fevereiro do ano passado, após tratamento contra um câncer.

Após a morte, Bruno relata ter sido chamado para uma conversa com Maria Lúcia Cardoso, ex-primeira-dama e prefeita de Pitangui, que teria indicado que a totalidade do patrimônio ficaria sob controle dela. O casal teve quatro filhos e manteve união estável por duas décadas antes do casamento em regime de separação obrigatória de bens. No total, Newton deixou seis herdeiros, incluindo dois filhos fora do matrimônio que ficaram de fora do testamento — ponto central da disputa judicial.

Advogados que representam os filhos não contemplados afirmam que o objetivo é apenas garantir a divisão igualitária prevista na legislação. Especialistas em direito de família explicam que a exclusão completa de herdeiros só é possível em situações extremas, como crimes graves contra o autor da herança, o que não é apontado no caso.

O tamanho do patrimônio ainda não está totalmente esclarecido. Documentos anexados ao processo indicam a existência de bens no Brasil e no exterior, incluindo imóveis, participações empresariais, contas offshore em paraísos fiscais e até propriedades em Paris. Um dos registros menciona que o patrimônio imobiliário do ex-casal ultrapassa R$ 4 bilhões — valor centenas de vezes superior ao declarado à Justiça Eleitoral em eleições passadas.

O inventário é conduzido judicialmente, sob responsabilidade de um dos filhos do casamento, e há determinação para que nenhum bem seja vendido até a conclusão da partilha. A complexidade patrimonial e a necessidade de levantamentos contábeis detalhados têm tornado o andamento do processo lento.

Enquanto a disputa segue na Justiça, Bruno afirma que espera apenas ter os mesmos direitos dos demais herdeiros. Segundo ele, de todas as propriedades do pai, conheceu apenas uma fazenda onde trabalhou, e, de toda a fortuna atribuída ao ex-governador, ainda não recebeu qualquer valor.

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