Bebê morto em BH: padrasto é preso por homicídio e mãe por omissão após indícios de espancamento
Investigação aponta histórico de agressões, negligência e denúncias anteriores de maus-tratos; criança chegou morta à UPA Oeste
Minas Gerais|Pablo Nascimento, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7.

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Guilherme Henrique Avelino Maia, de 33 anos e Laryssa Daiana Vidal Vieira, de 27 anos, padrasto e a mãe de um bebê que morreu na noite dessa terça-feira (7), em Belo Horizonte, foram presos após a Polícia Civil apontar que a criança foi vítima de violência extrema. O padrasto foi autuado por homicídio qualificado, enquanto ela responde por maus-tratos com resultado morte. O caso veio à tona depois que o bebê deu entrada já sem vida na UPA Oeste, levado por policiais militares. O Jornalismo da RECORD Minas teve acesso, com exclusividade, às informações do inquérito.
Histórico
Segundo a versão apresentada pelo padrasto à polícia, na manhã do mesmo dia, a companheira dele entrou em trabalho de parto e foi levada para o Hospital Odete Valadares. Ele afirmou que permaneceu em casa com as duas crianças enquanto a mulher estava internada.
Ainda de acordo com o relato, por volta das 19h, ele saiu da residência para pedir um mototáxi e ir até o hospital acompanhar a companheira. Nesse momento, disse que deixou as crianças sob os cuidados de um familiar, que mora próximo.
O homem contou que retornou para casa por volta das 22h e, ao chegar, encontrou o bebê no quarto passando mal, com episódios de vômito. Segundo ele, a criança teria se engasgado.
Diante da situação, afirmou que pediu ajuda a um vizinho, que o levou de carro até uma base da Polícia Militar. De lá, os policiais realizaram o socorro até a UPA Oeste, enquanto tentavam reanimar o bebê durante o trajeto.
Segundo a Polícia Militar, o padrasto procurou ajuda em uma base no bairro Betânia com o bebê já desacordado. Uma viatura fez o transporte até a unidade de saúde, enquanto um militar realizava manobras de reanimação durante o trajeto, sem sucesso.
Na UPA, a equipe médica confirmou que a criança já chegou sem vida. O prontuário apontou parada cardiorrespiratória e indicou que o óbito teria ocorrido cerca de uma hora antes do atendimento. Os profissionais também identificaram múltiplos hematomas pelo corpo, inclusive no rosto, além de sangramento no nariz e em outras regiões, o que levantou suspeita imediata.
Exames realizados no Instituto Médico Legal (IML) apontaram que a causa da morte foi um trauma abdominal grave, com perfuração intestinal e hemorragia interna — lesões incompatíveis com um simples engasgamento. Os peritos também identificaram marcas de agressões recentes, possivelmente ocorridas nas últimas 48 horas.
Durante as investigações, a versão apresentada pelo padrasto entrou em contradição com os laudos e os depoimentos de testemunhas. Ele afirmou que havia saído de casa por um período e, ao retornar, encontrou o bebê passando mal. No entanto, relatos indicam que a criança pode ter ficado sozinha em parte do tempo e que já estava inconsciente pouco depois de ele voltar para a residência.
Cenário evidencia maus-tratos
Depoimentos colhidos pela Polícia Civil reforçam um cenário de violência recorrente dentro da casa. Testemunhas relataram histórico de agressões físicas e verbais contra as crianças, especialmente contra o irmão mais velho da vítima, além de episódios de negligência, como falta de alimentação adequada e condições precárias de moradia.
Ainda segundo os relatos, o casal já havia sido expulso de uma comunidade onde morava anteriormente após denúncias de maus-tratos. Há também informações de que o padrasto demonstrava comportamento agressivo e hostil com crianças, com xingamentos frequentes e até ameaças.
A investigação também aponta omissão da mãe, que, segundo a polícia, tinha conhecimento do comportamento violento do companheiro, mas não teria adotado medidas para proteger os filhos. Há indícios de uso frequente de drogas pelo casal, inclusive durante a gestação.
Diante das provas reunidas, a Polícia Civil concluiu que a morte não foi acidental, mas resultado de violência extrema. O padrasto foi preso em flagrante e autuado por homicídio qualificado, enquanto a mãe foi detida por maus-tratos com resultado morte.
A Justiça ainda deve analisar o pedido de conversão das prisões em preventiva. O caso segue em investigação, e possíveis maus-tratos contra o outro filho do casal serão apurados em procedimento separado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.
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