Carros de luxo e viagens: quem é o ‘empresário’ preso por golpe milionário na Grande BH
Preso nesta semana, João Paulo é investigado por crimes de estelionato que, somados, ultrapassam R$ 4 milhões em prejuízos
Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7 e Gabriel Rodrigues, da RECORD Minas
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Aos 35 anos, João Paulo Murta Coimbra Ribeiro construiu, segundo a polícia, uma trajetória marcada por golpes milionários, ostentação nas redes sociais e um rastro de vítimas espalhadas por Minas Gerais e outros estados.
Preso nesta semana, na Grande BH, ele é investigado por crimes de estelionato que, somados, ultrapassam R$4 milhões em prejuízos. De acordo com a Delegacia Especializada de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), João Paulo aparece em pelo menos 50 ocorrências com modus operandi semelhante.
Imagem de empresário de sucesso
Nas redes sociais e no contato direto com possíveis investidores, João Paulo se apresentava como um homem de negócios bem-sucedido. Segundo relatos de vítimas ouvidas pela reportagem em agosto do ano passado, ele dizia ser representante de um laboratório de medicamentos, cosméticos e suplementos.
Segundo o delegado Felipe Freitas, ele “se vestia de um personagem” para enganar as vítimas. “Ele reinvestia o dinheiro dos golpes na própria fraude, criando uma imagem de empresário bem-sucedido”.
A proposta era sedutora: prometia lucros de até 20% sobre o valor investido e garantia retorno rápido, em até 10 dias. Para dar aparência de legitimidade ao esquema, teria alugado um galpão e simulado a compra de vans que fariam a distribuição dos produtos. Algumas vítimas chegaram a receber pequenos depósitos iniciais, o que aumentava a confiança no negócio e incentivava transferências de valores maiores.
Como parte da estratégia de convencimento, João Paulo pagava viagens, distribuía celulares e oferecia até passeios de helicóptero. Áudios mostram como ele mantinha contato frequente com os investidores, tratando-os de forma personalizada e alimentando a expectativa de que o negócio era rentável.
Esquema
A compra de aparelhos celulares é um dos pontos centrais da atual prisão. Segundo a polícia, esse tipo de negociação fazia parte do esquema, tanto para revenda quanto para atrair novas vítimas.
Uma das pessoas lesadas afirma que foi convencida a abrir uma empresa em seu nome. A conta bancária e as movimentações financeiras, no entanto, ficavam sob controle exclusivo de João Paulo.
Sem receber os lucros prometidos, uma vítima relata ter investido quase R$190 mil. Como suposta compensação, João Paulo teria prometido entregar um carro de luxo avaliado em R$ 120 mil. Dias depois, ela descobriu que o veículo havia sido alugado em uma agência.
Prisões e reincidência
João Paulo já havia sido preso, em junho do ano passado, após aplicar um golpe em um casal de idosos. Na ocasião, passou apenas um dia detido e foi liberado mediante uso de tornozeleira eletrônica.
Agora, segundo a polícia, a investigação reuniu provas documentais, ouviu dezenas de vítimas e consolidou elementos suficientes para sustentar a nova prisão.
Dívidas e mobilização das vítimas
Entre os relatos colhidos, há pessoas que contraíram empréstimos bancários para investir no suposto negócio. Um homem afirma ter tomado cerca de R$200 mil em crédito. Outra vítima diz que já não sabe o valor total da dívida acumulada.
Em Caraí, no Norte de Minas, moradores criaram um perfil nas redes sociais para reunir vítimas do suspeito. A página já soma mais de 1.300 seguidores e reúne relatos de pessoas lesadas também no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.
As vítimas afirmam não ter esperança de recuperar os valores perdidos, mas esperam que a Justiça responsabilize o investigado.
Investigação segue aberta
A expectativa da Polícia Civil é que, com a divulgação do caso, novas vítimas procurem a delegacia para formalizar denúncia. Segundo os investigadores, esse movimento é fundamental para fortalecer o inquérito e dimensionar a extensão dos prejuízos atribuídos a João Paulo Murta.
Enquanto isso, o homem que se apresentava como empresário de sucesso agora responde às acusações sob custódia do sistema prisional.
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