Cinco anos atrás, estudo já apontava mais de 52 mil pessoas vivendo em áreas de risco em Juiz de Fora (MG)
Análise mostrava que 99,78% das áreas de risco na cidade estão associadas à instabilização de encostas e deslizamentos
Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7
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A sequência de temporais que atingiu a Zona da Mata mineira na última semana deixou dezenas de mortos em Juiz de Fora e Ubá. Um estudo técnico elaborado anos antes já apontava o risco na região e a dimensão da vulnerabilidade da população que vive em áreas de risco na cidade.
Publicado em 2021 pelo Serviço Geológico do Brasil, o Diagnóstico da População em Áreas de Risco Geológico revela que cerca de 52.495 pessoas residiam, na época, em áreas classificadas como de risco geológico alto ou muito alto no município. O levantamento estima ainda aproximadamente 16.436 domicílios localizados nessas áreas.
O estudo foi construído a partir da integração entre dados do Censo Demográfico de 2010, a mancha urbana da cidade e o mapeamento de 80 áreas de risco geológico realizado pela CPRM em 2017. A análise mostra que 99,78% das áreas de risco estão associadas a instabilização de encostas e deslizamentos, exatamente o tipo de ocorrência que marcou a tragédia recente em Juiz de Fora.
Perfil da população exposta
O diagnóstico indica equilíbrio entre homens (48%) e mulheres (52%) vivendo nessas áreas, além de um dado considerado sensível: 22% dos moradores são idosos, grupo com maior dificuldade de locomoção em situações de emergência.
Outro ponto de atenção é o nível de vulnerabilidade socioeconômica. Em 2010, a renda média mensal dos domicílios situados em áreas de risco era de R$ 1.107,79, valor inferior à média nacional da época. O estudo também apontava que 12% da população residente nessas regiões era analfabeta, percentual acima da média nacional daquele ano.
Apesar de a maior parte dos domicílios contar com infraestrutura básica, 97% com abastecimento de água, 99% com energia elétrica e coleta de lixo, o fator determinante para o risco não está na ausência de serviços, mas na localização das moradias em terrenos inclinados e suscetíveis a deslizamentos.
Alertas que já estavam no papel
O documento destaca que o conhecimento das características socioeconômicas da população em áreas de risco é fundamental para orientar políticas públicas de prevenção e ordenamento territorial. Também recomenda a atualização periódica dos dados, considerando a expansão urbana e a dinâmica de ocupação do solo.
A tragédia da última semana expôs, na prática, o cenário descrito tecnicamente no relatório: moradias construídas em encostas instáveis, solo encharcado após chuvas intensas e a deflagração de deslizamentos com grande potencial destrutivo.
Especialistas reforçavam que o enfrentamento de desastres passa não apenas pela resposta emergencial, mas por políticas estruturais de prevenção, reassentamento e fiscalização da ocupação irregular em áreas mapeadas como de alto risco.
Mortes
A Zona da Mata mineira chegou, nesta sexta-feira (27), com 62 mortes confirmadas após os temporais que atingem a região desde o início da semana. Segundo atualização do Corpo de Bombeiros, são 56 vítimas em Juiz de Fora e seis em Ubá.
Ainda há cinco desaparecidos em Juiz de Fora e dois em Ubá. Ao todo, seis frentes de trabalho do Corpo de Bombeiros estão mobilizadas na região, quatro em Juiz de Fora e duas em Ubá.
Diante da gravidade da situação, dez caminhões do Exército Brasileiro, com cerca de 100 militares, devem chegar a Juiz de Fora nesta quinta-feira para auxiliar nas ações de resposta e apoio às comunidades afetadas.
Enquanto as buscas por desaparecidos continuam, a região permanece em alerta, com equipes mobilizadas e risco elevado devido ao solo encharcado e à possibilidade de novas chuvas.
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