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‘Covardia’: mãe de corretora morta por síndico fala em dor, revolta e busca por justiça

Daiane Souza desapareceu após descer em elevador de prédio; nesta terça, síndico confessou o crime e contou onde corpo estava

Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Dona Nilze expressa um turbilhão de emoções após a prisão do síndico acusado de matar sua filha, Daiane Alves Souza.
  • A corretora, que sempre se deu bem com todos, sofria perseguições do síndico por cerca de um ano.
  • A mãe pede justiça e critica o comportamento do acusado, que se achava "dono do prédio".
  • O síndico confessou o crime e enfrenta processos por homicídio e ocultação de cadáver; investigações seguem para identificar possíveis cúmplices.

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Abalada, a aposentada reforçou que o principal desejo da família é por justiça Reprodução/Record Minas

A dor pela perda da filha se mistura a sentimentos de revolta, alívio e fé. Foi assim que dona Nilze Alves, mãe da corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, descreveu o que tem vivido após a prisão do síndico acusado de matar a filha e ocultar o corpo. O crime chocou o país e foi detalhado pela Polícia Civil em coletiva de imprensa nesta terça-feira (28).

“Eu não sei dizer ainda se é raiva, se é alívio, se é dor, se é revolta. Acho que é tudo ao mesmo tempo. Mas também é um agradecimento a Deus, por ter mostrado no momento certo e por nos dar força para enfrentar essa covardia que fizeram com a minha filha”, desabafou.


Segundo Nilze, Daiane era uma pessoa tranquila, que sempre conviveu bem com todos. Para a família, nunca houve justificativa para a perseguição que, de acordo com a investigação, a corretora sofria há cerca de um ano por parte do síndico do condomínio onde morava.

“A Daiane nunca teve motivo para isso. Ela sempre conviveu muito bem com todo mundo. Essa perseguição durou um ano inteiro, mas eu nunca acreditava que ele fosse capaz. Eu achava que ele não era tão covarde, tão mal assim”, afirmou.


A mãe também fez críticas duras ao comportamento do acusado, que, segundo ela, se colocava como alguém que tinha controle absoluto sobre o condomínio. “Uma pessoa que se julga dona do prédio, dona de tudo, que acha que sabe tudo… e fazer uma coisa tão infantil, tão idiota. Ele é um coitado. Essa máscara de dono do prédio agora tem que cair”, disse.

Abalada, a aposentada reforçou que o principal desejo da família é por justiça. “O que sobrou agora é isso: fazer justiça pela Daiane, pela nossa família, pelos amigos dela. A gente só quer justiça”, declarou.


Ela também agradeceu o apoio recebido desde o desaparecimento da filha, há mais de 40 dias, especialmente das forças de segurança e da população. “A polícia nos apoiou demais. A mídia, as pessoas, o Brasil inteiro acabou conhecendo quem é a minha filha. Tem esse lado de louvor, mas nada paga o que a gente perdeu”, completou.

O síndico preso confessou o crime e vai responder por homicídio e ocultação de cadáver. As investigações continuam para apurar possível participação de outras pessoas e eventuais tentativas de obstrução da Justiça.


Investigação

Em coletiva realizada, nesta terça-feira (28), a Polícia Civil detalhou como as investigações levaram ao síndico como o principal suspeito do crime. Segundo a Polícia Civil, 22 pessoas foram ouvidas ao longo da investigação. Porta fechada e câmeras desligadas levaram até o suspeito.

Um dos fatores determinantes foi a constatação de que, antes de sair do apartamento, Daiane deixou a porta aberta. No dia seguinte, quando seus familiares foram ao local procurar por ela, a porta estava fechada. Essa informação fez com que os investigadores determinassem que o suspeito era alguém com acesso ao condomínio.

Além disso, para cometer o crime, o assassino também teria conhecimento detalhado da rotina do prédio, incluindo o funcionamento do sistema de câmeras. O padrão de energia onde Daiane foi morta não possuía monitoramento, informação que, segundo os investigadores, era conhecida pelo síndico.

Nesta terça, o síndico Cléber Rosa de Oliveira confessou o crime e indicou onde estava o corpo de Daiane. O suspeito não disse como matou a vítima e nem o que teria motivado o crime. Ele responderá por homicídio e ocultação de cadáver.

Maykon Douglas de Oliveira, filho do síndico, também foi preso nesta terça. A polícia apura se a participação do filho se limitou à troca do aparelho ou se houve envolvimento em outras ações para dificultar a investigação.

Um possível envolvimento do porteiro do prédio também será apurado.

Desaparecimento

Daiane estava desaparecida desde o dia 17 de dezembro. Ela havia sido vista pela última vez no prédio em que morava, em Caldas Novas (G0). Câmeras de segurança do elevador registraram a os últimos momentos da corretora por volta das 19h, quando ela desceu para contestar o corte de energia elétrica do apartamento.

Não havia imagens de Daiane deixando o prédio nem retornando ao apartamento e o carro dela também não foi usado. A família procurou as autoridades e a mídia para dar visibilidade ao caso que parecia ser um mistério.

Motivação

A Polícia Civil também confirmou que Daiane e o síndico tinham uma série de atritos anteriores. No dia 11 de dezembro, cinco dias antes do desaparecimento, o síndico perdeu uma ação judicial movida pela corretora. A decisão garantiu a Daiane acesso irrestrito às dependências do condomínio e indenização por danos morais.

Para os investigadores, esse histórico reforça a linha de que o crime teve motivação ligada aos conflitos entre os dois.

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