Esposa de homem que foi morto ao defender filho autista presta depoimento nesta quinta (9) em BH
Suspeito alegou que estava sendo ameaçado pela vítima por conta de dívidas; Heime Prince nega versão
Minas Gerais|Pollyana Sales, da Record TV Minas e Arnon Gonçalves*, do R7

A esposa do homem que foi morto após defender o filho autista, no bairro Vila São João Batista, em Belo Horizonte, no dia 25 de fevereiro, presta depoimento nesta quinta-feira (9), na Delegacia de Homicídios da capital mineira. O suspeito do crime foi preso na última terça-feira (7) e alegou para a polícia que agiu em legítima defesa. Heime Prince contesta o depoimento do homem e nega que o marido tenha ameaçado o autor do crime antes de morrer.
Para a esposa, o jardineiro Cleidson Alves Campos foi morto após defender o filho, de 4 anos, que teria irritado o vizinho enquanto brincava com a buzina do carro. Para a Polícia Civil (PC), o taxista Bruno Alvez de Andrade alegou que matou Cleidson em legítima defesa e que já recebia ameaças do jardineiro por causa de uma dívida antiga. Heime nega que seja verdade.
A mulher relatou, ainda, que o marido e o suspeito já se conheciam há muito tempo e que nunca tiveram um desentendimento. "A gente tinha uma relação normal. Não éramos melhores amigos, até porque o Bruno sempre teve fama de brigão. Mas não existia uma 'rixa' entre eles. Eles jogavam bola juntos, ele foi ao chá de fraldas do meu filho, já fomos para sítios juntos. Não existia dívida, nem ameaças", conta a viúva.
Heime tem dois filhos da relação com Cleidson, a criança autista de 4 anos e uma filha de 9. Cleidson também tinha outros filhos de outros relacionamentos. A viúva afirma que não tem sido fácil seguir a vida sem o marido. “Além das crianças sentirem falta do pai, eu sofro porque ele me dava muito apoio, levava as crianças para a escola. Agora minha mãe tem me ajudado, mas ela é idosa. Não tenho dinheiro para escolar, por exemplo. Sofro todos os dias e sinto muito a falta dele", desabafa Heime.
Bruno foi preso na última terça-feira (7), 10 dias após o crime. Até então, ele estava foragido. A investigação segue em andamento no Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Relembre o caso
Uma discussão em bar terminou com a morte do pai de uma criança autista, no dia 25 de fevereiro, no bairro Vila São João Batista, região de Venda Nova, em Belo Horizonte. A briga começou quando o menino, de apenas 4 anos, filho da vítima, buzinava intensamente um carro. Um homem que estava no local se irritou com o barulho e teria ameaçado o pai da criança ao dizer que buscaria uma arma para resolver a situação.
Testemunhas contaram que, minutos depois, o suspeito, de 30 anos, voltou para a porta do bar em um táxi, estacionou o carro na esquina, sacou uma arma e atirou várias vezes contra a vítima. Cleidson Alves Campos, 40 anos, chegou a ser socorrido por populares e levado para o Hospital Risoleta Neves mas não resistiu aos ferimentos e morreu. A perícia constatou que a vítima recebeu quatro tiros, dois na cabeça, um nas costas e um no abdômen. O autor dos disparos fugiu do local.
*Estagiário sob supervisão de Gabrielle Assis













