Minas Gerais Ex-diretor de presídio da Grande BH é preso durante operação da PF

Ex-diretor de presídio da Grande BH é preso durante operação da PF

Investigadores suspeitam de um possível esquema de venda de vagas e regalias para detentos em unidades prisionais de Minas Gerais

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7, com Vinícius Araújo, da Record TV Minas e Caio Silva*, do R7

Homem foi preso na cobertura onde morava, em BH

Homem foi preso na cobertura onde morava, em BH

Vinícius Araújo / Record TV Minas

O ex-diretor da Penitenciária Nelson Hungria, localizada em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, Rodrigo Malaquias, foi preso, na manhã desta quinta-feira (8), suspeito de ser líder de um esquema de corrupção em presídios de Minas Gerais. 

Um delegado da Polícia Civil, quatro agentes penitenciários e um grupo de delegados também foram presos por possível participação no esquema.

A prisão foi feita durante uma operação da PF (Polícia Federal), juntamente com a Polícia Civil de Minas Gerais, a FICCO-MG (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais), e Departamento Penitenciário Federal, deflagrada na manhã desta quinta. 

De acordo com as investigações, um grupo criminoso comandado por servidores públicos e advogados negociavam a venda de vagas em unidades prisionais do Estado, além de regalias como entrada de objetos não permitidos como celulares e drogas.

Ainda de acordo com as investigações da Polícia Federal, presos de alta preiculosidade eram transferidos indevidamente de unidade, após um pagamento repartido entre os líderes da organização crimonosa. Os detentos também eram colocados em alas com benefícios que não teriam direito diante das normas penais. 

De acordo com a PF, foram identificados "inúmeros" eventos de corrupção praticados pela organização criminosa, envolvendo, principalmente, a Penitenciaria Nelson Hungria, em Contagem, e o Presídio José Marial Alckimim, em Ribeirão das Neves, ambas na Grande BH. 

Segundo a Polícia Federal, Malaquias foi preso na cobertura de um prédio onde mora, no bairro Diamante, na região do Barreiro, em BH. A corporação apreendeu documentos e um computador. Ele saiu do prédio escoltado e foi levado para uma sede da corporação, acompanhado da mulher, que é policial civil.

A Justiça bloqueou um apartamento de alto padrão do suspeito, uma motocicleta e um carro avaliado em R$ 130 mil.

Nelson Alegria

A operação desta manhã foi batizada de "Nelson Alegria", devido às supostas ligações do esquema com o presídio mineiro.

Foram cumpridos 29 mandados de prisão preventiva e outros 45 mandados de busca e apreenção em 15 cidades de Minas Gerais como Belo Horizonte, Betim, Contagem, Fervedouro, Francisco Sá, Lagoa Santa, Matozinhos, Muriaé, Ouro Preto, Passo, Patrocínio, Ribeirão das Neves, Uberaba, Uberlândia e Vespasiano. Os mandados foram expedidos pela Vara de Inquérito de Contagem.

Os suspeitos que tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça podem responder por organização criminosa, corrupção ativa, passiva e concussão, que é quando o servidor público recebe vantagens indevidas no exercício da função ou não. As penas somadas podem chegar a 20 anos de prisão.

Outro lado

O R7 tenta contato com a defesa de Malaquias. Procurada, a Polícia Civil confirmou a prisão de um dos seus delegados e informou que a corregedoria da instituição contribuiu com a operação.

A reportagem entrou em contato com a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) que informou que "não compactuam com quaisquer desvios de conduta de seus servidores".

Por meio de nota, a secretaria ainda disse que os profissionais presos nea operação não representam os mais de 17 mil servidores que "possuem a missão de custódia e ressocialização de cerca de 60 mil internos em Minas".

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