Minas Gerais Ex-funcionária de asilo investigado por maus tratos confirma denúncias

Ex-funcionária de asilo investigado por maus tratos confirma denúncias

"Muitos ficavam sem comer. Esse era o castigo", disse mulher que trabalhou no local e pediu demissão por não aguentar vivenciar as agressões diárias

  • Minas Gerais | Kiuane Rodrigues, da Record TV Minas

Uma ex-funcionária de uma casa de repouso no bairro Coqueiros, na região Noroeste de Belo Horizonte, confirma as denúncias de que os residentes sofriam violência física e psicológica. O local está sendo investigado pela Justiça, mas continua funcionando.

A mulher, que prefere não se identificar, afirma ter trabalhado no local e presenciado agressões quase diariamente. Emocionada, a ex-funcionária afirma que os responsáveis pelo local determinavam que os idosos fossem castigados de diversas formas possíveis.

— Alguns ficavam sem comer enquanto outros comiam. Esse era o castigo. Eles também eram empurrados, muitas vezes. Eles também eram levados para o banho entre 4h e 5h, quando a água estava bem fria.

Asilo já foi interditado duas vezes pelo Ministério Público

Asilo já foi interditado duas vezes pelo Ministério Público

Reprodução / Record TV Minas

Cansada do que via, a mulher decidiu pedir demissão, mesmo precisando do emprego para sobreviver. Após ver a reportagem exibida pela Record TV Minas, ela decidiu contar o que viu. A ex-funcionária diz ter ficado aliviada ao saber que o caso está sendo investigado e afirma que só quem trabalhou na casa de repouso sabe o que acontece por lá.

— Muita gente denunciou e continua denunciando. Espero que mais pessoas tenham a mesma coragem. É muito doloroso falar sobre o que acontece lá, eu até me emociono. Vocês não sabem o que acontece ali dentro. Não sabem.

Denúncias

A casa de repouso é acusada de violência física e psicológica contra os seus residentes. Uma das últimas denúncias foi feita por Oziel Gomes da Silva, filho de um senhor que perdeu 15 kg enquanto esteve no local. O idoso teria sofrido agressões, ficado sem comer ou beber água e corre o risco de perder a voz.

Em junho de 2018, o local foi interditado pelo Ministério Público e foi classificado pelo juiz como um “ambiente insalubre”. Um mês depois, a casa foi reaberta com um novo nome e novos sócios. O espaço voltou a ser interditado por lotação e serviço de qualidade duvidosa, mas, de acordo com a promotora do caso, o asilo pode continuar funcionando até a decisão final da Justiça.

Outro lado

Em nota, o advogado da Casa de repouso disse que a Residência da Vovó para Idosos recebe com grande tristeza os relatos e que o lar sempre perzou pelo cuidado dos abrigados.

Ainda conforme o texto, a casa está a disposição da Justiça e dos órgãos de fiscalização e proteção para apresentar esclarecimentos, documentos e o que for necesário para a elucidação de todos os fatos caluniosos.

Completou, ainda, que o asilo mantém quadro de profissionais, como médicos, enfermeiros, fisioterapeuta, nutricionista, faxineira, cuidadores, técnicos de enfermagem, cozinheira, que estão empenhados no cuidado, manutenção e proteção dos abrigados. Por fim, disse que medidas judiciais criminais estão sendo tomadas contra falsas acusações.

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