Ex-prefeito vira réu por mandar matar funcionário de cooperativa que denunciou fraude há 19 anos
Arquimedes Borges recebeu 42 mil votos para deputado federal nas eleições deste ano
Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7

Foram 19 anos até que o assassinato de um funcionário que denunciava fraudes em uma cooperativa tivesse a solução apontada pela polícia. Faltando poucos meses para a prescrição do caso - o que ocorre com 20 anos -, o ex-prefeito de Paracatu, Antônio Arquimedes Borges de Oliveira, e o pistoleiro Eurípedes Gomes dos Santos, foram indiciados pela Polícia Civil. Antônio Arquimedes, 64 anos. concorreu às eleições deste ano como deputado federal, pelo PTB, oteve 42 mil votos e alcançou a suplência para o cargo.
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Os delegados Alex de Freitas Machado e Wagner Pinto apresentaram o caso nesta segunda-feira (15) em Belo Horizonte.
O delegado explicou que o resultado do inquérito só foi divulgado agora por causa das eleições.
— Como o mandante era candidato a uma cadeira na Câmara Federal, a Polícia Civil aguardoupara se pronunciar sobre a conclusão das investigações para não interferir na lisura do processo eleitoral.
Eustáquio Porto Botelho foi morto com três tiros e abandonado em uma estrada de terra por três homens, a mando do ex-prefeito, porque ameaçava denunciar um esquema de adulteração de leite. Ele chegou a ser demitido da cooperativa, mas retornou ao trabalho por meio de uma ordem judicial.
Eurípedes dos Santos também era o responsável pela cooperativa.
Conforme as investigações, o leite era adulterado com água e um esquema de pagamentos fantasmas era simulado para abastecer o caixa da cooperativa, que hoje movimenta R$ 200 milhões. O funcionário que denunciou o esquema acabou morto em 1995, mas a influência política exercida pelo principal suspeito retardava as investigações. Somente em 2011 o caso foi transferido para o DHPP (Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa), em BH. Dois dos pistoleiros contratados já faleceram, João Luiz Santa Simão e Moisés Gonçalves Noronha.
O processo já estava arquivado desde 2012. Em 2014, a polícia concluiu o inquérito e o enviou ao Ministério Público. Em outubro, a Justiça aceitou a denúncia e pode, em breve, enviar os acusados a júri popular. Eles recorrem em liberdade.
Procurado pela reportagem, o advogado do ex-prefeito, José Souto Júnior, disse que estava em reunião e que mais tarde atenderia ao pedido de entrevista.














