Minas Gerais Funcionário de hospital psiquiátrico é ferido com enxada por paciente

Funcionário de hospital psiquiátrico é ferido com enxada por paciente

José Júlio Rodrigues, de 60 anos, fazia manutenção em um equipamento do Instituto Raul Soares, em BH, quando foi surpreendido pelo suspeito

  • Minas Gerais | Caio Silva*, do R7

Servidor foi agredido enquanto trabalhava no instituto

Servidor foi agredido enquanto trabalhava no instituto

Reprodução / RecordTV Minas

Um funcionário de um hospital psiquiátrico de Belo Horizonte foi agredido na cabeça com golpe de uma enxada por um paciente enquanto trabalhava, na última segunda-feira (2). A vítima teve traumatismo craniano.

De acordo com Joselma de Araújo, uma das representantes da Asthemg (Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais), José Júlio Rodrigues, de 60 anos, estava trabalhando com a manutenção de um equipamento do Instituto Raul Soares, no bairro Santa Efigênia, na região Leste de BH, quando foi surpreendido pelo ataque de um paciente. 

De acordo com Joselma, o paciente, que não teve a identidade revelada, atacou o funcionário com golpes de enxada na cabeça e nas mãos. Logo após o ato, o suspeito fugiu do local levando pertences da vítima. 

Ainda de acordo com a associação, colegas de trabalho viram o ocorrido e socorreram Rodrigues até a chegada do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Ele foi levado para o Hospital João 23, no Centro de BH, com traumatismo craniano e fratura em um dos dedos da mão. 

Joselma informou que o quadro de saúde o funcionário é estável e ele segue internado após ter um colágulo no cérebro em função do agravamento das agressões. Não foi registrado boletim de ocorrência na PM (Polícia Militar). 

Reclamação

Em entrevista ao R7, Joselma reclamou de uma suposta falta de providência por parte da Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais), responsável pelo hospital.

— Um de nossos diretores foi até o instituto para conversar com os funcionários e tentar marcar uma reunião com eles, mas até agora nada. 

Ela ainda reclama que, devido ao fechamento do Hospital Galba Veloso, referência no tratamento de saúde mental de Minas Gerais, houve uma sobrecarga no quadro de pacientes no Instituto Raúl Soares.

Galba Veloso

O Hospital Galba Veloso foi fechado em março deste ano para passar por uma adequação para atender pacientes com casos de covid-19, segundo o Governo de Minas. 

À época, a Fhemig remanejou os 270 funcionários do local para outras áreas da saúde. De acordo com a fundação, devido à baixa ocupação de leitos para pacientes com transtornos psiquiátricos, os pacientes que estavam internados no hospital foram transferidos para o Instituto Raúl Soares.

Uma CPI da Câmara dos Vereadores de BH, realizada em setembro, discutiu a volta dos leitos fechados no Galba Velosos para pacientes com transtornos psiquiátricos, mas nada ainda foi definido. 

Outro Lado

Procurada pelo R7 a Fhemig informou que a situação se trata de um "caso isolado e está tomando as medidas necessárias para garantir a melhor assistência e segurança aos servidores". 

A fundação ainda informou que o Instituto Raul Soares "possui as condições adequadas de tratamento de pacientes com casos graves de transtornos psiquiátricos", além de ressaltar que o "efetivo do instituto está dentro do dimensionamento necessário para prestar assistência aos pacientes."

Sobre o caso da agressão, a Fhemig ressaltou que "a GSST (Gerência de Segurança e Saúde do Trabalhador) da fundação tem um programa específico para atendimento e acompanhamento ao servidor vítima de agressão no local de trabalho" e que o servidor "será encaminhado a esse programa para receber todo o acolhimento necessário". 

A reportagem também entrou em contato com o Governo de Minas para saber a questão dos leitos no Hospital Galba Veloso e também aguarda retorno. 

*Estagiário do R7 sob supervisão de Pablo Nascimento

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