Gerente de departamento pessoal da cervejaria Backer é ouvido durante segundo dia de audiências
Testemunhas falaram sobre funções que exerciam na empresa e outros profissionais citados durante a apuração dos fatos
Minas Gerais|Maria Júlia Nascimento*, da Record TV Minas

Duas testemunhas foram ouvidas durante o segundo dia de audiências do Caso Backer na tarde desta terça-feira (21), no Fórum Lafayette, na região centro-sul de Belo Horizonte.
Nesta terça, foram ouvidos uma conhecida da família Lebbos, sócios da cervejaria, e o gerente de departamento pessoal da Backer, que atua na empresa desde 2013 até os dias atuais.
O advogado dispensou as outras quatro testemunhas que estavam previstas para esta terça. A maioria das perguntas feitas pelos advogados visavam esclarecer a função que exerciam na empresa dos acusados e outros profissionais citados durante a apuração dos fatos.
A audiência foi encerrada e devem ser retomadas na próxima quinta-feira (23), a previsão é de 10 dias de audiência, com seis testemunhas ouvidas por dia. No entanto, nos dois primeiros dias de audiência, apenas quatro pessoas foram ouvidas.
A previsão é que as audiências terminem no dia 3 de abril com todas as testemunhas de defesa ouvidas. A data da fase de audiências para interrogatório dos réus ainda será marcada.
Histórico do caso
• 5 de janeiro de 2020
Investigações do caso Backer têm início na 4ª Delegacia de Polícia Civil do Barreiro, após a circulação de mensagens em redes sociais sobre a internação, em hospitais da capital mineira, de pessoas que teriam consumido a cerveja Belorizontina.
• 6 de janeiro de 2020
Amostras da cerveja Belorizontina são encaminhadas ao Instituto de Criminalística.
• 7 de janeiro de 2020
Morre Paschoal Demartini Filho, de 55 anos, que havia sido internado com síndrome nefroneural após ter consumido a cerveja Belorizontina. Foi o primeiro de sete óbitos registrados no decorrer do inquérito.
• 8 de janeiro de 2020
Resultados das análises das amostras indicam a presença de dietilenoglicol na bebida.
• 9 de janeiro de 2020
É instituída uma força-tarefa, composta da Polícia Civil de Minas Gerais, do Ministério Público de Minas Gerais, da Secretaria Estado de Saúde e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para investigar o caso, que vai várias vezes à empresa nos dias seguintes.
• 10 de janeiro de 2020
Mapa determina a interdição da cervejaria Backer, fabricante da Belorizontina.
• 11 de janeiro de 2020
Cervejas recolhidas na Backer e cedidas por parentes das vítimas são levadas de avião para o Distrito Federal, onde passam por teste de carbonatação, que verificou não terem sido violadas antes de submetidas a exames que detectaram a presença de monoetilenoglicol e dietilenoglicol no líquido. O teste deu a certeza de que a contaminação ocorreu dentro da fábrica.
Amostras de sangue das vítimas internadas detectam a presença de dietilenoglicol e um metabólito da substância, o ácido diglicólico.
• 13 de janeiro de 2020
Relatório de necropsia constata a intoxicação de Paschoal Demartini por dietilenoglicol. No decorrer das investigações, médicos legistas identificaram em necropsias de vítimas alterações neurológicas e renais em exames compatíveis com a intoxicação pelo dietilenoglicol.
• 16 de janeiro de 2020
A PCMG vai até a fornecedora do líquido refrigerador à Backer, em Contagem, na Grande BH, onde recolhe amostras de produtos químicos e documentos da empresa.
• 17 a 29 de janeiro de 2020
A Polícia ouve 26 pessoas, entre parentes dos intoxicados e representantes da empresa, o que permitiu compreender como as vítimas foram contaminadas e a atuação de cada investigado na produção cervejeira.
• 27 de fevereiro de 2020
Tanques de fermentação da cervejaria começam a ser analisados pela força-tarefa.
• 6 de março de 2020
Produto fluorescente é colocado no compartimento do líquido refrigerante e percorre as tubulações da fábrica, permitindo a identificação de dois grandes pontos de vazamento de dietilenoglicol e monoetilenoglicol. No período subsequente, os policiais analisam a produção da cervejaria e os dados colhidos.
• 9 de junho de 2020
A polícia informa que encontrou um grande vazamento na bomba do chiller. Também foram encontrados vários vazamentos nos canos que levam o monoetileno para os tanques de maturação e fermentação denominados como JB. Foram encontrados vazamentos dentro dos tanques, onde jorrava substância tóxica na cerveja. Após as misturas, a cerveja contaminada era engarrafada e levada para o consumo.
• 8 de abril de 2022
Mapa autoriza a retomada da produção de cervejas pela Backer, e a Capitão Senra volta a ser vendida no mercado.
• 25 de maio de 2022
É realizada a audiência de instrução do caso Backer no Fórum Laffayette. Ao todo, 23 testemunhas e quatro vítimas foram ouvidas.
• 4 de janeiro de 2023
Processo se encontra em fase de perícia, e vítimas tentam acordo extrajudicial para pagamento de indenização.
*Estagiária sob supervisão de Maria Luiza Reis















